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A vara que bate em Gilmar Mendes com uma ponta é a mesma que bate em Rodrigo Janot com a outra

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Um dia depois de protocolar o pedido de impedimento do ministro Gilmar Mendes no caso Eike Batista, alegando que a esposa do ministro é advogada e sócia do escritório Sergio Bermudes, do qual Eike é cliente, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, se vê em situação factualmente similar.

Estampou a imprensa ontem (09), que a filha de Janot, a advogada Leticia Ladeira Monteiro de Barros, “atua como advogada da empreiteira OAS, investigada por ele na Lava Jato, em acordos junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Se os interesses da OAS, sob o patrocínio de Leticia, parassem no CADE, onde é a primeira instância do MPF, com autonomia institucional, quem atua na celebração dos acordos, não haveria razão para a suspeição de Janot.

Ocorre que a cavidade é mais funda: a Procuradoria-Geral da República negocia com os executivos da OAS um acordo de delação premiada e, como sói saber, os delatores recebem da PGR, em comum acordo com o juiz do feito, um prêmio, que geralmente consiste na redução substancial das penas e até o cumprimento do que dela restar, no conforto das suas mansões.

A imprensa foi escutar Rodrigo Janot sobre a volta do anzol e ele, em sustentação da impertinência da suspeição, deu uma de Sergio Bermudes quando sustentou que Gilmar Mendes não está impedido quanto à Eike, porque a sua banca não advogado no criminal para o ex-bilionário.

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Antigamente tinha um dito popular nos vales do Rio Tocantins, para qualificar uma pessoa que usava desculpas para sopitar bovinos quando se via em apuros de lógica: “esse aí diz que não come peixe, mas bebe todo o caldo”.

Ou seja, Rodrigo Janot, não participa dos acordos de colaboração (eufemismo para delação premiada), só assina a delegação para um Grupo de Trabalho, que em seu nome, os celebra.

O fato é que é de se supor que Diógenes de Sinope tem que ter bastante estearina na lanterna para encontrar o que procura do lado de baixo do Equador, já que por aqui pecado é só aquele que os outros cometem. 

E assim como serviria a Mendes manter o dedo indicador asseado, já que Janot tomou emprestada a lanterna, deveria, idem, segurar o cajado. 

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