30/10/2014

Choque de realidade

Passada a refrega do ano eleitoral, quando os governantes portam o saco do Papai Noel para angariar votos, o governo Federal começou a bancar aquele personagem criado por Theodor Seuss, o Grinch, uma espécie de alter ego mau do bom velhinho.

Quedando-se à realidade da inflação em aclive – nos últimos 12 meses o dragão bufou uma taxa inflacionária de 6,75% - o Comitê de Política Monetária tocou fogo ontem (29) na cauda dos juros elevando-os de 11% para 11,25% ao ano.

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Elevação de taxa de juros é desgraça que nunca vem sozinha, ou seria bobagem, portanto, aguarde-se arrocho fiscal pelo caminho, pois, isoladamente, 0,25 pontos percentuais no preço do dinheiro não é valentia suficiente para colocar a economia nos trilhos.

E o governo Federal precisa, mesmo, corrigir a safra de deferências feitas com o chapéu da estabilidade econômica, cuja palha foi um dos principais motes da campanha do tucano Aécio Neves.

Juros altos são antitérmicos inflacionários, mas têm como efeito colateral anemia econômica o que, por seu turno, derruba o PIB, portanto, espere-se ainda cortes nos gastos do governo, o que significa contingenciamento orçamentário e eu não tenho a menor ideia de como os feiticeiros da Fazenda vão se haver para sair, com a alta dos juros e seus efeitos colaterais, da recessão técnica na qual estamos metidos.

E não adianta dizer que não há recessão, pois tivemos PIB negativo em dois trimestres seguidos e se isso não é recessão focinho de porco deve ser tomada.

Creio que é chegada a hora de colocar de volta na nota os impostos que o governo abriu mão para borbulhar a economia e que só fizeram escorchar-lhe o caixa. É a realidade chegando depois do sonho, ou pesadelo, eleitoral.

4 comentários:

  1. Deputado o povo de Roraima teve ontem um aumento na conta de luz de 54%. Uma afronta ao povo daquela localidade.

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  2. Nobre Deputado,
    Isto é pessimismo, você também está torcendo contra? cuidado que poderá ser incluído na lista negra dos sete jornalistas das zelite burguesa. Considerando que não temos sete dias de novo mandato da rerepresidenta, você já está arrependido?

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    1. Eu jamais me arrependerei de votar contra o Aécio. Para mim ele não passa de um genérico do Collor.
      Não é pessimismo e sim realismo. As medidas são necessárias. Não há crítica alguma, mas narrativa pura e simples. E espero que venha mais arrochos pois a política macroeconômica que a presidente optou é que eu sempre critiquei, pois não há refeição de graça no planeta Terra.

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    2. Parsifal, a questão não é necessidade. O problema é que ela passou a campanha inteira dizendo que esse negócio de aumentar juros e preços e coisa de tucano. A questão é que ela é uma tremenda de uma mentirosa.

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