Pular para o conteúdo principal

Morre Ariano Suassuna, um dos mais candentes ícones da dramaturgia nacional

A indesejada das gentes passou a foice ontem (23) no pescoço do advogado, escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna. Foram 87 anos, como cantou Boldrin, na moda de viola mais bela do planeta “Vide vida marvada”, “mastigando o mundo e ruminando”.

Shot 016

Paraibano de João Pessoa por nascença, mas pernambucano por escolha, Suassuna talvez tenha sido o último dos mestres natos da dramaturgia nacional contemporânea e o seu legado é uma das mais perfeitas traduções da alma cultural nordestina.

Shot 005

Desde o circo até o teatro Suassuna contou o folclore do sertão de uma maneira peculiar que criou uma escola e ele foi um ícone sem par da inteligência que conseguiu embarcar no seu modo de contar histórias. Sim, não eram estórias, pois as falas, os jeitos e os destinos dos personagens acalentados por ele eram tão reais quanto as vidas do povo que o inspirou.

Shot 006

Dentre a sua vastíssima produção, sem dúvida a obra prima é a mais popular: “Auto da Compadecida”, escrita em 1955, contando as aventuras, desventuras e travessuras de Chicó e João Grilo, no Nordeste brasileiro. O “Auto” foi filmado em 2000, por Guel Arraes, e o filme é imperdível.

Shot 007

Sua obra, embora telúrica e de difícil entendimento fora do contexto nordestino nacional, extrapolou as fronteiras do Brasil e encontrou guarida em traduções para o francês, alemão, espanhol, inglês e holandês, e o conjunto dela o credenciou a ocupar a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras.

Shot 009

Que a terra lhe seja leve…

Shot 015

Comentários

  1. Um mestre...aos poucos a inteligência brasileira vais se transformando e outros mestres vão nascendo...ciclo!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.

Postagens mais visitadas deste blog

Campanha para nomeação de Defensores Públicos aprovados em concurso

Os aprovados no concurso da Defensoria Pública do Pará, em 2009, labutam pela nomeação e, às vésperas da expiração do prazo do concurso, 23.07.2011, iniciam uma campanha para não terem as suas expectativas frustradas. No concurso de 2009 foram aprovados 148 candidatos, dos quais 56 foram nomeados e 92 aguardam nomeação. Por emenda da deputada Simone Morgado, o Orçamento do Estado, para 2011, prevê dotação para a contratação de 45 Defensores Públicos. A Defensoria Pública do Pará está recebendo, desde janeiro deste ano, os repasses financeiros já acrescido o valor da emenda citada, mas, até o momento não notificou os aprovados para nomeação, assim como não dá explicação alguma da não providência. Dos 144 municípios do Pará, 83 não possuem Defensores Públicos. Das 117 comarcas instaladas no Pará, em apenas 65 há Defensores Públicos lotados. O Grupo de Concursados requer a nomeação dos 45 Defensores Públicos para os quais o órgão possui dotação orçamentária e recursos financeiros para c...

Deputado Alessandro Novelino, assessor e piloto perecem em acidente aéreo

O Corpo de Bombeiros sobrevoou, de helicóptero, a área onde foram encontrados os destroços da aeronave bimotor Sêneca, de propriedade do deputado Alessandro Novelino (PMN), e lá desembarcou, através de cabos, dois policiais da corporação, que confirmaram não haver sobreviventes. Os corpos das três pessoas que estavam na aeronave foram localizados a certa distância dos destroços: o piloto da aeronave, Roberto Carlos Figueiredo, o deputado Alessandro Novelino e seu assessor parlamentar, José Augusto dos Santos. Os corpos já foram transportados, pelo Corpo de Bombeiros, para Belém e estão no Instituto Médico Legal Renato Chaves, que depois dos procedimentos exigidos os entregará às respectivas famílias. O Sêneca decolou às 8h30m de hoje (25) do aeroclube do Pará, com destino à fazenda do deputado no município de Tomé-Açu. Após 18 minutos de voo desapareceu do radar. No final da manhã os destroços da aeronave foram localizados em uma área, sem acesso por terra, no município do Acará. ...

Parsifal

Em uma noite de plenilúnio, às margens do Rio Tocantins, o lavrador pegou a lanterna e saiu correndo de casa à busca da parteira. Sua mãe, uma teúda mameluca, ficou vigiando a esposa que se contorcia com as dores do parto. Quando voltou com a parteira, o menino já chorava ao mundo. Não esperou: simplesmente nasceu. A parteira cortou o cordão umbilical e o jogou ao Rio Tocantins. Após os serviços de praxe de pós parto, a mãe de Ismael o chamou ao quarto para ver o filho. O lavrador entrou no quarto. A lamparina o deixou ver a criança ao peito da mãe: nascera Parsifal, pensou ele orgulhoso. O lavrador pegou uma cartucheira calibre vinte, carregou o cartucho ao cano, armou e saiu à porta. O Tocantins espreitava-lhe manteúdo. Apontou a mira da vinte à Lua e disparou: era assim que os caboclos do baixo Tocantins anunciavam a chegada de um homem à família.