Pular para o conteúdo principal

Por inconstitucionalidade, STF anula votação da Câmara que julgou contas de três ex-presidentes

Shot 001

A respeito do julgamento das contas de responsabilidade do presidente da República, a Constituição de 1988 lavra:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;

O Congresso Nacional é a união da Câmara Federal e do Senado Federal em um só plenário deliberativo, quando deputados e senadores se igualam para decidir matérias constitucionalmente previstas de sua exclusiva competência, sob a presidência do presidente do Senado Federal.

Desde 1988 o referido artigo tem sido ignorado e as duas Casas votado em separado as contas presidenciais, embora os relatórios se tenham elaborado, corretamente, por uma comissão mista.

Foi o que fez o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao submeter, destarte os protestos da senadora relatora, Rose de Freitas (PMDB-ES), a apreciação isolada da Câmara, as contas dos ex-presidentes Itamar Franco, FHC e Lula.

O açodamento de Cunha se fez a fim de limpar a específica pauta, esperando as contas da presidente Dilma, sua desafeta predileta.

Irresignada, Rose de Freitas apelou ao STF, requerendo a anulação da sessão por inconstitucionalidade formal. Ontem (13) o ministro Luís Roberto Barroso, como já era esperado por todo o mundo jurídico, anulou a sessão e estabeleceu a leitura óbvia do Art. 49 da Carta, de que “as contas presidenciais devem ser julgadas pelo Congresso Nacional, em reunião conjunta de deputados e de senadores”.

O presidente Eduardo Cunha, pessoalmente, apelou ao ministro Barroso para que fosse mantida a sessão, por força do costume já corriqueiro no Poder Legislativo, mas Barroso não tinha como não reconhecer que a boca havia entortado de tanto fumar o cachimbo, antes porque o artigo fala por si só, não deixando vaga à interpretações.

Foi a primeira derrota de Cunha desde que ele assumiu a presidência da Câmara Federal, tocando-a a manu militari. A decisão do STF empodera o presidente do senado Renan Calheiros (PMDB-AL), a quem caberá presidir a sessão do Congresso Nacional que julgará as contas de Dilma e tão cedo não deverá pautá-la, dando, depois de muita tempestade, um relativo alívio, nesse item, ao Palácio do Planalto.

Comentários

  1. o eduardo cunha, talvez plo fato de sempre cumprir os compromissos assumidos,falhou em confiar no ardiloso renan calheiros,que agora com a sua turma tomou as redias do paiz.

    ResponderExcluir
  2. Agora é inconstitucional, estranho isso.

    ResponderExcluir
  3. Francisco Márcio14/08/2015, 11:54

    Alívio que cai bem para a presidente e para o seu grupo. Já pensou se a Dilma cai? Seu chefe saiu na foto na Folha, hoje, junto com a caciquia do PMDB nacional. O prestígio está em alta.

    Tomara que Belo Monte não atrapalhe...

    ResponderExcluir
  4. A Dilma acha que tem mandato de 4 anos, perfeito, será que o povo acha isso?
    O povo sabe hoje que a turma do PT é mais corrupta que a do PSDB e nem se fala do PMDB, portanto o POVO que colocou ela lá e que vai derruba-la.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.

Postagens mais visitadas deste blog

Campanha para nomeação de Defensores Públicos aprovados em concurso

Os aprovados no concurso da Defensoria Pública do Pará, em 2009, labutam pela nomeação e, às vésperas da expiração do prazo do concurso, 23.07.2011, iniciam uma campanha para não terem as suas expectativas frustradas. No concurso de 2009 foram aprovados 148 candidatos, dos quais 56 foram nomeados e 92 aguardam nomeação. Por emenda da deputada Simone Morgado, o Orçamento do Estado, para 2011, prevê dotação para a contratação de 45 Defensores Públicos. A Defensoria Pública do Pará está recebendo, desde janeiro deste ano, os repasses financeiros já acrescido o valor da emenda citada, mas, até o momento não notificou os aprovados para nomeação, assim como não dá explicação alguma da não providência. Dos 144 municípios do Pará, 83 não possuem Defensores Públicos. Das 117 comarcas instaladas no Pará, em apenas 65 há Defensores Públicos lotados. O Grupo de Concursados requer a nomeação dos 45 Defensores Públicos para os quais o órgão possui dotação orçamentária e recursos financeiros para c...

Parsifal

Em uma noite de plenilúnio, às margens do Rio Tocantins, o lavrador pegou a lanterna e saiu correndo de casa à busca da parteira. Sua mãe, uma teúda mameluca, ficou vigiando a esposa que se contorcia com as dores do parto. Quando voltou com a parteira, o menino já chorava ao mundo. Não esperou: simplesmente nasceu. A parteira cortou o cordão umbilical e o jogou ao Rio Tocantins. Após os serviços de praxe de pós parto, a mãe de Ismael o chamou ao quarto para ver o filho. O lavrador entrou no quarto. A lamparina o deixou ver a criança ao peito da mãe: nascera Parsifal, pensou ele orgulhoso. O lavrador pegou uma cartucheira calibre vinte, carregou o cartucho ao cano, armou e saiu à porta. O Tocantins espreitava-lhe manteúdo. Apontou a mira da vinte à Lua e disparou: era assim que os caboclos do baixo Tocantins anunciavam a chegada de um homem à família.

Deputado Alessandro Novelino, assessor e piloto perecem em acidente aéreo

O Corpo de Bombeiros sobrevoou, de helicóptero, a área onde foram encontrados os destroços da aeronave bimotor Sêneca, de propriedade do deputado Alessandro Novelino (PMN), e lá desembarcou, através de cabos, dois policiais da corporação, que confirmaram não haver sobreviventes. Os corpos das três pessoas que estavam na aeronave foram localizados a certa distância dos destroços: o piloto da aeronave, Roberto Carlos Figueiredo, o deputado Alessandro Novelino e seu assessor parlamentar, José Augusto dos Santos. Os corpos já foram transportados, pelo Corpo de Bombeiros, para Belém e estão no Instituto Médico Legal Renato Chaves, que depois dos procedimentos exigidos os entregará às respectivas famílias. O Sêneca decolou às 8h30m de hoje (25) do aeroclube do Pará, com destino à fazenda do deputado no município de Tomé-Açu. Após 18 minutos de voo desapareceu do radar. No final da manhã os destroços da aeronave foram localizados em uma área, sem acesso por terra, no município do Acará. ...