10/02/16

Para que não te esqueças que és pó

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Lavra o Antigo Testamento, no livro de Jó, que “os homens se cobriam de cinzas para exprimir sua dor e humilhação”.

Quando a Igreja Católica adquiriu poder temporal, no primeiro dia da Quaresma os pecadores, ou penitentes, se apresentavam ao bispo, ou penitenciário (daí a designação de penitenciária à casa de detenção que serviria para os delinquentes purgarem os seus crimes) e pediam perdão pelos seus pecados.

Os penitentes se apresentavam ao bispo vestidos com um saco e com a cabeça coberta de cinzas, que representava a consciência da mortalidade, pois está escrito que "Memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris”, no vernáculo “Lembra-te, homem, que és pó e ao pó retornarás”.

Mais tarde, um dos mais sábios membros da Igreja, Santo Agostinho (para mim só superado por São Tomás de Aquino), tornou a cerimônia das cinzas uma obrigação para todos os cristãos, pois, segundo ele, todos somos pecadores.

A quarta-feira de cinzas, portanto, é o dia em que nos devemos prostrar aos pés do Criador e pedir perdão pelos nossos pecados (e pelos excessos da folia), com a cabeça coberta de cinzas, para que jamais esqueçamos que somos pó.

Como não mais é costume cobrir a cabeça com as cinzas, o celebrante, com o dedo polegar envolto em cinzas, faz o sinal da cruz na testa do penitente, que só pode lavar a cinza após o meio dia, daí porque o feriado do carnaval termina ao meio-dia da quarta-feira.

08/02/16

Consultoria internacional opina que Lula "não representa mais um candidato viável para 2018".

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Enquanto o presidente nacional do PT, Rui Falcão, declara que, em entrevista à Bloomberg, que “o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o plano A do PT para as eleições de 2018, e que não há plano B”, a consultoria Eurasia Group, em seu mais recente paper aos assinantes, relata que o líder petista "não representa mais um candidato viável para 2018".

E Eurasia, uma das mais respeitadas consultorias de conjuntura política internacional do mundo, baseada em pesquisas de opinião e análises de conjuntura, relata que “em agosto de 2005, no início do mensalão, 49% consideravam o ex-presidente um político honesto. Agora, esse número caiu para 25%".

O relatório destaca que a Justiça e imprensa brasileiras, que investiga e repercute as investigações da operação Lava jato, praticamente esgotadas as demais vertentes das investigações, moveram as baterias em direção à Lula, por conta de propriedades supostamente adquiridas de forma fraudulenta.

Sugere a Eurasia que as “as dificuldades legais de Lula representam um sério e imediato desafio para o governo Dilma", e opina ao final que "as chances de o PT se manter no governo, na próxima eleição, são extraordinariamente baixas".

No relatório "Top Risks 2016", a Eurasia coloca o Brasil como o oitavo dos dez maiores riscos de 2016. Abaixo a lista, em ordem decrescente:

1. O esvaziamento da aliança transatlântica entre EUA e Europa
2. O fechamento da Europa em si mesma
3. O impacto da desaceleração da China
4.  A ameaça do Estado Islâmico e seus "amigos"
5. Discórdia e instabilidade na Arábia Saudita
6. A entrada de atores importantes do mundo tecnológico no mundo político
7. Líderes imprevisíveis como Vladimir Putin e Taryp Erdogan
8. Crise no Brasil
9. Menos eleições em mercados emergentes
10. Turquia

05/02/16

Grupo de trabalho da ONU afirma que a prisão de Julian Assange é arbitrária, mas ele não está preso

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O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária, vinculado à ONU, analisando um pedido do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que se encontra homiziado na embaixada do Equador em Londres há cinco anos, declarou que a “detenção de Assange é arbitrária e que ele deve ser posto em liberdade”.

As decisões do referido grupo, composto por juristas de vários países, não são vinculantes e não têm soberania sobre nenhum país, mas balizam decisões internas.

No caso de Assange, todavia, o grupo de trabalho equivocou-se juridicamente ao atentar exclusivamente à tez política do caso.

Assange não está preso e nem detido, nem por Londres e nem pela Suécia. O que há é um pedido da Justiça sueca à Justiça britânica para prender e extraditar Assange, que responde por crime de estupro na Suécia.

A prisão não foi efetuada até hoje, pois Assange, ao saber da expedição do mandado de prisão, exilou-se na embaixada do Equador em Londres, onde a soberania britânica, ou quaisquer outras, à exceção do próprio Equador, por império de direito internacional, não tem jurisdição.

A polícia britânica, desde então, vigia a embaixada do Equador, para cumprir o mandado judicial assim que Assange deixar a embaixada, que embora no centro de Londres, é território equatoriano.

Tanto a Suécia quanto o Reino Unido rejeitaram a decisão do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária por não lhes caber a indicação, já que Assange não está detido por nenhum dos dois países, e reiteram que mantêm o ânimo de cumprir as decisões judiciais tomadas pelas justiças locais.

Assange, afastados os escaninhos do WikiLeaks, é um foragido da Justiça sueca, uma democracia consolidada, auto exilado na embaixada do Equador em Londres, outra democracia consolidada, e tomou a decisão por achar que isso seria marketing positivo para si mesmo, insistindo em estabelecer um elo entre a ação criminal que responde na Suécia e a sua ação política no Wikileaks, o que não tem senso e nem nexo.

Já que ele afirma ser inocente no caso sueco, que não se furte: saia do exílio equatoriano, entregue-se à polícia britânica, que o enviará à Suécia, onde, segundo ele, será absolvido. É isso que ele tem que fazer, já que o mundo não mais dá muita bola ao seu marketing pessoal de exilado.