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Moscou sobe o tom com a Casa Branca

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Não é somente nos embates dos prós e contra a divisão do Pará que a testosterona está derramando pelos cantos da boca.

Com as desinteligências entre o Irã e Israel se tornando cada vez mais obtusas, a Casa Branca, anunciou, ontem, 22, que o Pentágono prosseguirá com a instalação de seus escudos antimísseis na Europa Ocidental.

O anúncio dissuasivo dos EUA provocou imediata reunião do Comitê Executivo russo, em Gorki, nos arredores de Moscou.

A reunião terminou em figurino de guerra fria: o presidente Medvedv Medvedev, sob o olhar vigilante do seu premiê Putin, anunciou que caso o programa de escudos antimísseis continuem a Rússia quebrará o acordo de contingência nuclear com os EUA e posicionará mísseis em todas as fronteiras com a União Europeia.

O tom dissuasivo de Medvedv Medvedev foi além, ao afirmar que "sistemas de armas modernas" seriam instalados em Kaliningrado.

E por que Kaliningrado? Porque o território é uma possessão russa dentro da Europa Ocidental, em pleno Báltico, situado entre a Polônia e a Lituânia, de onde as “armas modernas” do Kremlin podem alcançar qualquer parte da Europa.

Os EUA apressaram-se a “explicar” que os escudos antimísseis são exclusivamente defensivos, tendo como única finalidade interceptar possíveis disparos rumo ao território vigiado pela OTAN, em uma “provável” ruptura do Irã com Israel. Moscou fingiu que não ouviu a explicação.

O episódio pode ser entendido da seguinte maneira: Israel já avisou os EUA que vai atacar o Irã. Os EUA adorariam que isto ocorresse, pois eles não seriam obrigados a atravessar seus caças e nem deslocar a sua tonelagem marcial marítima para o Mediterrâneo.

Mas, a Rússia não tem interesse algum em permitir um enfraquecimento do Irã, seu parceiro na vigilância do Golfo Pérsico, principalmente depois que o Iraque, que guardava o mesmo golfo aos fundos, em um momento epilético do Kremlin, caiu nas garras do Tio Sam.

Para que não haja disparos, vai ter que aparecer alguém para partir estas cartas e distribuí-las a contento.

Comentários

  1. "Israel avisou os EUA" é ótimo, como se aquela extensão puritana enquistada no Oriente Médio fizesse algo que não fosse do conhecimento prévio do Pentágono. Pode até não ser de Obama.
    Certo é, deputado, que só o medo de uma das partes, ou de ambas, pode frear a marcha dessa insanidade. Perdão pela intromissão.

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  2. Não há o que perdoar.
    É por isto que os EUA sabem: Israel não se move sem comunica-los.

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  3. Prezado Parsifal,

    Os russos "fingiram q não ouviram" as explicações de washington, pq os mísseis que os EUA querem instalar, sob alegação de 'defesa', pode virar de 'ataque', e aí os russos estariam na alça de mira....engraçado que o EUA bateram o pé, espernearam e quase houve confronto na época da guerra fria, quando os russos instalaram mísseis balísticos em Cuba, (dizem q foi o momento mais próximo de ter havido uma guerra entre as duas então superpotências, q, caso tivesse acontecido, nenhum de nós estaria aqui para contar história)então, na cabeça dos americanos, os russo não podem, mas eles podem instalar 'brinquedos' perigosos no quintal dos outros....


    Obs.O nome do Presidente da Rússia é Medvedev, e não Medvedv, como foi publicado.

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  4. 23:35:00,

    Embora os mísseis do escudo antimísseis tenham alcance curto, pois eles se prestam a interceptação e não a invasão, não deixa de ter razão a sua observação, e a desconfiança de Moscou, pois, não se deve, de fato, duvidar, que no meio dos pastores alemães não se metam lobos selvagens.
    Obrigado pela observação do nome do presidente russo: engoli os "es", mas, já os vomitei de volta.

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