26/05/2016

Mano a mano

Shot

O 3° capítulo da novela de Sérgio Machado, gravado com ex-presidente José Sarney (PMDB), da mesma forma que as duas gravações anteriores, havidas com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), nada traz que preste criminalmente, mas tão somente conjecturas entre atores receosos de entrar no palco.

Mas reina uma certeza entre os profissionais que acompanham de perto os desdobramentos da Lava Jato: as três gravações publicadas, pelo teor pífio, não autorizariam homologação de delação premiada, que nessas alturas exige elementos novos, não constantes em delações anteriormente cometidas.

Há outra certeza entre os ditos profissionais: se o ministro Teori Zavascki, homologou a delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, é sinal que as gravações publicadas são apenas a ponta de um iceberg que ainda virá oportunamente à tona.

Um dos indícios da expectativa de que há trechos não revelados nas gravações de Machado, é que a Folha de S. Paulo as publica com uma senha no cabeçalho: “Primeira gravação”, e isso, logicamente, significa que há uma segunda, ou até uma terceira ou quarta.

Essa expectativa tem cozido um caldo de tensão no Planalto, que trabalha com a hipótese de confeccionar uma vacina para tentar imunizar o presidente interino Michel Temer de desdobramentos indesejados.

Um dos componentes dessa vacina seria o afastamento dos ministros de Temer que respondam a acusações judiciais devido à Lava Jato, a saber, Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Maurício Quintella (Transportes).

O fato é que o PT e o PMDB foram sócios políticos e factuais dos dois governo de Lula e do primeiro de Dilma Rousseff, misturando-se, ambos, nessa circunstância, tal e qual café com leite.

Quando o sócio majoritário (PT) caiu, o outro participante das cotas (PMDB) assumiu o comando, mas não podia esperar que não herdasse os prejuízos que ajudou a causar, por equívocos dos quais participou, juntamente com outra dezena de partidos que tinham ações nessa bolsa.

2 comentários:

  1. Parsifal. Como advogado e político vc tem uma visão privilegiada sobre toda essa lambança construída pelo PT em sociedade com o PMDB. Não há santas nessa zona. Como encrenca pouca é bobagem, o Departamento de Justiça dos Estado Unidos, através da SEC, que é a abreviatura do órgão encarregado de regular o mercado de ações no Tio Sam, está investigando a Eletrobras, conforme já o faz com a Petrobras. Considerando que lá há chances menores de intermináveis recursos e chicanas, como advogado e professor, vc acha que o Brasil teria mais problemas com as Agências de Risco e isso poderia se estender a outras empresas brasileiras?

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    1. As notas aferidas pelas agências de risco se compõem com peso específico econômico-financeiro de macroeconomia e menos por questões especificas jurídicas.
      A SEC já investiga a Petrobras desde 2014 e agora, por conta de notícias de envolvimento da Eletrobras na Lava Jato, também abriu uma frente de investigação contra a empresa, mas essas investigações funcionam muito mais com uma forma de trust do mercado e orientação aos investidores e é dessa forma indireta que pode haver o peso específico na composição das notas das agências de risco, mas por si só, essas investigações, a priori, não influenciam diretamente.

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