15/10/2015

Bois, piranhas, tubarões e tempestades

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Ontem foi o nono dia desde a tragédia do Haidar, que pelas peculiaridades apresentadas está na imprensa de todo o mundo.

A imprensa é um capítulo apartado que anoto sobre o episódio. Guardo todas as manchetes, para oportunamente comentar em uma análise crítica de como as versões se distanciam dos fatos.

Mas eu li uma hoje, do portal Fusion, da rede norte-americana ABC News Network, que é uma pérola. Diz a manchete:

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Em tradução livre:

TRAGÉDIA BOVINA
VEJA: Navio carregado de bois afunda na Amazônia infestada de piranha

Nem na baia do Guajará e nem na baia de Marajó há “infestação” de piranhas, pois a espécie não é presença amiúde na ictiofauna da área.

A propósito, sobre o boato de que tubarões estariam adentrando a área, embora exista espécie de tubarão que, eventualmente, pode circular em água doce, também não é o caso da baia do Guajará e Marajó.

Ontem (14) foi o primeiro dia em que os trabalhos conseguiram ritmo. Embora com algumas interrupções, as inconformidades foram menores.

As carcaças que a maré postou na praia de Vila do Conde foram todas colhidas. Isso demandou um trabalho muito insalubre para os trabalhadores que colocaram a mão na massa, pois algumas tiveram que ser retiradas de sob os jirais das casas.

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Nas cavas onde, finalmente, foi consenso o despejo, em algumas ocasiões, as lonas que forravam as valas rasgavam-se, e o Ibama, ou a Semas, determinavam a paralisação do despejo até a correção da inconformidade.

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Há vários gabinetes instalados no prédio da administração da CDP, onde as várias ações do resgate se administram. Eu fico transitando em todos, ouvindo opções, críticas, sempre construtivas, e tentando consensos quando há dissensos, que são cada vez menores, à medida que o ritmo encorpa.

Houve dois momentos tensos ontem:

1. A reunião com líderes comunitários, que insistem em receber ajuda continuada em dinheiro, ponto sem possibilidade legal de atendimento imediato, pois os três salários mínimos que demandam, por quatro meses, significam R$ 32 milhões, já que alegam serem aproximadamente 10 mil as famílias atingidas. A reunião terminou sem resolução do impasse.

2. A discussão de métodos para disposição de barreiras e vedação dos skypipes (espécies de suspiros dos tanques do navio) entre a Capitania dos Portos e o diretor da Mammoet Salvage, na preparação para o início da retirada do óleo dos tanques do Haidar. Ambos estavam intransigentes nas suas posições e a Marinha ameaçou cassar a autorização dada à empresa para a salvatagem. Depois de uma hora de discussão, chegamos a um consenso que contemplava as duas proposições. Na verdade, os dois tinham razão, afinal.

Não. Ainda não é a bonança depois da tempestade. Mas a sabedoria budista ensina que “a tempestade só arranca as árvores solitárias”.

18 comentários:

  1. A tragédia do Haidar está acabando com a qualidade da coluna, marcada pela diversidade de assuntos. Pior que o assunto ainda deve durar seis meses.

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    1. É verdade. Como os acessos praticamente triplicaram com o caso, eu me senti obrigado a manter as informações. Mas creio que a partir de segunda, quando as coisas tomarem ritmo, voltaremos ao "normal" por aqui.

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  2. Funcionário há mais da dez anos de minha locadora de equipamentos pesados pediu para sair,o motivo, receberia cinco salários da CDP pelo resto de sua vida, meu RH riu e respondeu que era a primeira vez que uma pessoa se aposentava por causa de perda de chifre!

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  3. Bom deputado, tenho que parabenizá-lo pelo esforço em resolver a situação. Veja agora como é difícil está na pele de um administrador quando algo inesperado e grande acontece e você tem que resolver de alguma forma e pressionado por todos os lados. (Como aconteceu com a ponte do Moju).

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  4. http://www.segurancaportuariaemfoco.com.br/2015/10/adicionais-na-codeba-criam-supersalarios.html presidente como conter isso: exemplo, ex gerente de gestão portuária ganhava 12 mil saiu, agora parece que vai ganha 22 mil como isso?

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    1. Infelizmente essas distorções existem em todas as companhia de docas e em toda empresa pública brasileira, baseadas em repercussões legais e decisões judiciais. E é uma das causas do alto custo dos portos brasileiros. Os sindicatos das categorias ainda não entenderam que esse patrimonialismo salarial vai acabar fazendo os portos públicos perderem competitivismo com a chegada, cada vez mais agressiva, dos terminais privados.

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    2. E outros caminham para, atingindo tempo "sem quererem" na função gratificada, incorporar aos salarios essas gratificações.
      Agora, talvez, alguns estejam passando a entender porque o "representante" do trabalhador no Consad, dirigente do sindicato, tenha vetado o nome do senhor Parsifal para presidente da CDP.
      Quando se começa a contrariar certos interesses e acabar com esse patrimonialismo citado pelo presidente, isso é tido como algo perigoso para quem se beneficia desse patrimonialismo, lembrando que os próprios dirigentes sindicais recebem bem acima dos seus salários, caso tivessem trabalhando normalmente, sendo que alguns deles, antes de eleitos, criticavam a CDP por manter os salários altos desses "sindicalistas".

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  5. Olá Parsifal:
    Parece que as coisas começam ter um curso regular, parabéns por sua atuação

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    1. É uma enorme equipe que atua, de vários órgãos do do município, estado e União. Todos de excepcional comprometimento. Eu sou apenas um elo nisso tudo.

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  6. Meu caro amigo Parsifal...meu abraço sincero e meu orgulho de ser seu amigo..você é e sempre será o amigo sincero das horas incertas..me parece que essa é uma frase de alguma música e como ela se inseriu aqui sem grandes pretensões vou deixá-la ficar como veio. Virgílio

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  7. parsifal,um dia falarei isso a vc pessoalmente, e saberás quem sou: "Grandes batalhas só são dadas a grandes guerreiros!" sabedoria ,força e fé. que tudo dará certo(concursando da c d p).

    Ghandi

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  8. Acho que o livro Tragédia do Haidar sai antes do Memórias do Parsifal. hahaha

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  9. Interessante que no dia que o diretor presidente se ausenta da CDP, vai a Brasilia, é assinado um contrato de 10 mi com a empresa Cidade Limpa, sem licitacao, para limpar e dar fim aos restos mortais dos bois.

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    1. O contrato é legal e feito por dispensa por conta do estado de emergência. O valor é global, ou seja, abrange um valor máximo que pode não ser alcançado. A CDP está despendendo aproximadamente R$ 300 mil por dia e os valores unitários são registradas em atas de diversos órgãos da federação.

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  10. Pelo menos foram consultados outras empresas? Tem que ter urgencia mas nem por isto se deve jogar para o lado esta consulta pois ai é o mesmo que colocar raposa para tomar conta de galhinheiro. Presidente, o Vilaça e relações publicas da CDP pois no seu video apresentou superficialmente o ocorrido?

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    1. Claro que sim. O processo foi de dispensa e não de inexigibilidade. Na dispensa apenas prazos e limites de valores são obliterados, mas é necessário pedir propostas de, pelo menos, três empresas habilitadas para a ação emergencial necessária. No caso, há apenas exatamente três empresas cadastradas e homologadas pela SEMAS para fazer esse tipo de trabalho. A proposta mais baixa foi a da Cidade Limpa.
      Não, o Vilaça não é relações públicas da CDP. Há jornalistas que só querem fazer jornalismo mesmo.

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  11. O que interessa é que esta limpesa seja feita a mais rapida possivel.

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    1. Garanto-lhe que não há quem esteja com mais pressa do que eu.

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