Os ataques aéreos e o cerco marítimo da OTAN, aditados pela desidratação causada pelo bloqueio comercial à Líbia, dividiram o país entre as forças leais a Kadafi e os rebeldes que, aos poucos, isolaram o ditador na cidade capital, Trípoli, onde ele têm teimosamente resistido.
Ontem, os rebeldes conquistaram uma valiosa cabeça de ponte: tomaram Zawiya, a apenas 50 quilômetros de Trípoli, e ali instalaram um ponto de inflexão às marchas do oeste e leste, que devem estar, neste momento, desfilando rumo à capital, que já sofre esparsos bombardeios.
Trípoli, fundada no século VII a.C pelos fenícios e depois anexada pelos cartagineses, é umas das belas e pitorescas paragens que se debruça sobre o Mediterrâneo. Dentre muitas outras que já assistiu nos seus quase três mil anos de história, está prestes a ser paço do confronto final entre os rebeldes e as forças de Muamar Kadafi que, embora combalidas, ainda deverão oferecer feroz resistência.
O repórter Matthew Price, da BBC, que cobre as escaramuças, relata que Kadafi armou e treinou homens e mulheres civis, incorporando-os ao exército, e está determinado a resistir até as últimas consequências.
Kadafi repete o que os cartagineses fizeram na última das guerras púnicas, quando Cartago foi varrida do mapa pelas legiões romanas de Cipião Emiliano, em 146 a.C: a cidade Estado resistiu três anos e, contam os menestréis da Média Idade, as mulheres cortavam as madeixas para tecer cordas às catapultas.
Em 146 a.C eu torcia pelos cartagineses. Hoje, eu espero que o cerco à Ṭarābulus al-Gharbdiz, nome em árabe de Trípoli, seja rápido e vitorioso.
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