10/01/2018

O Xavier vai dirigir o seu carro

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Inspirando-se no professor Xavier, o cérebro dos mutantes da série X-Men, a Nvidia, que significa excelência em placas de computação gráfica, deu o nome de Xavier ao seu projeto mais ambicioso, no qual investiu US$ 2,5 bilhões, o equivalente a R$ 8,5 bilhões, para desenvolver.

O resultado é a maravilha tecnológica abaixo, apresentado na CES 2018, com a pretensão de ser o cérebro na carenagem dos veículos autônomos das principais montadoras de automóveis do planeta.

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O Xavier é o processador de condução autônoma mais avançado desenvolvido até agora. Em uma única placa ele contém as três plataformas principais necessárias para embarcar inteligência artificial necessária para total dirigibilidade de máquina, que são, no jargão da nova tecnologia:

1. Drive AV: sistema que usa as informações dos diversos sensores do veículo para tomar decisões. É quem dirige efetivamente o carro.

2. Drive AR: suporta realidade aumentada para transmitir dados em tempo real ao usuário, podendo exibir no para-brisa informações como velocidade e distância percorrida, por exemplo. É quem entrega as informações ao passageiro, que passa a ser, ao mesmo tempo, o condutor secundário.

3. Drive IX: usa sensores e algoritmos para identificar o usuário, compreender o contexto da situação e responder de maneira correspondente para criar uma experiência personalizada. O IX, pode, por exemplo, ser programado para abrir a porta do carro ao reconhecer o dono, ou passageiros autorizados, ligar o ar condicionado na temperatura usual, ajustar os bancos, abrir o porta-malas se o dono trouxer sacolas, ir buscar alguém em determinado local e reconhecer quem foi buscar para abrir a porta, etc. É a interface carro-usuário.

Até então, todos os sistemas inteligentes do segmento usam três processadores para o trabalho: o Xavier será o alicerce das três plataformas, todas dotadas de inteligência artificial, o que exige capacidade de processamento exponencial.

O fenômeno do Xavier é colocar em uma placa “minúscula” quase um supercomputador: o chip de comando das interfaces tem 7 bilhões de transistores em oito núcleos; a GPU tem 512 núcleos.

Mas não se avexe, pois se um transístor equivalesse a um neurônio existente no cérebro humano, aí vai o nosso consolo: o cérebro humano possui aproximadamente 100 bilhões de neurônios, ou seja, 93 bilhões a mais que o Xavier.

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A capacidade de processamento do Xavier é de 20 teraflops. Para se ter uma ideia do que é isso, O Xbox One X, anunciado pela Microsoft como console de jogos mais poderoso de todos os tempos, atinge 6 teraflops, ou seis trilhões de operações de ponto flutuante por segundo, o que significa, grosso modo, que o Xavier tem capacidade para realizar até 20 trilhões de cálculos por segundo.

Não se avexe de novo: se equivalermos os pontos flutuantes dos flops à capacidade de processamento do cérebro humano, o Xavier come poeira, pois a nossa massa cinzenta é capaz de processar 100 trilhões de pontos flutuantes por segundo, 80 trilhões a mais que o Xavier.

Mas esse “meros” 20 teraflops dão ao Xavier a preposição principal da inteligência artificial, que é a profunda visão computacional que faz a máquina aprender rapidamente o manejo dos algoritmos embarcados, dando-lhe condição de autoprogramação. É o que você faz quando raciocina: se auto programa. É a neurolinguística.

Mas o Xavier não podia fazer isso tudo devorando as pilhas do veículo, por isso, a Nvidia transformou em realidade o nosso sonho de um aparelho celular que demore um mês para consumir a carga de uma bateria de 3000 mAh: o consumo do Xavier nas pilhas do veículo é de meros 30 W.

E de novo, vem a infinita vantagem da arquitetura humana: em equivalência, o cérebro humano, para movimentar as sinapses dos seus 100 bilhões de neurônios e produzir todas as maravilhas admiráveis de que é capaz, precisa de meros 9 W, o que seria um Boeing 737 fazendo uma viagem de Belém à São Paulo com uma pilha Rayovac AAA, daqueles que energizam o controle remoto da TV.

A Nvidia declarou que fechou contrato com a Volkswagen e com a Uber, para começar os testes de dirigibilidade do Xavier a partir de março deste ano.

Lá se vem mais uma disrupção tecnológica: o fim dos motoristas.

Fique claro que as comparações feitas entre os processadores de Inteligência Artificial e o cérebro humano são meramente de didática ilustrativa, sem pretensão de acuidade científica.

4 comentários:

  1. Tá vendo o quanto vc nos faz falta?

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  2. Meu nobre amigo, reduza o que escreves ai poderás escrever todo dia!

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  3. https://hypescience.com/ignorancia-sobre-a-propria-burrice-pode-explicar-muitos-dos-problemas-da-sociedade/

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