07/03/2017

Crônica das concessões anunciadas

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Em busca de uma pauta positiva, embora não haja alguma que resista às golfadas da Lava Jato, o Governo Federal pegou várias ações estruturais que estavam sendo gestadas para parto no decorrer do ano, e resolveu dar à luz a todas de uma só vez.

O bebê de sete meses será anunciado hoje (07) e nasce em forma de um pacote de 55 concessões que irão direto para a incubadora intitulada Programa de Parcerias de Investimentos, as famosas PPIs, que são uma espécie de atualização das PPPs, as Parcerias Públicos Privadas.

É que governos se comportam assim mesmo: acreditam que em mudando os nomes dos guris eles se tornam mais inteligentes.

Como de costume, números bilionários acompanham o anúncio do sexo do recém-nascido, e no caso, o pacote advindo deverá render investimentos nas bordas dos R$ 60 bilhões, o que quase coincide com o corte necessário na execução orçamentária de 2017, para que se cumpra a meta fiscal, ou seja, o Governo tira com uma mão, a dele, mas dá com outra, a do mercado, para que o PIB venha para o azul até o final do ano, o que será uma apoteose, caso nenhum carro alegórico saia da direção.

Dos 55 projetos de concessões anunciados, 35 são linhas de transmissão, uma rodovia, a BR- 101, e quatro terminais portuários.

A soma acima dá 40. Para fechar a conta das 55, o Governo Federal anunciará a privatização de 15 companhias de saneamento estaduais. Isso já deve ter sido combinado com os russos, quer dizer, com os governadores.

A questão aí é que na hora da onça beber a água, neste particular, a jurupoca deve piar, pois há pesado ranço ideológico, com esgarçamento político, para colocar placa de venda na maioria das companhias de saneamento estaduais, que há anos são insolventes.

Contavam as paredes ontem (06), em Brasília, que a equipe econômica sinaliza com a possibilidade de incluir nele a antecipação da concessão da Ferrogrão, que estava no prelo para o segundo semestre.

Se isso ocorrer agora, o Pará seria um dos que poderia soltar uns estalinhos de São João, pois a ferrovia, há muito cantada em prosa e verso, tem traçado paralelo à BR-163 e a sua confecção seria a redenção do trecho que vai do Mato Grosso ao Pará, escoando os grãos ali produzidos.

E como trem não atola e tem evolução mais eficiente na cadeia logística, caso a Ferrogrão saia mesmo, e com ela venha a eficientização dos portos, seja com placa de venda ou com investimentos pesados em modernização, inclusive de gestão, dos mesmos, em 20 anos a face do Arco estará mais sorridente.  

O quê? Você pensou que era pra ontem?!

Eu disse aqui que a nossa modelagem logística é burra. Será que a mudança de nome da criança tornou-a, mesmo, mais inteligente?

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