06/01/2016

O certo é sempre a alternativa entre o difícil e o fácil

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A presidente Dilma e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, anunciaram que está no prelo um documento que afivela os cintos da “política econômica pós-Levy”, que deverá ser austeridade fiscal com pitadas de liquidez no mercado, sem os malabares cosméticos do primeiro governo.

Esse tempero, se a política permitir - os políticos se têm comportado como a criança que não se alimenta devidamente, porque só aceita guloseimas -, poderá ser o início de uma recuperação econômica sustentável.

Mas o PT, ao achar que tudo não passa de distúrbio psicológico, prefere, ao remédio certo, placebos e, em contraponto ao documento do governo, apressou-se em entregar ao ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, a receita partidária para a economia, repudiando o ajuste fiscal.

Sorvete de creme com calda de caramelo quente é muito mais apetitoso do que salada verde, mas o PT precisa entender que o governo tem que fazer regime ou ambos serão pacientes de redução de estomago.

O jornal “O Globo”, em editorial de ontem (5), insurgiu-se contra mais essa tentativa de sabotagem política no acerto que o Brasil precisa fazer com as suas contas.

De fato, o documento petista é insensato ao sugerir táticas que sempre critico aqui. Quando governos (todos) não conseguem pagar as despesas, ao invés de cortarem acessórios desnecessários – e há muitos – optam por aumentar impostos ou pedir dinheiro emprestado.

O PT sugere os dois e até diz na porta de quem o Brasil tem que bater com o chapéu na mão: da China.

A China aceitaria um pedido de empréstimo, pois está com a economia resfriada e possui reservas que precisam render mais do que inversões internas ou externas, mas os juros a serem cobrados, devido ao aumento dos nossos riscos, pelo rebaixamento sofrido das agências internacionais, serão mais altos, ou seja, cairemos no paradoxo do buraco, que mais aumenta quando mais dele se tira terra.

O Globo encerra o editorial com uma sentença que resume a opção entre o caminho certo e o caminho fácil, ao opinar que o documento do PT “confirma a conhecida síndrome segundo a qual um modelo errado precisa ser repetido tantas vezes quantas forem necessárias para que enfim funcione”.

Eu faço um reparo na asserção: um modelo errado nunca vai “enfim” funcionar, enquanto permanecer errado.

Por isso, repiso o que tenho repetido sem rodeios: alguém precisa salvar o PT de si mesmo, ou salvar a presidente Dilma, do PT. E não discordo quando alguém completa: “do PT, do PMDB, do PTB, do PP, et caterva”.

Para ler o editorial do Globo clique aqui.

4 comentários:

  1. Penso que o mundo econômico de um só modelo está no fim, os recursos naturais que alavancaram esse modelo já se esgotaram há muito...qual o modelo econômico que substituirá a este, não sei! Mas virá ou vamos todos pra cuia.

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  2. " No hay verdad en las palavras de los extranjeros"

    (Profecia de Chilam Balam, que era cantor na antiga Maní)

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  3. Porra...se valer de editorial do O Globo o FHC se valeu e levou o Brasil a mierda...

    Conta outra.

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  4. o artigo não mostra o documento do pt, infelizmente. Quanto a pedir emprestimo a china, penso ser uma boa ideia, mas claro que depende da negociação.
    Penso que o brasil deve lembrar aos chineses que tem aceitado muitos imigrantes. Há semanas atras li que em sao paulo a maioria dos bebes que estão nascendo são filhos de maes chinesas, será verdade
    Se por bem a china não quizer conceder emprestimos com juros amistosos, camaradas, uma ação forte da policia federal no submundo chines em sao paulo pode contribuir muito, penso.

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