30/10/14

Lula lá, de novo?

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Durante o primeiro turno da eleição presidencial o ex-presidente Lula foi tímido na campanha da presidente.

No segundo turno, quando Aécio Neves ameaçou a reeleição de Dilma, Lula foi chamado à lide. Mas não entrou incondicionalmente: exigiu que o marqueteiro João Santana imprimisse o suor das ruas na propaganda eleitoral e que a presidente, que na TV mais parecia a âncora de um jornal noturno, partisse rumo a jugular do adversário. Lula, ainda, sugeriu que o antipático Aloizio Mercadante mergulhasse, pois era fator oxidante na campanha.

Aceitas as sugestões Lula correu terra, misturou-se ao povo e alavancou Dilma à uma vitória que já lhe escapava pelas tabelas.

No final do domingo, já degustando o doce sabor da vitória, Lula, ao ser indagado por um jornalista o que ele pretendia fazer em 2018, respondeu que pretendia “estar vivo”.

A senha, segundo interlocutores chegados, é que isso significa que ele pretende ser candidato à sucessão de Dilma, estendendo por mais 4, ou 8 anos, o lulo-petismo no Brasil.

Em 2018 Lula terá 73 anos. O PT identifica nele a mais alta probabilidade para manter a presidência, por isso, defende-lhe uma participação ativa na condução política do segundo governo de Dilma Rousseff, na tentativa de evitar que ela repita os erros cometidos no primeiro, encerrando o mandato em condições que não impeçam o partido de pleitear a volta do fundador.

Dilma, por seu turno, em entrevista concedida na terça-feira (28), ao responder sobre o futuro de Lula, não titubeou: “o que o Lula quiser ser, eu apoiarei".

Na bipolaridade biliar em que se transformou a política nacional, a metade menos um do Brasil treme de raiva, e a metade mais um se regozija, pois, independentemente de ser por apenas mais um, como sói dizer, nas democracias presidencialistas quem vence leva tudo.

29/10/14

Obama pelo avesso

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Justiça italiana nega extradição de Henrique Pizollato

Em 04.02.2014 Henrique Pizollato, ex-diretor do Branco do Brasil, condenado no mensalão e foragido da Justiça, foi preso na Itália sob a alegação de porte de passaporte falso.

Comentado a prisão de Pizollato postei:

“O Brasil deverá requerer à Itália a extradição de Pizollato, alegando a sua condenação no Brasil, o que dificilmente será concedido, pois além de ser um cidadão italiano será missão impossível ao Brasil demonstrar que as prisões nacionais respeitam os padrões de diretos humanos exigidos pela Comunidade Europeia, da qual a Itália é membro.”

Ontem (28), a Corte de Bolonha negou o pedido de extradição feito pelo Brasil e colocou Pizollato em liberdade. 

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Além da preliminar de cidadania italiana, no mérito, o advogado de Pizzolato desancou as condições sub-humanas das prisões brasileiras, o que desautorizava a extradição, por ferir o tratado entre os países envolvidos.

O golpe de misericórdia na pretensão do Brasil foi a exibição, pela defesa, de um vídeo mostrando o presídio de Pedrinhas (MA), cujas imagens de detentos decapitados correram o mundo e chocaram a Corte.

Do indeferimento cabe recurso à Corte de Cassação de Roma, a suprema Corte italiana, mas dificilmente a sentença de Bolonha será retificada.

Esgotados os recursos na seara da extradição, o governo brasileiro ainda pode pedir que Pizollato cumpra a pena na Itália, o que, idem, é de remota possibilidade factual.

28/10/14

Francisco: um papa darwinista

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A fala do sumo pontífice arreda o criacionismo, teoria defendida pela Igreja Romana há séculos, e recepciona Darwin, cuja teoria da evolução, narrada em “A Origem das Espécies”, inaugurou – às turras com a Igreja Romana - o darwinismo, aceito hoje pela ciência como uma espécie de bíblia do processo evolutivo.

Ao recepcionar Darwin Francisco coloca roupa nova no primeiro Livro da Bíblia, o Gênesis, que apresenta a criação de um homem pronto e acabado.

No mesmo discurso, proferido ontem (27) na Pontifícia, veio a releitura do Gênesis: “Deus criou os seres humanos e deixou que eles se desenvolvessem de acordo com as leis internas que ele deu a cada um para que eles cheguem ao seu cumprimento”.

A ironia é que Francisco proferiu a fala na inauguração do busto de bronze do papa emérito Bento XVI, um dos doutores da Igreja Romana que defende o criacionismo.

Embora a fala de Francisco não tenha a prerrogativa de mudar o dogma (para isso seria necessário um concílio) ele repete Pio XII, que já era simpático a uma leitura do Gênesis com as vestes de Darwin, e ratifica João Paulo II, que sugeriu que a “evolução era um fato efetivamente comprovado”.