18/01/2016

Tempos de liquidação

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Em 2015, o fundo brasileiro GP, a canadense Brookfield e o GIC (fundo soberano de Cingapura) pagaram cerca de R$ 23 bilhões para adquirir 12 empresas brasileiras.

Continuando a onda, no final de 2015, a J&F Investimentos, controladora da JBS, a maior processadora de carnes do mundo, pagou à Camargo Corrêa R$ 2,7 bilhões pela Alpargatas, que valia menos que isso na Bolsa.

E a Camargo Correa só não vendeu, ao mesmo freguês, a InterCement, segunda maior cimenteira do país, porque a J&F bateu o pé que só comprava se fosse o controle acionário, quando a Camargo só queria vender 18% das ações.

Os chineses e italianos também abriram as carteiras por aqui em 2015: a China Three Gorges, dona da maior hidrelétrica do mundo (Três Gargantas, no rio Yangtze), pagou R$ 13,8 bilhões por duas hidrelétricas do governo e uma privada e o grupo italiano Gavio comprou o controle acionário da EcoRodovias, da CR Almeida, por R$ 2,2 bilhões.

Em 2016, segundo um relatório do Bradesco BBI, as aquisições serão superiores, pois a depreciação do real frente ao dólar faz a festa dos fundos internacionais, tornando-os efetivos na tomada do controle das rentáveis posições das empresas nacionais, principalmente aquelas envolvidas na operação Lava Jato, que precisam de liquidez para se recompor.

Diz o Bradesco BBI que os fundos internacionais já engatilharam US$ 25 bilhões (R$ 100 bilhões) para aplicar em países emergentes no primeiro semestre, e o Brasil é o primeiro país a ser atacado. Se houver troco irão atrás de outros, mas pretendem comprar por aqui até circo pegando fogo, pois creem que o terreno poderá lhes gerar lucros depois de passada a rebordosa política e acertada a economia, afinal, só o pessoal do Globo News não enxerga que somos uma das 10 maiores economias do planeta.

E os principais alvos dos fundos são empresas de energia, concessões na área de estradas, aeroportos e saneamento.

E creio que a largada será nas posições que a Petrobras tem na Braskem, a maior petroquímica da América Latina. A petroleira, com dificuldades de caixa e com a obrigatoriedade contábil de reduzir a dívida, colocou placa de venda nos seus 36% da Braskem, que se tornou moeda de ouro, pois a queda dos preços do petróleo levou junto os da nafta, que é matéria prima das petroquímicas, e isso, aliado à desvalorização do real, fez as exportações da Braskem irem às nuvens.

Para as corretoras de vendas, não há crise.

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