A presidente Dilma, para quem aturar dengos de políticos é padecer num purgatório, prepara-se para o suplício de apaziguar os ânimos próximos à heliosfera dentro da geografia do seu próprio partido.
Os demiurgos do PT na Câmara Federal estão com todos os fios descascados: o líder do governo, Candido Vaccarezza (PT-SP), o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), depois de amargarem sucessivas derrotas do Planalto (todos queriam os lugares da senadora Hoffmann e depois, como consolação, o da ex-senadora Salvatti), se dizem desprestigiados e fazem veladas críticas à mão política da presidente.
O ex-presidente Lula, desde a sua última aparição no teatro incendiado por Palocci, resolveu distribuir simpatia em outras plagas e não quer gastar a sua beleza nas comezinhas alcovas do poder: limita-se a atender os telefonemas da presidente Dilma, a quem aconselha, e desconversa quando outros interlocutores o procuram para depositar lamentações.
A presidente reluta em seguir os conselhos de Lula e não quer ceder às comanditas, o que lhe estreita a volta do compasso.
Nestas alturas, acabou virando praxe atribuir a um dos deputados inicialmente citados qualquer foco de incêndio no governo.
Já se cochichou no Jaburu, residência oficial da vice-presidência, uma espécie de senadinho para onde acorrem os descontentes do PT e do PMDB, que a recente matéria da VEJA, reportando que o chefe dos aloprados que confeccionaram o falso dossiê contra Serra na campanha de 2006 era o atual ministro Mercadante, foi obra e graça de um dos quatro: os quatro, acusam-se entre si da autoria, pois salvo Arlindo e Maia, os outros não dormem no mesmo hotel.
Para completar a confusão, corre solto no Jaburu, e isto já vazou para a esplanada dos ministérios, que quando o ex-ministro Palocci saiu da Casa Civil levou consigo toda a memória das mais de mil nomeações já feitas pela presidência e os seus respectivos padrinhos, deixando a senadora Hoffmann e a ministra Salvatti sem saber quem é quem nas capitanias hereditárias.
Dizem que as duas senhoras estão o dia todo a ligar para os líderes partidários, assim meio como que não querendo entregar o jogo, pedindo informações.
Os líderes, todos passados na casca do alho, desconfiados da veracidade do boato, dizem que não se lembram e ainda aproveitam para reclamar de nomeações que não foram feitas.
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