30/05/2016

Ela não sabia que tinha uma crise no Brasil

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O escritor da Roma antiga, Públio Siro, escreveu que já “tinha se arrependido, muitas vezes, de ter falado, mas nunca de ter ficado calado”.

A frase ilustrada foi cometida por Dilma Rousseff, em um momento no qual ela deveria ficar calada, pois é inadequado, quando todos no Brasil já sentiam a presença de uma crise econômica, uma presidente da República replicar uma dialética alienada.

A frase foi dita à colunista, que questionou a guinada de Dilma à uma política econômica recessiva, usando como cunha o ajuste fiscal (que não ocorreu), enquanto, como candidata, ela prelecionava o oposto.

Para sustentar a sua tese de ignorância da crise, Dilma emenda o soneto, afirmado que “ninguém sabia que o preço do petróleo ia cair, que a China ia fazer uma aterrissagem bastante forte, que ia ter a pior seca no Sudeste”. Mas a emenda, nas duas primeiras asserções, sugere premissas falsas, o que torna mais bizarro ter saído da boca de uma presidente com quatro anos de mandato presidencial pretéritos.

O petróleo começou a dar sinais de engasgo no segundo semestre de 2013 e em 2014 o Brent fechou o ano com uma queda de 50% no barril. Todo mundo sabia!

A crise chinesa se inaugurou em 2008 (!), tendo como origem principal a injeção, pelo banco central do país, de trilhões de dólares na economia, para enfrentar a quebra do Lehman Brothers, e 10 dentre 10 economistas do mundo opinaram que o encilhamento não ia dar certo, pois isso é o mais surrado, e ineficiente, meio de lubrificar a economia.

E não deu certo: num primeiro momento, óbvio, a liquidez alimenta bolhas diversas (no caso da China uma bolha no mercado imobiliário), mas depois, mesmo em uma economia  centralizada e tocada a fuzil como a da China, o mercado vai encontrando brechas para cobrar o lastro, e se ele não existe o jeito é parar para arrumar, que foi a “aterrisagem bastante forte” a que se referiu Dilma Rousseff. E o mundo inteiro sabia disso…

Para ler a entrevista clique aqui.

6 comentários:

  1. era justamente isto que o malandro do lula queria, colocar uma pessoa totalmente inepta para presidente.e assim a sua quadrilha pode atuar a vontade.sera que ela ja sabe que esta fora do poder?

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  2. Atitude típica dos politicos do PT,falo com conhecimento de causa:não cumprem acordo nenhum,no poder,agem com muita arrogância e fora dele,conseguem ter a frieza necessária para tentar colocar a culpa nos outros,,ou seja,de errado "eles" nunca fazem nada.

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  3. não houve aterissagem forte na china. Se o pib avança 9% e em alguns anos se reduz o avanço anual para 7% isso não é aterissagem forte.

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    1. Seu raciocínio está totalmente equivocado.
      Crescimento nominal não significa expansão absoluta. De 2014 para 2015, a economia chinesa retraiu em 3%, pois a expansão do PIB em 2014 foi de 7,3%, em 2015 de 6,9% e a inflação do período foi de 2,5%.
      Uma retração real de 3%, em um país de 1,4 bilhão de habitantes, cuja renda per capita, apesar de ser a 2ª economia do globo, é a 83ª do mundo, e com o agravante de ter 20% dessa população vivendo abaixo da linha da pobreza, cuja dívida pública é de US$ 5 trilhões (o que já ultrapassa 50% do PIB), um déficit público que ultrapassou, em 2015, a meta fiscal estabelecida pelo Plano Anual de Metas, e uma inflação de 3% no primeiro trimestre de 2016, é uma “aterrisagem forte”.
      Por essas peculiaridades, a China tem que matar 1 leão por hora para manter a sua economia crescendo, no mínimo, 8% ao ano, e uma inflação menor que a diferença do crescimento do PIB, para manter a sua paridade econômica relativa. Menos do que isso, como tem ocorrido desde 2011, é freio de arrumação.
      E isso é dito pelo próprio Congresso Nacional do Povo, órgão máximo de deliberação da China, que estabeleceu, para 2016, um crescimento de 6,5% a 7%, como forma de “retomar o crescimento histórico do país até 2020”.
      A aterrisagem, portanto, houve, e foi forte.

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  4. a economia chinesanão retraiu, o pib é expresso em dolares, então não cabe descontar a inflação.
    se o pib aumentou 7,3% em 2014 e 6,9% em 2015, não houve retração. Para haver retração, a variação tem que ser negativa, abaixo de 0. Conheço um pais onde está acontecendo isso, he he...
    li coisas interessantes sobre o processo de emissão de dinheiro no brasil.

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    1. O percentual inflacionário é aplicado no PIB e será sempre o percentual aferido, esteja o PIB em dólar, yuan, real, ou o que o valha, pois a paridade de poder de compra é tabulada em dólar e essa variação é calculada para efeitos de crescimento nominal e real, que é o que afere retração ou crescimento real, diferenciando-o do nominal, que é uma simples conta de somar ou subtrair e pode induzir a erro os que não atentam a isso.
      Mesmo que se retire a inflação, e aí é que mora o perigo, o PIB chinês retraiu de 2014 para 2015, pois, para efeitos de expansão real, só pode ser considerado o delta se ele for positivo e no caso da China ele foi negativo em 0,40% (abaixo de zero), o que indica a retração, ou seja, o país perdeu energia cinética para, pelo menos manter a paridade da sua economia.
      Se você entende retração apenas quando o PIB for absolutamente negativo, aí não mais é retração e sim recessão (caso do Brasil, que teve uma recessão de - 3,8%) e a se a China entrar em recessão o mundo entra em depressão.
      Tenha cuidado ao ler números econômicos em termos absolutos. Em economia, concordemos ou não com a tralha científica, 2 pode ser menor que 1.

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