30/07/2015

Os passos dessa estrada

Shot007

Em prevenção e reação a diminuição da meta, que pode ser a pá de cal no ajuste fiscal, a agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou a nota do Brasil em perspectiva negativa, ou seja, se não cuidarmos do regime o efeito sanfona rasga o fole.

Embora formalmente a luz amarela acesa pela S&P ainda não nos remeta ao grau especulativo, na prática já não há quem aposte que a luz ficará verde até o final do ano, pois o mercado é arisco e, em algumas ocasiões, daltônico.

Há aqueles que, nessas horas, desancam as agências de classificação de risco que nem torcida quando o juiz marca pênalti contra o time pelo qual torce. O líder do governo na Câmara Federal, por exemplo, disparou que a “S&P não tem nada que se meter no Brasil”.

A agência não está “se metendo no Brasil”, mas prestando o seu serviço supranacional aos players do mercado, avisando que o sinal está amarelo e quem quiser que avance por sua conta e risco.

O líder do governo, eu, ou você, até podemos crer que a agência errou a cor, mas a droga é que o mercado acredita nela. É como a história do juiz: podem lhe desancar todas as gerações, mas o pênalti é cobrado.

Aí a inflação bufa, o dólar sobe e a meta, que já apontava para o brejo, afoga-se nele. Eu disse que esse negócio de ajuste tem que ser igual a compra de rede das mãos de cearense: ele pede por uma o preço de uma dúzia para vender duas pelo preço de uma, ou seja, o corte inicial teria que ser, no mínimo, de R$ 200 bilhões, para depois ficar em R$ 100 bilhões. Como vieram abaixo dos cem vai acabar sendo zero.

E aí, como o Banco Central americano manteve a taxa de juros, enxugando a perspectiva do mercado de apreciação do dólar mundo afora, aqui, o Banco Central aproveitou o embalo para aumentar a Selic, que foi de 13,75% para 14,25% ao ano, esperando que o 0,5 ponto percentual abaçane o bufo da inflação e segure o dólar, que se acabou agasalhando na casa dos R$ 3,44, depois de um ligeiro porre na semana que passou. O perigo é que dólar vira alcoólatra em economias desaforadas.

Na explanação da nota, a S&P coincidiu com o que venho martelando: o principal componente da crise econômica é a deterioração do quadro político, que ancora o humor do mercado e represa as medidas do ajuste fiscal que deveriam ser tomadas.

E a repercussão da crise política na macroeconomia, segundo a S&P, faz com que “a contração do PIB brasileiro seja maior e mais duradoura”, prevendo que 2015 está perdido, não haverá crescimento em 2016 “e uma melhora tímida em 2017”.

Vou começar a cobrar consultoria, pois foi isso que eu escrevi aqui.

2 comentários:

  1. no brasil, é proibido dizer que um banco vai quebrar, é crime contra o sistema financeiro.
    no mundo, não é proibido dizer que um pais vai quebrar, mas temos direito a ao menos pretender colocar limites nisso.

    a meu ver, essas agencias são terroristas financeiros a serviço de manipuladores dos mercados financeiros.

    toda vez que eu sei o que a moody's disse, é porque há interesse em manipular o mercado. Ela presta serviços, mas é impressionante como são divulgadas suas avaliações para o publico...

    sobre emissão de moeda, divida publica, circulação de moeda, pouca gente entende alguma coisa.

    ResponderExcluir
  2. Dr Nelson Medrado do MPE, Uruará precisa de sua justiça!

    ResponderExcluir

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.