Pular para o conteúdo principal

O último suspiro

tapete

Antes de apagar a luz, cuja conta já não paga, o Governo do Pará tenta uma oblíqua via para tentar remediar o que não preveniu no caso do empréstimo de R$ 366 milhões.

No afã da campanha eleitoral, o governo de Ana Júlia não obedeceu ao que a Lei Estadual nº 7424/10 determinava quanto à aplicação do dito empréstimo.

Agora, para tentar se livrar do que fez errado, ajuizou, no Supremo Tribunal Federal, Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o artigo 6º e anexos I e II da referida lei: os dispositivos legais que determinam a forma de aplicação do empréstimo.

Imaginam os feiticeiros do governo que, em logrando sucesso no STF, ratificada ficará a malversação praticada. Buscam na Suprema Corte uma espécie de anistia jurídica para a não observação de uma legislação a qual estavam obrigados, imaginando que uma decisão favorável manterá a sujeira varrida para baixo do tapete.

Alega o governo que o projeto de lei, por ser de iniciativa do chefe do Executivo, não poderia sofrer alteração por emenda parlamentar, mormente em se tratando de aumento de despesa pública.

O governo tergiversa na peça: não há sustentação constitucional no argumento primeiro. Os projetos de iniciativa exclusiva do Poder Executivo, como é o caso em tela, podem ser emendados por iniciativa parlamentar.

A segunda razão do governo é verdadeira, todavia, a asserção é falsa: a emenda não pode aumentar despesa pública, mas, a despesa não foi aumenta em um centavo. A emenda apenas a vinculou, determinando a forma de aplicação.

Portanto, tudo o que o governo pretende é labutar pelo deferimento da medida cautelar pedida, para, enquanto durarem seus efeitos, a governadora não ser alvo de ação de improbidade administrativa por desobediência à Lei Estadual nº 7424/10.

Pelo que mais não seja, não deverá Ana Júlia escapar da ação, pois, mesmo que o dispositivo questionado fosse inconstitucional, o governo estava obrigado a obedece-lo enquanto o STF assim não o declarasse.

Vemos aí a chula, mas clássica, situação do se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

É uma das últimas, senão a derradeira, poção mágica que os feiticeiros que danaram Ana Júlia, tentam elaborar para remediar a péssima alquimia que eles lhe derramaram garganta abaixo, a título de ser o elixir que lhe faria vencer a eleição.

Nunca na história do Pará houve um governo com auxiliares tão desastrados.

Comentários

  1. Prezado Parsifal:
    Iniciei um pequeno blog.
    Convido-o para uma visita em http://mklautau.blogspot.com
    Fiz uma postagem inicial agora.
    Depois, Você, que é mestre no assunto, me diz o que achou, ok?
    Obrigado.
    Um abraço
    Marcos Klautau

    ResponderExcluir
  2. Vamos ter emenda parlamentar financiada pelo BNDES para pagamento em 30 anos. So no fim do mundo chamado Pará.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.

Postagens mais visitadas deste blog

Parsifal

Em uma noite de plenilúnio, às margens do Rio Tocantins, o lavrador pegou a lanterna e saiu correndo de casa à busca da parteira. Sua mãe, uma teúda mameluca, ficou vigiando a esposa que se contorcia com as dores do parto. Quando voltou com a parteira, o menino já chorava ao mundo. Não esperou: simplesmente nasceu. A parteira cortou o cordão umbilical e o jogou ao Rio Tocantins. Após os serviços de praxe de pós parto, a mãe de Ismael o chamou ao quarto para ver o filho. O lavrador entrou no quarto. A lamparina o deixou ver a criança ao peito da mãe: nascera Parsifal, pensou ele orgulhoso. O lavrador pegou uma cartucheira calibre vinte, carregou o cartucho ao cano, armou e saiu à porta. O Tocantins espreitava-lhe manteúdo. Apontou a mira da vinte à Lua e disparou: era assim que os caboclos do baixo Tocantins anunciavam a chegada de um homem à família.

Mateus, primeiro os teus

Convalescendo da implantação de um stent , o governador Simão Jatene (PSDB-PA) foi apanhado, ainda no Hospital do Coração (SP), na manhã de ontem (03), por uma desagradável matéria da “Folha de S. Paulo” reportando que “ao menos sete familiares, além da ex-mulher e da ex-cunhada” de Jatene exercem cargos de confiança no Executivo, no Legislativo e no Judiciário do Pará. A reportagem declara que, somados, os salários dos familiares do governador “ultrapassam R$ 100 mil mensais”. > Sem incidência de nepotismo As averiguações já foram matérias em blogs locais. Quando me foi perguntado se feriam a Súmula 13 do STF (nepotismo), opinei que não, o que foi agora ratificado pela reportagem da “Folha” que, ouvindo “especialistas” declarou que os “casos não se enquadram diretamente na súmula vinculante do STF”. Nenhum dos parentes ou afins relacionados pela “Folha” está a cargo de órgãos vinculados ao executivo estadual e a matéria não demonstra a existência de cargos ocupados, no Poder...

Deputado Alessandro Novelino, assessor e piloto perecem em acidente aéreo

O Corpo de Bombeiros sobrevoou, de helicóptero, a área onde foram encontrados os destroços da aeronave bimotor Sêneca, de propriedade do deputado Alessandro Novelino (PMN), e lá desembarcou, através de cabos, dois policiais da corporação, que confirmaram não haver sobreviventes. Os corpos das três pessoas que estavam na aeronave foram localizados a certa distância dos destroços: o piloto da aeronave, Roberto Carlos Figueiredo, o deputado Alessandro Novelino e seu assessor parlamentar, José Augusto dos Santos. Os corpos já foram transportados, pelo Corpo de Bombeiros, para Belém e estão no Instituto Médico Legal Renato Chaves, que depois dos procedimentos exigidos os entregará às respectivas famílias. O Sêneca decolou às 8h30m de hoje (25) do aeroclube do Pará, com destino à fazenda do deputado no município de Tomé-Açu. Após 18 minutos de voo desapareceu do radar. No final da manhã os destroços da aeronave foram localizados em uma área, sem acesso por terra, no município do Acará. ...