18/08/2016

O Memorial de Dilma Rousseff

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A presidente afastada Dilma Rousseff assinou ontem (17) uma espécie de memorial aos senadores, que também fez as vezes de fala à nação, já que resolveu ler a missiva lavrada.

Destarte as controvérsias internas, Dilma insistiu na lógica do golpe, discurso adotado pelo PT desde o vestíbulo da esteira do impeachment, que o rolar das águas provou estéril para o que se designava, portanto, a tese chove em um assoalho molhado, sob cuja cumeeira não se providenciou eficaz entelhamento.

Um outro ponto no qual a presidente afastada entalhou as suas letras, idem, não surte efeito, qual seja, a promessa de, em retornando ao cargo, patrocinar a realização de um plebiscito sobre a antecipação das eleições e uma reforma política e eleitoral.

A primeira parte da asserção é contradição justificável pelo arroxo e a segunda, somada à primeira, uma bravata com ares de blefe: Dilma refutou, quando a água da chaleira apenas fazia borbulhas finas em fogo brando, a tese de eleição antecipada, pois achava que apagaria o fogo antes de ocorrer a ebulição. De qualquer forma, as duas proposições apontadas não dependem exclusivamente do Congresso Nacional, onde Dilma, desde antes, perdeu absoluta capacidade de diálogo.

De resto, o memorial de Dilma passa a fazer uma mixagem de reconhecimento de erros com uma mal calibrada e personalizada defesa do estado de direito, sugerindo nas razões subliminares, que o ethos democrático nacional só será respeitado se o Senado a absolver e, em não o fazendo, a Casa terá cometido um crime de lesa pátria.

Tal sugestão, obviamente, no juízo dos senadores, tem um efeito contrário àquele o qual quem elaborou as mal traçadas linhas imaginou surtir, pois isso soa assim como se eu, ao ser julgado por um juiz, opinar, nas minhas alegações finais, que o meritíssimo só fará justiça se me absolver e se me condenar terá incinerado o sistema penal.

O excesso de confiança e loas, inclusive minhas, à Lula, o fez perder certo senso de realidade e não perceber as mudanças dos ventos que se aproximavam, crendo ele que nem mesmo sismos de grande monta lhe abalariam a popularidade e a capacidade de segurar as rochas morro abaixo.

O excesso de casmurrice de Dilma e a sua inapetência para o manejo político, também a afastaram da percepção de que ambos caminhavam para um abismo que fora cavado com os seus próprios pés, além daqueles que fizeram parte da coalizão que sustentou, a ferro, fogo e petróleo, a era do lulo-petismo que, com tristeza constato, tem um epílogo totalmente diverso da importância que merecia ter obtido.

Para ler “O Memorial de Dilma, clique aqui.

Um comentário:

  1. Color que dizia ter aquilo roxo não aguentou a pressão e renuciou. Dilma vai lá olhar na cara dos moralistas sem moral.

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