27/08/15

Tráfico de roteiros na Globo

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A corrupção não é uma prerrogativa de políticos e nem viceja apenas nos campos do erário.

A sonegação de impostos, cujos valores anuais fazem dos desvios da Petrobras mero troco e as diversas faces do jeitinho brasileiro, que vai desde furar filas, passando por subornar o guarda e sustentar a indústria pirata de todo gênero, somados, ultrapassam o PIB da Argentina.

Ontem, a Folha de S. Paulo, em matéria de Chico Felitti, reportou mais uma das muitas que corroboram a máxima de que ninguém vira corrupto porque se elege: já era antes e foi eleito.

Diz a matéria que dentro da Globo há um mercado negro que há muito é praticado no seu maior estúdio de gravação de novelas, o famoso Projac, que é o furto e a venda de roteiros de novelas, por funcionários que trabalham na emissora.

Como onde há corruptos há corruptores e para todo furto ou roubo há receptadores, quem recepta os roteiros furtados são revistas e sites afins, que pagam de R$ 1 mil a R$ 3 mil pelos papéis e os usam para confeccionar matérias de como será o desenrolar da trama.

Conta Felitti, que foi ao Rio de Janeiro fazer a matéria, que um técnico da emissora confessou, com um certo ar de vantagem, pedindo anonimato, é claro, que “que repassa os roteiros há cinco anos” a um receptador externo que cuida da negociação do material com os receptadores".

A reportagem também declarou os nomes dos principais receptadores: a revista "Tititi", da editora Caras e o site "Notícias da TV", hospedado no portal UOL, que pertence ao Grupo Folha.

A Globo esclareceu à reportagem que "os funcionários sabem que não podem divulgar ou comercializar informações internas da emissora, a prática fere o contrato empregatício e é passível de demissão por justa causa".

Muy amigos

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O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa (esquerda) e o doleiro Alberto Youssef chegam à Câmara Federal, para acareação na CPI da Petrobras, na terça-feira, 25, quando Youssef inaugurou a delação premiada por cotas, ao afirmar que sobre o ex-minsitro Antonio Palocci há outra delação em andamento e "o Brasil saberá em breve".

Quem viver verá…

Tropeçando nos próprios pés

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Em uma palestra, na terça-feira (25), para 800 empresários do setor varejista, em São Paulo, o ex-presidente FHC declarou que, apesar de “não haver lideranças políticas capazes de criar soluções, o Brasil não está em um beco sem saída”.

Sobre o atual momento, FHC opinou que “todos são responsáveis pela crise política que o Brasil atravessa” e, para surpresa da audiência, já que o PSDB é o principal portador da baladeira, apontou que "a solução não é jogar pedra na presidente Dilma Rousseff”.

O ex-presidente tem alternado momentos antagônicos na labuta que o seu partido trava com o governo. Dias antes de recomendar enfiar a baladeira no bolso e as pedras no embornal, ele afirmou que a presidente Dilma “deveria renunciar”.

A propósito, essa sugestão foi dada por Lula a FHC, em 1999, quando o ex-presidente tucano atravessava uma crise similar a essa que Dilma vive. Mas o próprio PSDB não mais se lembra disso, antes porque, como disse Nietsche, “a maior mentira é aquela que contamos a nós mesmos”.

Quando foi questionado sobre a falência do sistema político, FHC foi cínico: culpou Lula, Collor e Sarney. Para que o cinismo fosse casual, ele deveria retroceder a Deodoro da Fonseca, passar pelos seus dois governos e terminar em Dilma Rousseff, já que o reducionismo da sua síntese juvenil se restringiu ao presidencialismo.

Mas é certo que o núcleo da sustentação é correto no momento em que afirmou que “esse arranjo político não está satisfazendo o País”, que é ao que eu me referi aqui quando tratei da falência do presidencialismo de coalizão.

Isso é tão factual que nos deparamos com cenas como a protagonizada por FHC, que não consegue direcionar o seu próprio partido, no guidom da oposição.

Quando tanto o governo quanto a oposição não conseguem acertar o passo, é sinal que o arranjo político do Brasil chegou à completa fadiga de material.

Já está passando da hora do eleitor começar a tomar alguma providência: tem eleição ano que vem…

26/08/15

Juízo catequético e apuração seletiva

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O “extremamente grave”, mesmo, é que o ministro Gilmar Mendes usa uma métrica bêbada na sua medida, ao arrotar exação apenas nas contas de campanha da presidente Dilma Rousseff.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) declarou nas suas contas de campanha de 2014, ter recebido, pelo menos, R$ 20 milhões de seis das nove empreiteiras apanhadas na Lava Jato.

São elas: Odebrecht, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.

As mesmas empreiteiras doaram à campanha da presidente Dilma Rousseff e é esse o motivo do pedido de investigação do ministro Mendes, que deve achar que o dinheiro doado pelas indigitadas, quando foi à conta de Dilma Rousseff, lá chegava cheio de pecados, mas aquele pago à Aécio Neves passava antes pelo purgatório, de onde saia igual a Virgem Maria: sem pecado original.

O juízo de Mendes, pelo visto, além de catequético, não é erga omnes, mas erga singulum.