08/10/2017

João Doria: um Eike Batista vestido de Collor de Mello

Shot

Tenho dito aqui que o prefeito de São Paulo, João Doria, é uma espécie de Collor paulista no que tange à forma, e no que toca ao conteúdo não passa de um Eike Batista.

Ou seja, o rapaz é um lado Z de Jânio Quadros com a diferença de que a vassoura do Jânio foi usada na campanha e a de Doria depois, sendo que as farpas foram arrancadas do rabo de um pavão.

Pelo tanger do gado, estamos fadados a ir do nada a lugar nenhum na eleição presidencial do próximo ano, eis que a constelação dos candidatos vai de Lula outra vez, liderando com folga as pesquisas de opinião, com Bolsonaro e Doria nas ilhargas da pole position.

Embora o jargão de que todo povo tem o governo que merece – pelo menos nas democracias convencionais – tenha o seu percentual de verdade, não deixa de ser vero, inobstante, que o Brasil merece algo melhor.

Mas, ao que mostra a mais recente pesquisa de opinião, publicada pelo Datafolha ontem (07), o paulistano começou a enxergar que votou em um projeto de marketing.

Pior: tão logo comprou o produto ele foi remasterizado para ser vendido no Brasil, o que levou o ex-governador de São Paulo e atual vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, a replicar que “o prefeito [de São Paulo] ainda não nasceu depois de nove meses. Nasceu sim um candidato à presidência da República".

Doria é um bem-sucedido profissional  do self-marketing que achou que poderia governar uma das 10 maiores cidades do mundo apenas com propaganda pessoal. E, empolgado com o sucesso eleitoral na pauliceia desvairada, quer repetir a dose na Federação, colocando no seu portfolio ilusionista a potencialidade de uma candidatura à presidência da República.

[O etos eleitoral nacional está tão dilacerado que o cidadão acaba colocando jabutis em galhos de árvore]

Um dos mantras da propaganda é que não vale o fato, mas a percepção dele. Todavia, para que se trabalhe alguma percepção não se pode prescindir do fato, afinal, pelo menos por hora, ainda não vivemos dentro da Matrix.

Já no último quadrimestre do seu primeiro ano de governo, João Doria não disse a São Paulo a que veio: resolveu montar no seu jato particular e voar Brasil afora dizendo a que virá.

O paulistano, como não tem fatos concretos advindos da gestão Doria, começou a mudar a sua percepção sobre ele e na pesquisa referida lá em cima, o champanhe francês começou a virar espumante barato: a taxa de aprovação de Doria sofreu uma queda de 9 pontos percentuais e hoje a maioria dos paulistanos o acha apenas regular.

Segundo o levantamento, o janota tem 32% de aprovação – o que na maré baixa dos políticos ainda é um índice respeitável –, 26% de rejeição e 40% de avaliação regular.

Na sua base e principal alavanca eleitoral, a cidade de São Paulo, a rejeição de Doria para presidente da República é de 55%, ou seja, o paulistano intui que se ele não está fazendo coisíssima nenhuma em São Paulo, caso ele venha a enganar o eleitor nacional e lograr vestir a presidência da República, vai querer, ato contínuo, fazer campanha para a Secretaria-Geral da ONU.

O grande nó do arrivista é ele achar que tudo se resume a um custo cujo preço ele pode pagar.

7 comentários:

  1. e se o brasileiro comprar este produto farsante, não poderá devolver o produto e vamos ter que ficar usando uma porcaria até 2022. O brasileiro não cairá nesta farsa, pobre da população de SP que elegeu um turista que não reside na cidade que o elegeu para governar.

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  2. Temos Dória, Haddad, Ciro, Bolsonaro, Marina, Lula, Geraldo, e o Apocalipse. Do vazio, nasceram Dilma e Collor. Com a palavra, sua excelência o eleitor.

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  3. E o pior!Não há no horizonte nenhum cenário positivo, pois a sociedade que é fonte de onde surgem os candidatos não diferem em nada dos que ai estão.

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    1. PERFEITO?, O SEU COMENTARIO GUARDADAS AS DEVIDAS PROPORÇÕES É CLARO https://www.youtube.com/watch?v=dRE7TvnsCNo

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  4. Em um voo Fortaleza/Belém uma senhora de uns 80 anos me confidenciou "O Doria brincava de casinha com amigos e parece quer continuar brincando". Será ?

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  5. nao acho q ele seja solucao,alias, a solucao comeca por uma reforma politica que nao ira acontecer tao cedo... mas alguem tem alguma proposta menos pior que ele? abs

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  6. Pelo menos não tem na política sua profissão. Não enriqueceu fazendo politicagem.

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