03/03/2018

Escute esta canção, que é pra tocar no rádio…

Shot 006

Não sou dos que dizem que as emissoras de rádio hoje em dia só tocam lixo: prefiro resmungar que 95% do que tocam eu não gosto de ouvir, pois música, como de resto tudo, é questão de gosto.

Eis que por isto pouco sintonizo emissoras tradicionais, antes porque o meu gosto musical reside, quase todo, no passado.

E não é que hoje, em uma playlist randômica que ecoava dentro do carro, sibilou uma joia raríssima, defendida por outra joia mais rara ainda.

A música foi o bolero “Dos Gardenias”, da compositora cubana Isolina Carillo.

Shot 001

Na defesa, Ibrahim Ferrer, para mim a melhor já feita dentre as mais de duas dezenas de renomados intérpretes do gênero que gravaram a pérola.

Shot 004

A música que ouvi foi da apresentação de Ferrer durante o espetáculo Buena Vista Social Club, no Carnegie Hall, em Nova York, em 1998. Eu estava na plateia.

Ao contrário do que a maioria crê, o Buena Vista Social Club não era um conjunto musical e sim uma casa noturna em La Habana. Muitos dizem que foi a Revolução de 1959 que fechou a casa, o que não é verdade: o Buena Vista Social Clube fechou as portas em 1950.

O nome foi emprestado pelo produtor e diretor de cinema alemão Wim Wenders, ao documentário que ele produziu e dirigiu sobre os cantores, compositores e músicos cubanos que costumavam se apresentar na casa, dentre eles Ibrahim Ferrer, Ruben González, Compay Segundo e Omara Portuondo, parte da constelação da noite de La Habana que permaneceu na ilha depois da Revolução.

Shot 005

Depois de 1998 ainda tive o prazer de assistir Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo, no icônico Hotel Nacional, em La Habana.

A indesejada das gentes levou Ferrer em 2005. Portuondo, do alto dos seus 88 anos, ainda vive em Havana, onde é venerada ao estilo de Bibi Ferreira no Brasil.

A defesa de “Dos Gardenias”, por Ferrer, no Carnegie Hall, foi um dos pontos altos da apresentação do Buena Vista.

A figura franzina, a voz aguda, mas tépida, sotaque característico da periferia havaneira e uma presença de palco cativante, fez com que a audiência arrepiasse quando ele soltou as primeiras notas sustentadas pelo peculiar dedilhado do piano de Rubén González.

O público acompanhou Ferrer quase sem respirar, para não perder nem um suspiro. A apoteose veio logo depois do meio da canção, após o solo do trompete de Manuel Mirabal, conhecido em Cuba como “Guajiro”, que foi um espetáculo à parte.

Para voltar por cima do último sopro do metal do Guajiro, Ferrer, que não tinha muito diafragma para sustentar uma oitava, agarrou-se na haste do microfone e soltou os pulmões lá em cima em uma entrada perfeita: o Carnegie Hall veio abaixo.

Ao final do “Dos Gardenias”, Ferrer foi aplaudido de pé.

Não achei o vídeo deste singular evento, mas abaixo está o áudio: o grande Ibrahim Ferrer em Dos Gardenias.

8 comentários:

  1. fui avisado aqui no blog que o jornalista luiz nassif alugava sua pena. hj o pilantra mudou de lado j wellington

    ResponderExcluir
  2. Dr, Parsifal,

    Bolero "Dos Gardenias" é um bolero, como diziam os antigos, um estouro.
    Gosto muito também do bolero "En la orilla del mar", em grande interpretação do cubano Bienvenido Granda , "El bigote que canta". En la orilla era muito tocada no "Boca de Ferro" A voz do Rosário, aparelhagem do seu Mitó, que funcionava perto do antigo Mercado de Madeira, na beira do Rio Tocantins, na Tucurui dos anos 50 e 60.

    ResponderExcluir
  3. Que invejão, Parsifal. Daria um braço inteiro para estar presente no Carnegie Hall naquele show em NY, apoteose do filme-documentário do Wenders. O CD Buena Vista Social Club é uma companhia constante em minha vida. No carro, durante breves e longos trajetos, repito incansável essa jóia da música latina. Tudo nele é extasiante, o vocal, a percussão, os metais, as cordas, e o piano, ah o piano segundo Rubén González... Eu o invejo Parsifal...

    ResponderExcluir
  4. http://www.segurancaportuariaemfoco.com.br/2018/05/invasoes-e-furtos-em-posto-desativado.html

    ResponderExcluir
  5. INVASÕES E FURTOS EM POSTO DESATIVADO DA GUARDA PORTUÁRIA
    O casarão histórico, que segundo dizem é tombado, tem em seu interior pratarias e louças antigas e de época
    Diante da supressão de mais um posto, no último dia 06, por volta das 10h30, aproveitando a falta de policiamento ostensivo na Residência Oficial (RO), no Terminal Petroquímico de Miramar (Tequimar), no Pará, um meliante invadiu e furtou vários utensílios de dentro do casarão que existe no local, e que se encontra atualmente, totalmente abandonado e vulnerável.
    O casarão histórico, que segundo dizem é tombado, tem em seu interior pratarias e louças antigas e de época.
    Segundo foi levantado pelo Portal Segurança Portuário em Foco, o furto foi registrado pelas imagens de monitoramento, onde é possível ver o meliante utilizando um carrinho de mão, que estava no próprio local, para levar vários objetos.
    No dia 9 de maio, por volta das 11h20, ocorreu novo furto no local, no entanto dessa vez, assim que a invasão foi constatada através das câmeras, uma viatura se deslocou até o local e logrou êxito em deter o meliante em flagrante. Ele já havia desmontado uma cama de cobre, de considerável valor histórico, para poder vender como sucata no ferro velho.
    Diante dos fatos, o meliante recebeu voz de prisão e foi conduzido juntamente com a rés furtiva para o Distrito Policial, onde foi apresentado à autoridade de plantão.
    Em pesquisa realizada naquela repartição policial foi constatado que o elemento já possuía uma vasta ficha criminal e estava foragido da justiça.
    Segundo alguns empregados da Companhia Docas do Pará (CDP), que administra esse porto, essa área está sem o guarnecimento da Guarda Portuária desde 01 de maio, quando esse posto foi desativado para cobrir outro posto no Terminal Portuário de Outeiro (TPO). A RO já foi base da Guarda Portuária e havia sido reformada recentemente.

    ResponderExcluir
  6. Ilmo. Sr. Parsifal Pontes
    Presidente da Cia de Docas do Pará - CDP
    Respeitosamente

    Haveria ou há um pedido à DIREXE da CDP feito pela ARDOCAS - Associação Recreativa dos Empregados da Cia - para administrar a RESIDÊNCIA OFICIAL de MIRAMAR para manutenção do espaço para lazer e afins, como já vinha sendo feito.
    Atualmente o espaço se encontra abandonado e vulnerável e tem sido alvo de furtos e saques dos objetos do casarão histórico que lá existem, se agravando ainda mais por conta da retirada da segurança orgânica do lugar, desde o dia 01 de maio, fatos que não sei se são do vosso conhecimento.
    Existe a possibilidade desse pedido da ARDOCAS ser contemplado ou, ao menos, vossa senhora se digne em marcar uma reunião com membros da ARDOCAS no sentido de ouvir o projeto dos empregados para ocupação e utilização efetiva do espaço, o qual seria administrado por aquela associação?

    Nestes termos, pede deferimento

    Belém, 20 de maio de 2018

    ATT

    Cileno Borges
    Empregado da CDP

    ResponderExcluir
  7. vejo uma situação grave com essas greves dos caminhoneiros e os piquetes impedindo o transito.
    pensei um pouco e cheguei a seguinte conclusao: são os poderes constituidos por eleição, presidencia e congresso que devem tomar as decisoes relativas a imostos. Por piores que sejam esses elementos , cada insituição deve fazer tratar das questoes qaue lhe cabem.

    então não sao os caminhoneiros que devem tomar decisoes em relaçao a impostos e contribuições

    esta na hora de o poder publico dissolver esses piquetes com o uso da força.

    ResponderExcluir

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.