24/08/16

De candidatos e crianças

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Durante um comício no Colorado, o candidato republicano Donald Trump tentou a tradicional pose de segurar bebes no colo para a foto, mas a criançada estrebuchou, estragando o filme.

Parece que os bebês conhecem com quem não se devem meter.

23/08/16

Pulando capítulos

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O bastidor do arranca togas ocorrido ontem (23) no STF, em virtude do vazamento da citação do ministro Toffoli na proposta de delação de Léo Pinheiro, que eu soube ontem mesmo, e foi assunto da primeira postagem de hoje, tornou-se público hoje.

A imprensa trouxe mais elementos: disse Mendes que o vazamento que atinge Toffoli teria sido um “acerto de contas de procuradores porque Toffoli os teria contrariado ao mandar soltar o ex-ministro Paulo Bernardo e fatiado a investigação sobre a senadora Gleisi Hoffman (PT/PR) na Lava Jato”.

Como eles (procuradores) estão com o sentimento de onipresentes decidiram fazer um acerto de contas. Decidiram vazar a delação. Se é isso, temos que prestar muita atenção. Há o risco de se tornar algo policialesco”, declarou Mendes, segundo matéria da Folha de S. Paulo.

gmIndependentemente das razões que, por suposto, teriam levado os procuradores que atuam na Lava Jato a, segundo as palavras de Mendes, “vazarem” termos protegidos por sigilo legal, não há aí um mero risco do caso de tornar policialesco e sim já há um caso policialesco.

E qual é o caso? Um ministro do Supremo Tribunal Federal acusa os procuradores da República, que atuam na Lava Jato, de cometerem um ato criminoso, qual seja, vazar termos carimbados como confidenciais e que eles tinham, por dever funcional, de proteger.

Eu sempre digo que é possível combater o crime e fazer justiça respeitando todas as vírgulas do processo, pois se uma só delas for atropelada, a autoridade que o fez, seja lá por quais razões forem, pelo menos em gênero, iguala-se ao criminoso que quer condenar.

E quem se coloca a pular páginas, acaba pulando um capítulo inteiro, sempre sob a justificativa de que quer acabar logo de ler o livro.

Francamente falando

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A comunidade rural de Vila Nova, em Joinville, no estado de Santa Catarina, espalhou placas de aviso por todo o perímetro do seu território, com a acima postada.

Os motivos da atitude estão claros nos outdoors, assim como as consequências de quem não se acautelar.

À noite, todos os gatos são pardos

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A Veja publicou que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, está no menu de delação premiada do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que relatou, aos procuradores, um encontro que teve com o dito ministro, no qual esse lhe pediu uma inspeção e apresentação de solução em obras de engenharia na sua residência em Brasília.

Pinheiro enviou uma equipe de engenheiros à residência de Toffoli, que “constatou as avarias, relatou que havia falhas na impermeabilização da cobertura e sugeriu a solução”.

De posse do laudo e da solução elaborados pela OAS, Toffoli teria contratado uma empresa para executar a obra e pagado, do próprio bolso, os custos decorrentes.

Se o vazamento tivesse apanhado algum político, pipocariam repercussões, mas no caso tintas foram poupadas, afinal, se Toffoli pagou pelo serviço, “onde está o crime?”.

Esta mesma pergunta o STF se fez, indignado, ao tratar o vazamento. Contam as paredes da Corte que a apoteose do arranca togas foi quando o ministro Gilmar Mendes acusou e apelou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que colocasse rédeas nos procuradores, pois “são eles os vazadores”.

Os apupos de Mendes fizeram Janot anunciar, ontem (22) à tarde, a anulação do acordo de delação com Pinheiro, o que é uma impropriedade, pois o réu, único, in casu, prejudicado, é também o único que não tem interesse nas goteiras, eis que assinou termo de confidencialidade lavrando que elas anulariam o acordo. Isso, aliás, todos os outros delatores assinaram, houve vazamentos, e a cláusula jamais foi executada.

O episódio ilustra a diferença de tratamentos entre demiurgos e mortais, pois centenas de vazamentos ocorreram na Lava Jato e não se fez escarcéu. Ainda, é cínica a pergunta referente de “onde está o crime, já que o ministro pagou a empresa que executou os serviços”.

Não se sabe se há crime, mas se sabe que há notícia de um, pois, afora não se saber se o encontro entre Pinheiro e Toffoli se deu quando aquele já era investigado, há o delatado deslocamento de uma “equipe de engenheiros” da OAS, que “constatou avarias e sugeriu solução”.

Se os serviços dessa equipe de engenharia não foram pagos por Toffoli, à OAS, aí está uma notícia de crime a ser investigada, pois um ministro do STF não poderia receber tal vantagem pecuniária.

Se a notícia não for devidamente investigada, o ex-presidente Lula está quite, pois, as vantagens que dizem que ele recebeu para as reformas de um apartamento e de um sítio que ele diz que não são dele, idem, não merecem investigação em nem constituem crime.

Só resta agora a imprensa, o STF, e o público em geral, exclamarem: ah, mas o caso do Lula é completamente diferente!!

Tudo bem, mas vamos investigar, para ver se à luz do dia diferem as cores, pois assim, no escuro, os dois gatos são pardos.