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Mostrando postagens com o rótulo Política internacional

A Hidra de Lerna

Em 30 de dezembro de 2006 Saddam Hussein foi executado por enforcamento, três anos depois de sua captura. O tribunal que o condenou não teria legitimidade para julgá-lo em uma democracia, pois na sua maioria era composto por xiitas, inimigos mortais dos sunitas, que tinham em Saddam Hussein o seu maior líder. O veredito, portanto, independentemente da culpa ou do merecimento da forca, era previsível: os xiitas jamais perderiam a oportunidade de quebrar o pescoço do seu arquirrival e opressor por mais de três décadas e fizeram o trabalho encomendado pelos EUA, que queriam Saddam morto, mas não queriam aparecer na foto colocando-lhe a corda no pescoço. Contam os que presenciaram a execução que Saddam, em nenhum momento, demonstrou medo e, como Jacques De Molay, o último grão-mestre dos Templários, quando foi incinerado por Felipe IV, o Belo, ainda rogou praga aos desafetos. O vídeo da execução revela a praga esbravejada antes do cadafalso se abrir: “ Morte aos Estados Unidos! Morte a Isr...

Kim Jong-un que se cuide ou pode virar Saddam Hussein

O ditador norte-coreano Kim Jong-un tem 80% de chances de estar blefando ao, de forma contumaz, anunciar aos quatro ventos que possui mísseis capazes de transportar ogivas nucleares. A retórica pode ser um erro como política externa dissuasiva. Disparar um foguete rumo a um alvo é coisa ginasial hoje em dia. Colocar nele uma ogiva nuclear funcional são outros mil e quinhentos que dificilmente a Coreia do Norte tem, a não ser que a China ou a Rússia tenham resolvido, em um grave lapso de juízo, entregar a encomenda já pronta ao doidivanas de Pyongyang. Mesmo esta hipótese é altamente improvável, pois, louco como é Baby Kim, qualquer brinquedo negado ao seu capricho impúbere, pela proximidade, é mais fácil acertar o alvo da baladeira em Moscou ou em Pequim do que, pela distância, em Washington. Por essa brincadeira de dizer o brinquedo que não tem, como forma de dissuasão, foi que, em 2003, os EUA derramaram bombas sobre o a cabeça do então ditador Saddam Hussein, sob a justificativa de ...

Trump cancela acordos EUA-Cuba o que reaproxima Havana de Moscou

Imediatamente após Fidel Castro, que nunca se declarou um marxista antes da Revolução – o ideólogo do movimento era Che Guevara – marchar sobre Havana os EUA iniciaram uma ferrenha cruzada contra o fidelismo. A então União das Repúblicas Socialista Soviéticas (URSS), que já dava certa carenagem aos acampamentos de Sierra Maestra, aproveitou a equivocada hostilidade estadunidense e escancarou os braços, e cofres, ao regime, cobrando a guinada de Fidel ao lema “socialismo ou morte”, que, na verdade, ao contrário do que muitos pregam, não foi uma opção doutrinária de Fidel, mas uma imposição econômica para ilha, já que o capitalismo, a 90 milhas de Havana, queria, mesmo, tirá-lo do ramo. Com Barak Obama, a política externa norte-americana em relação à Cuba sofreu um processo de distensão. Foi uma opção acertada, pois a ilha, na contingência de ter perdido os vasos comunicantes com a Rússia e a falência da Venezuela, que cobria as entregas de petróleo e gás necessários para manter a ilha ...

Condolências socialistas

De vez em quando o que sobrou da esquerda global tem uns relances de lucidez funcional e faz autocrítica do seu espírito de corpo. Recentemente, Noam Chomsky descompôs os percalços da esquerda sul-americana e carregou as tintas, principalmente, nos governos de esquerda do Brasil e da Venezuela, esse, o mais desastroso de toda a história da concepção marxista. Agora, depois de uma Venezuela devastada pela grife do chavismo, um grupo de cerca de 250 intelectuais e ativistas políticos auto definidos como “de esquerda e/ou progressistas” assinou um manifesto que investe contra o herdeiro do chavismo, o atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Ao que parece, a cegueira da esquerda em defender desastres só porque os autores do terremoto são “de esquerda”, está agonizando. O texto afirma que não mais suporta como “certos setores da esquerda latino-americana ainda apoiam incondicionalmente o chavismo” e afirmam que tal comportamento “não apenas revela cegueira ideológica, mas é prejudic...

Dinheiro envolvido na corrupção global seria a 8ª economia do mundo

Há aqueles que pensam que a corrupção existe apenas no Brasil e é praticada exclusivamente por políticos: ledo engano. A corrupção é um mal global, que permeia as alcovas do Vaticano, passa pelas mais vetustas repúblicas e não escolhe pistas exclusivas para pouso. Quem afirma que a corrupção é uma "indústria global" é a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega 35 países democráticos, na sua maioria economias com elevado PIB per capita e IDH alto. A OCDE e o Banco Mundial publicaram na terça-feira (30) um informe onde reportam que a corrupção movimenta por ano cerca de US$ 2 trilhões, o que é quase o PIB da França em 2015 (US$ 2,4 trilhões) e é superior ao PIB do Brasil no mesmo ano (US$ 1,8 trilhão). A propósito, se o valor movimentado pela corrupção global fosse um país, este seria a oitava economia do mundo. O levantamento referido estima que “ o dinheiro anual destinado à corrupção é metade de tudo o que o mundo precisa para garantir ...

A Venezuela em chamas

Os protestos contra a aberração chavista chamada Maduro continuam em Caracas, outrora uma das mais prósperas capitais do Cone Sul da América e depois da desventura chavista a imagem da decadência. Jovens que comandavam o protesto atearam fogo e lançaram pedras contra as forças de segurança e alguns acabaram incinerando a si mesmos. Em um mundo em que esquerdas proterozoicas  se batem com direitas arqueanas para ver quem consegue acabar mais pronto com a razoabilidade civilizatória, é sempre bom considerar correr para o centro em busca de retomar o ponto de equilíbrio. Foto: AFP

Intifada solitária

Os eternos e constantes conflitos entre israelenses e palestinos na Cisjordânia, continuam sendo pasto fértil para o jornalismo fotográfico. No flagrante acima, em confrontos na aldeia de Beita, um palestino atira pedras contra soldados israelenses postados do outro lado da barreira de fogo. A foto é de Jaafar Ashtiyeh/AFP

De Donald Trump para Bashar al-Assad

O ditador sírio Bashar al-Assad, em guerra intestina com forças que lhe querem tomar o poder, ultrapassou a linha roxa na terça-feira (04) ao ordenar ataque aos seus desafetos com armas químicas que mataram pelo menos 100 civis, inclusive crianças. O evento minou o que restava de resistência no presidente dos EUA, Donald Trump, que titubeava em meter o seu governo na tradicional doutrina bélica estadunidense, mais especificamente no caso da Síria, eis que Putin insiste em proteger o regime de al-Assad, por interesses geopolíticos russos. Intoxicado pelo gás Sarin que al-Assad espargiu, Trump apertou o botão da retaliação na própria terça-feira (04) e ontem (06) duas belonaves táticas dos EUA, desde o Mediterrâneo, cuspiram não menos que 50 mísseis Tomahawk sobre a base militar síria de Shayrat, localizada na cidade de Homs, de onde, por suposto, partiram as aeronaves usados para o ataque com gás Sarin. Segundo relatório de danos, o ataque tirou do ramo todo o equipamento da base, ...

Construtora Odebrecht pagava pedágio às FARC, na Colômbia

É sabido, e aceito, pelo establishment empresarial internacional, especificamente empreiteiras que executam obras em áreas gravadas como de alto risco local, que há um percentual no BDI (Boletim de Despesas Indiretas) das obras, que é usado para pagar pedágio a quem domina a área. Isso ocorre amiúde em obras nos países da África subsaariana, onde áreas dominadas por tribos autônomas só recebem obras ou serviços de infraestrutura, ou socorro humanitário, se o órgão que for executar negociar com o chefe da tribo, geralmente um “rei”, um valor pecuniário. Regra geral, mesmo pago esse valor, depois de concluída a obra, os equipamentos usados são arrestados pelo “rei”, que os vende depois em um mercado especializado nesse tipo de aquisição. Tomei conhecimento dessa peculiaridade, há 10 anos, em conversa com um amigo que venceu uma licitação internacional para uma obra de saneamento, bancada pelo Banco Mundial, que tinha ubiquidade nas fronteiras de Angola, Namíbia, Zâmbia, Zimbábue e Botsu...

O limite da estupidez

Os estertores do chavismo, que fez metástase na Venezuela e ensaiou soluços em alguns países do cone Sul da América. Disse o diretor de cinema Claude Chabrol, que inaugurou a Nouvelle Vague , "a inteligência tem seus limites, a estupidez não". Mas acho que o chavismo desdisse Chabrol, ao chegar ao limite da estupidez.

De fantasia em festa de traje a rigor

Enquanto Donald Trump tenta pautar a sua agenda de barreiras comerciais a um Congresso que resiste, a Organização Mundial do Comércio (OMC) vota hoje (21), já com dois terços dos membros garantidos, a entrada em vigor do acordo de desburocratização do livre comércio mundial assinado em 2013, inclusive pelos EUA, que se traduz na medida de maior repercussão no comércio global em 20 anos. No Brasil, signatário do acordo, afirma a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a entrada em vigor teria expansão comercial tão, ou mais, significativa quanto foi a criação do Mercosul, nos anos 1990. As medidas de desburocratização de exportações e importações visam diminuir custos, suprimir emolumentos e reduzir impostos. A consequência poderá vir na formalização de parte de um fluxo de bens contrabandeados entre as nações que têm valor estimado em US$ 8 trilhões (!), quase a metade do PIB dos EUA, o maior do mundo. A OMC estima que, “no médio prazo”, a medida trará ganhos de US$ 1 trilhão para ...

De bike

O “cara” à direita na foto acima, pedalando a sua bike rumo ao trabalho, é Boris Johnson, atual Secretário de Estado do Reino Unido para os Assuntos Externos e da Commonwealth britânica, o que equivale a um ministro das Relações Exteriores no Brasil. Boris, pelo Partido Conservador, foi prefeito de Londres de 2008 a 2016 e, como hoje, ia ao seu gabinete na City, de bicicleta. Mas o rapaz à esquerda, que cruza por Boris e lhe “dá o dedo”, parece que não vota no Partido Conservador.

Trump contra a imprensa

Well, o ex-presidente Lula já não pode achar que ele é o único perseguido pela imprensa: Trump também é.

E continua a liça

Sem maiores coberturas pela imprensa internacional, prossegue indefinida, depois de pouco mais de dois meses de campanha, a Batalha de Mossul , na qual uma coalizão internacional tenta tomar a cidade que o Estado Islâmico proclamou como a capital do seu autoproclamado califado. Na foto, forças iraquianas disparam morteiros de curto alcance desde a cidade de Al-Intisar, nas bordas de Mossul. A foto é de Ahmad Al-Rubaye, para a AFP.

De 1914 a 2016

Em 28 de junho de 1914, o arquiduque do Império Austro-Húngaro, Francisco Fernando e a sua esposa Sofia, Duquesa de Hohenberg, voltavam de carro ao palácio onde estavam hospedados em Saravejo, quando ambos foram atingidos por disparos de arma de fogo, morrendo em seguida. O autor dos disparos foi o sérvio de 20 anos, Gavrilo Princip, ligado à organização nacionalista Mão Negra, que se contrapunha à dominação do império Austro-Húngaro na região. O episódio é considerado o estopim da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Ontem (19), quando o embaixador da Rússia na Turquia, Andrei Karlov, inaugurava uma exposição de arte em Ankara, o soldado turco Mevlüt Altintas, 22 anos, assassinou-o. Enquanto atirava, Mevlüt, dentre outros apupos, gritava: "Não esqueçam a Síria, não esqueçam Alepo. Enquanto os habitantes não estiverem em segurança, vocês também não estarão". Os episódios de 1914 e 2016 guardam similaridade no terrorismo como instrumento político, o que ilustra a anciani...

Longa jornada deserto adentro

Acima, na mais perfeita tradução da road war , uma composição iraquiana avança à nordeste de Mossul, em uma campanha que já toma mais de 40 dias para tomar a cidade dominada pelo Estado Islâmico e proclamada a capital do seu califado. Pouco se tem noticiado sobre a Batalha de Mossul, a saga iniciada em 16.10.2016, protagonizada pela coalizão internacional dos EUA, França, Reino Unido, Austrália, Dinamarca, Turquia, Alemanha e Itália. Na postagem de 21.10.2016 , escrevi que a Batalha de Mossul era liça para mais de metro e hoje, depois de mais de 40 dias de escaramuças, a coalizão ainda não conseguiu tomar a cidade. Na foto acima, as famosas guerrilheiras peshmerge, do curdistão iraniano, em uma das trincheiras armadas, 25 km a nordeste de Mossul. Abaixo, descem o deserto, rumo ao Sul, refugiados de Mossul que conseguem atravessar as colunas de fumaça causadas pela queima de poços de petróleo nos quais o EI ateia fogo para impedir o avanço da coalizão. Como escreveu o grande romancis...

Piada de velório

Não é surpresa para mim ver a quilométrica fila que se faz na Praça da Revolução para passar diante das cinzas de Fidel Castro, que sairão amanhã (29) pela manhã de Havana e cortarão a ilha de Leste a Oeste, até Santiago de Cuba, em um percurso de quase 900 km. Causou-me, todavia, certa surpresa ver muitos jovens no velório, pois, a maioria dos jovens de Cuba cresceu fomentando oposição ao regime. Perguntei a um amigo cubano o porquê dessa massa de jovens. Se era apenas curiosidade, ou eles, não mais que de repente, também curtiam um sentimento de perda. O meu amigo soltou, então, uma daquelas piadas típicas que os cubanos costumam fazer com Fidel: - Nada disso, eles querem constatar que El Comandante, de fato, está morto.

A última morte de Fidel Castro

A morte de Fidel Castro, o último dos líderes socialistas da escola marxista-leninista, espargida a partir da Revolução russa de 1917, já foi anunciada várias vezes nas redes sociais desde o seu retiro aos bastidores da República cubana. Ontem à noite (25), no entanto, a morte foi anunciada oficialmente, pelo seu irmão Raúl Castro, que em pronunciamento na TV estatal, comunicou que o óbito ocorreu ontem (25), às 22h29m. Desta feita, portanto, a morte do líder revolucionário, aos 90 anos de idade, é definitiva e com ela está selada a morte da Revolução Cubana que se iniciou em 1953 e se consolidou com a tomada do poder em 1959. Cuba decretou luto de 9 dias e, conforme a vontade de Fidel, seu corpo será cremado ainda hoje e as cinzas percorrerão a ilha até Santiago de Cuba, onde chegarão em 4 de dezembro e serão enterradas. Com as cinzas de Fidel Castro encerra-se um ciclo de 60 anos da história cubana, que começou com a partida dele do México, exatamente em 25.11.1956, no Iate Gra...

A ressaca e a euforia

As imagens abaixo, publicadas pela AFP, relatam o desalento que tomou conta dos funcionários do comitê de Hilary Clinton, quando se consolidou a vitória de Trump. E abaixo, da mesma agência, a euforia dos republicanos que sacudiam o slogan de campanha de Trump para comemorar a vitória que frustrou todos os diagnósticos. O slogan “Make America Great again” é traduzido no vernáculo como “Faça a América grande de novo”.

Brasil é o 4º maior fornecedor de armas e munições de pequeno porte do mundo

O Brasil se orgulha de ser um país pacifista e é assim que somos vistos pela comunidade intranacional. Até mesmo por restrição constitucional, não podemos sair por aí brincando de Armagedom, achando que somos os bons e temos que enquadrar os maus. Destarte o bom conceito neste quesito, o Brasil, sem alarde, já é o 4º maior fornecedor de armas e munições de pequeno porte do mundo, e é esse tipo de arma que mais mutila e mata pessoas, principalmente em conflitos internos. É o que mostra a matéria publicada na Folha de S. Paulo, escrita pelos pesquisadores do Instituto Igarapé, Robert Muggah e Nathan Thompson. Reportam os pesquisadores que “durante a Primavera Árabe, em 2011, as forças de segurança de diversos governos se valeram de armas fabricadas no Brasil”. Da mesma forma, o armamento usado pelo sultanato de Erdogam, na praça Taksim, em Istambul, “onde manifestantes foram brutalmente combatidos por polícia e Exército turcos”, era brasileiro. E na guerra civil do Iêmen, são usad...