01/10/14

Sem pegada, sem amor

Os dois maiores veículos de comunicação do Pará, “Diário do Pará” e “O Liberal”, viscerais adversários comerciais ad perpetuam rei memoriam e de posições políticas antagônicas, dedicaram as suas manchetes de capa ao debate de ontem (30), último da campanha desse 2014.

O “Diário do Pará” aproveitou a denúncia do candidato Elton Braga (PRTB) de que o filho do governador Jatene seria proprietário de uma rede de postos de combustível e que o estado seria um dos clientes dos referidos postos.

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“O Liberal” encapou manchete na qual afirma que Simão Jatene teria mostrado o “fracasso de Helder Barbalho como prefeito”.

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O debate, extremamente engessado, entubou os candidatos, que mal podiam trocar a perna de apoio ao corpo ereto por trás da tribuna, foi tépido e sem lances que pudessem catalisar influência eleitoral ou utilidade de voto. 

Alguém precisaria dizer aos marqueteiros, embora eles não tenham ouvidos além das suas pesquisas qualitativas, que sem pegada não há amor que dure.

Drops de vacínio

> Suíços não querem sistema público de saúde

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No domingo (28), os eleitores suíços, em plebiscito, recusaram a criação de um sistema de saúde pública que terminaria com o atual sistema de saúde privado obrigatório que, segundo os defensores da iniciativa seria até US$ 372 milhões mais barato por ano.

Os defensores do não, todavia, venceram a parada alegando que a Suíça tem um dos sistemas de saúde mais bem-sucedidos do mundo e por isso deve mantê-lo como está.

> O dito pelo não dito

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O ator norte-americano Mark Ruffalo, que interpretou Hulk em “Vingadores”, gravou um vídeo de apoio à candidatura de Marina Silva (PSB), que foi divulgado nas redes sociais no último domingo.

Rufflalo derramou elogios a seringueira, dizendo, dentre outras alvissaras, que ela é uma das “mais interessantes e animadoras pessoas no cenário político mundial, hoje em dia”.

Mas ontem (30), após tomar conhecimento que Marina é contra o casamento gay e os direitos reprodutivos da mulher (aborto), Ruffalo gravou outra declaração retirando o apoio:

“Eu não posso, em sã consciência, apoiar um candidato que tem uma abordagem dura em relação a questões como o casamento entre homossexuais e os direitos reprodutivos, mesmo que o candidato esteja disposto a fazer a coisa certa sobre as questões ambientais”.

O fato não trás traz prejuízos eleitorais à campanha de Marina, mas é um índice de que uma campanha majoritária dificilmente resiste a sectarismos, em uma sociedade ocidental cada vez mais pragmática e desincrustada de dogmas.

> Presidente da OAB-DF teve surto de idiotice

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O ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, requereu à OAB-DF a reativação da sua carteira de advogado. O presidente da entidade, Ibaneis Rocha, deu parecer negando o pedido, alegando que Barbosa não atende ao requisito de "idoneidade moral" exigido para ter o registro da OAB deferido.

Ibaneis vai mais longe na sandice, ao fundamentar a falta da tal "idoneidade moral" de Barbosa, no fato dele ter demonstrado, em várias ocasiões, como presidente do STF, “desapreço à categoria”, ou seja, o danado confunde moral com destempero ou desapreço.

A decisão de Ibaneis será apreciada pela comissão de seleção da OAB-DF, que, espero, tenha de mais o que o seu presidente tem de menos: juízo.

30/09/14

Atitude e superação

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A frase foi cometida, na semana passada, durante uma palestra sobre astrofísica no Festival Starmus, em Tenerife, nas Ilhas Canárias.

Mesmo portador de uma Esclerose Lateral Amiotrófica, que lhe furtou todos os movimentos, atrofiando-lhe os membros, Hawking, o autor do best-seller “Uma breve história do tempo”, é um dos mais consagrados cientistas da atualidade. Consegue falar com dificuldade, mas cada frase é uma tese e sabe como ninguém fazer piadas com a ciência que domina.

Dentre os títulos que possui, o de mais valia é o de ter sido professor lucasiano da Universidade de Cambridge, cadeira criada pelo rei Carlos II em 1664 e ocupada por luminares da ciência como Sir Isaac Newton, que dispensa referências, e  Charles Babbage, que originou o conceito de um computador programável.

Atualmente, Hawking é diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge.

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O Pó dela, em três atos

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O jornal “O Liberal” em frontal desobediência à ordem emitida pelo juiz eleitoral Marco Aurélio Castelo Branco, e alegando não ter sido notificado a tempo, publicou, em uma bizarra edição dois em um de sábado e domingo, a pesquisa do Ibope, impugnada pelo juízo eleitoral, que nela viu indícios preliminares de fraude.

A decisão judicial foi publicada, pelo TRE-PA, ainda na noite de sexta-feira e a TV Liberal foi oficialmente notificada na mesma sexta-feira, às 22h47m, o que a impedia judicialmente de publicar a pesquisa, independentemente dos veículos, jornal e TV, terem pessoas jurídicas distintas: a contratante não poderia ceder a publicação a outrem, sob pena de burlar a ordem judicial, o que foi feito.

Por óbvio, destarte, e além da multa de R$ 1 milhão, o artifício constituiu crime de desobediência a ordem judicial, mas nas democracias impúberes como a nossa, há aqueles que obedecem determinações judiciais e aqueles que não prestam atenção nela.

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Um vendedor ambulante chegou à cidade com a notícia de que na próxima ida teria um produto comestível inédito e espetacular, que estava vendendo antecipadamente com um desconto. O nome do produto era “Pó dela”.

Encantado com a conversa, um comerciante comprou uma lata e esperou ansioso para degustar o produto.

O ambulante chegou em casa, juntou as próprias fezes e deitou-as a secar ao sol. Uma vez secas, moeu-as e, transformando-as em pó, enlatou-as.

Quando chegou à cidade foi entregar o prometido produto ao comprador que, incontinente, abriu a lata, colheu um tanto do pó em uma pequena colher e saciou a curiosidade gustativa.

Tão rápido quanto espalhou o pó pela boca, cuspiu-o fora, ao sentir o gosto, exclamando indignado:

- Isso são fezes!!

Ao que, na mesma pisada, retrucou o ambulante:

- Não! É o “Pó dela”!

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Os dois primeiros atos se encontram cá no terceiro, a moral da história: quando “O Liberal” publicou a pesquisa do Ibope, transformou a Justiça Eleitoral paraense no “Pó dela”.

Como escreveu o Gilberto Dimenstein, ao tratar sobre o brasileiro, “somos uma nação de espertos que reunidos, forma uma multidão de idiotas.”.