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CELPA publica pedido de recuperação judicial (concordata)

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Há mais de 4 anos em dificuldades financeiras a Celpa jogou a toalha e na tarde desta terça-feira, 28, divulgou fato relevante revelando que entrou com pedido de recuperação judicial, o equivalente jurídico à concordata.

> A agravamento da crise da companhia

"A despeito dos esforços da administração junto a credores e potenciais investidores, o pedido de recuperação judicial mostrou-se inevitável diante do agravamento da situação de crise econômico-financeira da Celpa e do imperativo de proteger a continuidade dos serviços públicos por ela prestados", diz um trecho da nota da empresa.

> A empresa de pior desempenho do Grupo Rede Energia

A Celpa é o patinho feio do Grupo Rede. Enquanto outras empresas de energia do grupo são superavitárias, a Celpa amarga uma dívida de curto prazo de R$ 1,4 bilhão e o mesmo valor a longo prazo.

Com o pedido de recuperação judicial, os credores de curto prazo deverão tomar o mesmo caminho se não tiverem tutano para aguentar o tranco. Os credores de longo prazo tendem a perder o prazo de vista.

> Solução seria a venda dos ativos

O Grupo Rede Energia convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para 19 de março para discutir possíveis cenários no decurso da recuperação judicial e como sair dela. Uma das alternativas pode ser a venda da empresa. Creio, entretanto, que dificilmente alguém com juízo empresarial queira investir em uma distribuidora cujo passivo aponta para uma liquidação.

> Eletrobrás é a tábua de salvação

A melhor solução, dado o alcance difuso das atividades da distribuidora, seria a Eletrobrás assumir o prejuízo antes que o choque mate quem o distribui, pois os curto-circuitos já são arcados pelo distinto usuário.

Clique aqui para ler o inteiro teor do fato relevante publicado pela Celpa na CVM (o arquivo requer leitor de PDF).

Comentários

  1. Rose Monteiro28/02/2012 22:38

    Ei Dr, e nós como ficamos...? rsrs

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    1. Olá Rose,

      Compremos velas...
      Não creio que a Eletrobras deixe o caldo entornar.

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  2. E os milhoes de reais arrancados dos consumidores? Quem vai pagar por isso?

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  3. Parsifal;

    Fui contra a privatização e sinceramente nunca vi melhorias depois disto. Ando nas calçadas olhando para cima, devido a muitos "remendos na fiação" - até na alta tensão. Energia no Pará... aí eu lembro uma frase engraçada pinçada numa coluna social... é "the end of the picade".

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  4. Parsifal,

    Sei que não é sua área, mas saberias me dizer pq as outras empresas da Rede Energia e a do Pará não? Logo o Pará, que tem a maior Hidrelétrica 100% Brasileira......estranho né?

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    1. Isto merece um estudo de caso. A Celpa já era deficitária (como a Cosanpa o é) quando foi privatizada, mas o Estado bancava a diferença e os investimentos.
      A UHT não pertence ao Pará e sim à União e a Celpa não compra energia da UHT, mas do Sistema Nacional de Energia. Como sempre foi deficitária não tem condições de arrematar e nem estocar energia a um preço menor que outras concessionárias de distribuição espalhadas pelo Brasil, inclusive algumas do Grupo Rede.
      Ainda, as linhas de distribuição da Celpa são mais extensas (devido à extensão territorial do Pará) e o rebaixamento (subestações) mais oneroso, porque precisam ser mais numerosos para manter a carga devido a distância das linhas.
      No Tocantins, por exemplo, o Grupo Rede gera (eles construíram uma hidroelétrica de pequeno porte) e distribui energia, não precisando comprar do Sistema Nacional: isto é uma sinergia fabulosa.
      Em outros estados, como Minas Gerais, há mais de uma distribuidora.
      A Celpa, também, não conseguiu diminuir os furtos de energia (veja postagem sobre o assunto
      aqui) o que lhe gera um deságio de quase 25% na distribuição (furto e perda na transmissão).
      Portanto, creio que seria leviano ajuizar que houve má administração: a empresa não deveria, talvez, ser privatizada da forma como foi, sem prever aportes de investimentos através da Eletrobras que, ao final, creio vai ter que arrematar algumas faturas agora.

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  5. A explicação é que o ICMS de 25% que o governo que tu apoias cobra, faz com que haja muito furto de energia neste Estado.

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  6. Deputado, faça um favor hoje para nós, ao avistar o Deputado Pastor Divino, pergunte a ele sobre as barbalhidades que o Ministério Publico descobriu na sua prestação de contas como exemplo: como pode o seu automovel ter tanque de gasolina que tem capacidade para receber 400 litros de uma só vez? Como ele consegue pagar sua empregada domestica com verba da ALEPA e as farras com dinheiro da ALEPA?. Nos informe sobre este fato, desde a semana passada que o Senhor esta devendo esta matéria.

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  7. Deputado,há muitos anos eu escutei do jornalista Joaquim Antunes uma denominação engraçada para a CELPA (Certeza de Escuridão nos Lares Paraenses)na época do Bolso do Repórter!eram muitos os apagões no Pará.Agora a Rede Celpa privatizada e os velhos problemas de gestão continuam.O que eu observo é a falta de maiores investimentos de RH para gerir micro localizações em todos os municípios do Estado,a coisa é muito centralizada.

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  8. É Parsifal, mas faltou dizer que pagamos uma das caras energias do país, para não dizer do mundo. Os furtos de energia como somos nós que pagamos a Celpa não esta nem ai para isto. está faltando é gestão nesta empresa.

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    1. O preço da energia é um só no Brasil todo e não é estabelecido pela concessionária de distribuição, mas pela União. O que muda de um estado para outro é o ICMS, que no Pará é de 25%, o mais alto do Brasil, mas isto não tem impacto na concessionária pois não é ela quem recebe o valor e sim o Estado.
      O Brasil não vende a energia mais cara do mundo, ao contrário, entregamos uma das energias mais baratas do mundo ao consumidor residencial. Temos a 4ª energia mais cara do mundo par ao setor industrial: os eletrointensivos principalmente.
      Quanto ao furto de energia, a Celpa, de fato, não tem conseguido diminuir: com 17,2% da energia distribuída, furtada, a empresa está em 5º lugar no Brasil em concessionárias que mais perdem energia por furto.
      Tenho tido sérias discussões com a Celpa (assim como todos os parlamentares), mas permita-me discordar de que “está faltado gestão”: o que ocorre na Celpa é que ela é deficitária desde a privatização e não conseguiu estabelecer fluxo de liquidez devido a uma série de fatores sobre os quais ela não tem comando.

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  9. Caro Deputado

    Concordo que o assunto mereça um estudo de caso, pois o que aparece é apenas a parte visível do iceberg. É um caso comprovado de péssima administração e desvio de finalidade.

    Vejamos alguns exemplos que podem melhorar conclusões e corrigir outras:

    1 - Foi feito um caixa único no Grupo Rede para pagar as contas de todas as empresas, devidamente aprovado pela ANEEL, mas penalizando apenas para a CELPA, que era a responsável pelas grandes despesas corporativas;

    2 - Por descuido e má gestão da banca de advogados do Jurídico Corporativo, a Celpa foi a única empresa do grupo Rede que perdeu a ação judicial do plano Bresser. Valor do acordo - perto de 400 milhões. O dono do grupo nunca engoliu o acordo que teve que fazer. Esfolar e falir a Celpa não é um mero acaso;

    3 - Decisões absurdas tomadas pela Gestão Corporativa - tudo centralizado em S.Paulo - Se o nobre Deputado quizesse mudar a ligação de um imóvel em Tucuruí do grupo B para o Grupo A, teria que vir em Belém para aprovar o projeto, todas as despesas por sua conta;

    3 - Contratação de empresas de fora do estado para tocar o projeto Luz Para Todos, com pagamento por km de rede feita e não da forma usual, com pagamento por poste implantado, gerando custos acima dos padrões. Há muitos comentários sobre superfaturamento etc e etc;

    4 - Utilização de campanhas de marketing feitas fora do estado por custos elevados, apenas para "dourar a pílula", basta rever a mída feita perto do Natal e Ano Novo, falando maravilha dos investimentos feitos no Pará - pura "balela para ingles ver", digo para paraense pateta acreditar;

    4 - A sinergia fabulosa citada por você, como exemplo de geração própria, para não comprar energia não mais existe e talvez apenas mais uma jogada de marketing - a parte do Grupo rede da usina de Lageado, construída no rio Tocantins, foi trocada pela rentosa Enersul - empresa distribuidora do Mato Grosso do Sul. Além disso, pela legislação do MAE - Mercado Atacadista de Energia, todo o produtor independente é obrigado a vender sua produção no mercado em leilões, não podendo usar para sí essa energia produzida.


    A privatização foi um bom remédio para todos. O governo do Estado passou a ser credor do ICMS ao invés de tirar de seu caixa os investimentos obrigatórios. A má sorte da Celpa foi ela ter sido vendida para um grupo inexperiente e predador. Lembro de um comentário jocoso ouvido de um funcionário sobre a atuação do grupo Rede - parece que agora um quitandeiro passou a administar um supermercado. Deu no que deu.

    Há muitos casos escabrosos a contar e poderia passar dias inteiros escrevendo os relatos ouvidos de muitos técnicos de alto gabarito, dispensados da Celpa, que conviveram com essa realidade e nada puderam fazer, alguns até apresentam os sintomas típicos das doenças do stress pelo que foram obrigados a aceitar.

    Exceto a Federalização, infelizmente não há saída a curto prazo pois dívida é muito grande e ninguém quer assumir uma empresa nestas condições.

    Enfim nobre Deputado, longe de mim querer lhe ensinar ou ditar rumos, apenas contribuir um pouco no seu vasto e reconhecido conhecimento. Sou seu eleitor e fã de sua atuação legislativa.

    Meu abraço fraterno,

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    1. Os pontos enumerados têm peso específico negativo na liquidez da empresa, mas não são o núcleo do problema, pois o regimento que procede à Celpa, no que tange as obrigações de distribuição, são os mesmos nacionalmente.
      Quanto ao Grupo Rede centralizar a contabilidade e descompensar a Celpa por conta desta centralização, este foi um dos pontos que eu bati, há dois anos, em uma audiência pública com a empresa. A presidência mandou-me um documento que comprovava que esta prática foi abandonada porque, exatamente, a Celpa é que sempre apresentando prejuízos descompensava a balança das demais empresas do grupo: foi exatamente aí que as dificuldades financeiras da empresa se avolumaram, pois o fluxo de caixa foi cortado.
      O caso de Lageado, mesmo com a venda da geração pelo Grupo Rede, que você observa, não deixou de ter fluxo positivo nas demais distribuidoras do grupo, já que a Enersul, como você indica, tem fluxo positivo, talvez podendo estocar energia comprada no atacado, o que a Celpa jamais pode fazer.
      Exceto a Celpa, não é possível concordar que o Grupo Rede se fez de quitandeiro em supermercado. Os números das demais empresas destituem esta afirmativa: o problema é a própria Celpa.
      Na privatização, feita com martelo e talhadeira, não se preveniram salvaguardas que poderiam evitar a bancarrota: tanto o Estado quanto a União lavaram as mãos. Foi uma venda pura e simples.
      Concordo, como já coloquei na postagem, que uma solução consequente seria a Eletrobras bancar a elaboração da recuperação judicial.

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  10. Célio Ramos29/02/2012 14:15

    Resumindo a históris deputado, mais uma vez vai sobrar pro "Zé Povão" pagar a conta,concorda? Eta Brasil "pai d'égua

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  11. Parsifal, penso que voce se equivoca quanto ao preço que a população paga. Não é igual no BRasil, pois os aumentos são diferenciados e com este tipo de aumento a energia não é o mesmo preço para todos.

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  12. Creio que não devo ter sido claro. Eu não afirmei que o consumidor paga o mesmo valor e sim que o preço da energia é o mesmo em todo o Brasil. O que diferencia o que o consumidor paga é o ICMS que é diferente de um estado para outro. Mas isto não tem relação com o preço da unidade de energia entregue pela distribuidora pois não é ela quem recebe o imposto e sim o estado.
    O preço do kw/h, nas respectivas escalas é um só no sistema de distribuição. Quando falamos que no Pará pagamos energia mais cara do Brasil, na verdade deveríamos dizer que pagamos o maior ICMS sobre energia do Brasil.

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  13. Caro Deputado Parsifal

    O preço da unidade de energia não é o mesmo no Brasil como vc afirma, mas é calculado por distribuidora com base em duas parcelas de custo, A e B, apresentado pelas mesmas à Agencia Reguladora a cada 5 anos. A ANEEL analisa e define a tarifa de cada uma delas.

    Outro detalhe: o imposto e os encargos setoriais são apenas parcelas dos custos. Há muitos outros gerenciáveis ou não.

    Considerando que os custos são diferentes em cada mercado, a tarifa é individualizada, portanto, diferente para cada uma delas. No site da ANEEL podemos encontar a tarifa praticada pelas distribuidoras.

    Lembre também que a distribuidora compra energia a preço de mercado nos leilões, adquirindo hoje a energia que será entregue meses à frente, havendo o risco de comprar bem ou mal, não só quanto ao preço, mas, também, quanto ao quantitativo.

    Acho positivo esse tipo de debate, principalmente no nível desinteressado e responsável em que é feito.

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    1. Mais uma vez não fui claro. De fato a definição não é simples. A ANEEL define as planilhas com custos relativos similares e não absolutos. Como as diversas distribuidoras têm realidades diferentes os custos unitários absolutos precisam ser diferentes para que o custo relativo seja igual, ou seja, tanto a Enersul quando a Celpa tem preços unitários similares dentro da realidade de cada uma, portanto não podemos colocar como elemento de peso específico considerável o que a distribuidora cobra no talão. Também não está correto, do ponto de vista conceitual, dizer que "pagamos a energia mais cara do Brasil", pelas razões já expostas.
      Esta discussão de preços e custos relativos da energia é a mesma dos transportes coletivos, cujas planilhas têm as mesmas grandezas e, dependendo da realidade local, haverá um preço diferenciado no final, todavia não se pode aquilatar este preço final como de diferença absoluta. Apenas de forma coloquial, e unilateral, se pode afirmar que a passagem de ônibus em Brasília é mais cara que em Belém.
      Grosso modo, a composição do ICMS, no caso do Pará, o mais alto do Brasil sobre energia elétrica, é que torna aquela afirmação um verdade inconveniente.
      Quanto a compra de energia, foi um dos pontos que observei na postagem: a Celpa deve comprar mais caro porque não tem liquidez para o atacado e nem para estoque e isto tem uma repercussão negativa no seu fluxo de caixa.
      O debate está ótimo. De vez em quando o blog chega aonde um dia eu gostaria que ele sempre estivesse.
      Eu não sabia, por exemplo, que o Grupo Rede alcançou a ENERSUL por Lageado: soube aqui.

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  14. Deputado procure saber como vai ficar o pagamento dos que recebem o Plano Bresser , que foram dispensados por ocasião da privatização e dependem desse dinheiro para sobreviver..?

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