13/09/2016

Cármem Lúcia e Almirante Barroso

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A fala da ministra não é válida apenas para o Poder Judiciário, mas referente à República em toda a abrangência do seu significado, inclusive, no que lhe tange, ‘à nação.

O Brasil carece não somente de reformas, como as dezenas que têm sido fornidas a cada arquejo e esquecidas quando o fôlego retoma trote regular.

Precisamos nos transformar, mas isso não se faz transferindo para outrem responsabilidades ou comportamentos. Cabe a cada  brasileiro ser um sujeito ativo desta história.

Na manhã de 11.06.1865, a canhoneira de vanguarda Mearim içou o sinal de “Inimigo à vista”: era a esquadra de Solano López singrando o arroio Riachuelo, em direção às belonaves brasileiras, iniciando aquela que foi para mim, mero curioso de batalhas, a mais importante escaramuça naval da Guerra do Paraguai, a Batalha Naval do Riachuelo.

Vendo o sinal do Mearim, o comandante da esquadra brasileira,  o Almirante Barroso, a bordo da nau capitânia, Amazonas, ordenou o protocolo de ataque, à época formado por sinas içados em forma de bandeiras:

1. “Preparar para o combate!”, ordem para que a tripulação tomasse posição de sentido;

2. “Safa geral!”, ordem para que cada um assumisse seu posto na belonave;

3. “Despertar os fogos das máquinas!”, ordem para dar ignição em ponto morto.

4. “Suspender amarras!”, ordem para aliviar o navio de qualquer tipo de atracação.

E como a Mearim avisou que a esquadra paraguaia avançava sem retorno, Barroso içou, exatamente às 9h25m, o sinal de ataque que ficou famoso nas narrações românticas da história nacional como sendo seu, mas que era protocolo da Armada Imperial, como toque de atacar:

5. “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!”.

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Eram 14h, já com cinco horas de combate. Barroso, para contornar o cansaço da sua esquadra, fez jus ao signo do ataque e resolveu, também, cumprir o seu dever: ordenou que a Amazonas, a sua fragata, avançasse rumo ao inimigo: içou a bandeira de “Sustentar o fogo que a vitória é nossa!” e esporou a proa da Amazonas rumo à belonave paraguaia Jejuí, atingido-a ao meio e pondo-a a pique. Em seguida repetiu o mesmo golpe de abalroamento contra mais três naves inimigas. Foi quando a esquadra de Solano López refluiu definitivamente.

Quando a Ministra Lúcia sugere que o Judiciário precisa não somente de reformas, mas de transformação e eu emendo que essa é uma necessidade do Brasil inteiro, surge como meio decisivo de transformação o comando içado por Barroso na Batalha de Riachuelo, o item 5 do protocolo. Sem ele, vamos sobrevivendo de reformas.

3 comentários:

  1. Tá difícil...

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  2. Parsifal;

    O maior problema do judiciário é maior do que o próprio judiciário: a corrupção elegante.

    Há anos os desembargadores do TJ-PA engavetam ações judiciais contra o governador Simão jatene, de quem recebem certos 'favores' como desapropriações de casa em duplicata na cidade velha, sinecura empregatícia (cabide de emprego) para as filhas aspones do presidente da casa, aluguéis estratosféricos na Tupinambás, financiamento de viagens de tratamento sofisticado, etc.

    Quando são para defender o governador, socorrem em regime de plantão imediato, reprimindo greves com informações falsas.

    Não vejo como a ministra agora presidente do STF possa erradicar essa antiquíssima relação prá lá de promíscua.

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