18/10/2016

No caminho do tronco

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A mais recente informação ao TSE, do sistema de cruzamento de dados do Tribunal de Contas da União (TCU), relativo às eleições municipais 2016, indica indícios de irregularidades em mais da metade das doações feitas por pessoas físicas, ou serviços prestados por pessoas jurídicas, a candidatos e partidos.

O cruzamento coloca sob suspeita R$ 1,41 bilhão dos R$ 2,227 bilhões arrecadados e pagos até a penúltima prestação de contas feita pelos candidatos.

Uma das mais ululantes irregularidades é um beneficiário do Bolsa Família ter doado, sozinho, R$ 75 milhões. Pelas letras da legislação eleitoral vigente, esta pessoa teria que ter declarado, em 2015, uma renda de R$ 750 milhões.

Tal anomalia pode ser a face de uma indústria de fornecimento de números de CPFs do cadastro da Bolsa Família. E o mercador negociou com milhares de candidatos o mesmo banco de CPFs, pois as doações de beneficiários do programa social já beiram bordas dos R$ 400 milhões.

Do lado dos pagamentos, estão sob a mira do TSE, principalmente, contratação de serviços de agências de publicidades, havendo diversos casos em que foram pagos valores substanciais a agências que só possuem um ou dois funcionários registrados, ou seja, mais uma vez os candidatos estariam usando agências de publicidade para irrigar as despesas não declaradas das campanhas.

Eu avisei, várias vezes, que esse ano não ia ser igual aquele que passou e que se alguém quisesse continuar pelo lado negro da força teria que inventar novas armas, pois as antigas já estão mais do que enferrujadas, mas ao que parece ninguém quis me ouvir.

É o primeiro ano que o TSE se vale dos sistemas de vários órgãos como o TCU e a Receita Federal, principalmente, para cruzar dados, e o resultado pode ser fatal para muitas candidaturas que não se acautelaram e acharam que poderiam continuar avançando todos os sinas vermelhos.

Por certo muitos ainda passarão impunes, mas que a avenida está ficando cada vez mais estreita, isto está. E a tendência é chegar o dia em que todos terão que ir de transporte público para o baile.

Claro que quando esse dia chegar ainda vai ter aquele que vai querer furar a fila do ponto, mas é como cantou o Jorge Ben, em Caramba... Galileu da Galileia: “Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só de malandragem”.

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