03/07/2017

Jogando caxangá

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Há seis meses com as rédeas da prefeitura de São Paulo nas mãos, o tucano João Doria tem provado apenas uma coisa: é bom de marketing. Apesar de a propaganda alardear que ele é um exímio jockey, na vida real a cidade ainda não teve o prazer de vê-lo saltando as barreiras.

E como o paulistano começa a se acabrunhar com a pantomima, Doria, ao mesmo tempo em que insiste na sua estratégia teflon, aproveita a derrocada da alta cúpula tucana na enxurrada da Lava Jato e estreia no cenário nacional como uma alternativa “ao que está aí”.

Durante o mês de junho o prefeito de S. Paulo participou de 15 eventos nacionais e de seis encontros partidários, o que o deixou afastado da prefeitura por praticamente todo o mês.

Mas a mudança para o domicílio publicitário nacional aumenta o desgaste local do prefeito propaganda: Doria perdeu nada menos que 17 vereadores na Câmara Municipal, o que dificulta a aprovação do seu pacote de concessões e privatizações, por ele havidos como fundamentais à administração, e de fato são.

Mas Doria achou que só porque ele é o boa pinta João Doria que venceu a eleição em primeiro turno e dono de empresas de propaganda, administrar uma das maiores prefeituras do mundo seria como comandar uma campanha da Procter & Gamble de dentro do seu jato particular. Não é.

A administração privada é centrípeta, de fácil enunciado e entendimento; a administração pública é centrífuga, cujo conceito, definição e manejo são um complexo senso escolástico que torna impraticável ao gestor querer tocar gaita como se berimbau fosse. Por isso que é mais fácil ser ditador, mas também mais caro e mais perigoso.

Mas eis que Doria, já cansado de ser prefeito, resolveu que poderá ser presidente da República e já alardeia que não representa, no PSDB, nem o velho e nem o novo, muito pelo contrário...

E mesmo tendo desancado o garoto propaganda em público, o oráculo do tucanato, o ex-presidente FHC, que disse que “Doria sabe fazer marketing, mas não mudou nada na cidade”, chamou-o para um café no seu apartamento de Higienópolis, de onde Doria saiu com o mantra que por aí repete de que “os tucanos não devem ter compromisso com o governo, mas com o País”.

O “governo” ao qual a frase de efeito se refere é o presidente Michel Temer, que labuta para sustentar a cabeça sobre o pescoço depois da delação de Joesley Batista, acompanhada daquela fatídica gravação.

O tom, portanto, do humor do PSDB no apoio ao PMDB no Congresso está proporcionalmente ligado à capacidade que Temer terá, por si só, de atravessar a barra rumo a um mar menos revolto, pois embora a farinha seja da mesma roça, o PSDB quer chegar a 2018 mostrando ao eleitor que os sacos e a fornada são de safras diferentes, o que justificaria os preços diversos.

Um comentário:

  1. o psdb so pensa na presidencia.ja levaram 4 tacas do pteco mas nao desistem e pior agem ardilosamente pra jogar no buraco quem lhes da a mao.veja o caso do ex deputado Eduardo cunha,logo depois de aceitar a denuncia da ex presidente.foi defenestrado da presidencia da camara e do cargo de deputado federal,com anuencia do entao, agora sabemos propineiro Aecio neves.vou da um alerta aos incautos cuidado com coligaçao com o psdb voce podera esta entregando uma corda para futuramente ser alçada no seu pescoço.

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