25/09/2015

O papa Francisco na terra do Tio Sam

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O papa Francisco fez história ontem (24) ao ser o primeiro pontífice a discursar no Congresso norte-americano, quando ocupou a tribuna para defender “os imigrantes e refugiados, condenar o aborto e a pena de morte, criticar o fundamentalismo, pregar o fim da venda de armas e pedir aos parlamentares ações para o combate do aquecimento global”.

O discurso do papa foi um tento para os democratas, pois, à exceção da condenação do aborto, todo a fala coincidiu com a agenda do partido.

Além de todos os congressistas, prestigiaram a fala de Francisco o vice-presidente da República, Joe Biden, quatro ministros da Suprema Corte e vários integrantes do gabinete de Obama.

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Devido à crise tribal do Oriente Médio, que provoca um dos maiores êxodos da história, Francisco carregou no tema:

"Nós, que pertencemos a esse continente, não nos assustamos com os estrangeiros, porque muitos de nós fomos estrangeiros no passado".

A fala é a mais pura expressão da verdade: a América, como a vemos hoje, foi construída por imigrantes.

Mas o contraponto não foi esquecido, ao lembrar que os nativos foram desrespeitados e maltratados:

"Aqueles primeiros contatos foram bastante turbulentos e sangrentos, mas é difícil julgar o passado com os critérios do presente".

E é fato que a situação hoje é inversa: os que chegam o fazem em condições tão frágeis como frágeis eram os nativos frente aos desafios do novo mundo.

Sobre a reaproximação dos EUA com Cuba, da qual Francisco foi o grande mediador, o papa colocou a batina no cabide e portou as vestes de chefe de Estado, para tratar a questão, que ainda é tabu para os republicanos:

"Quando países que estavam em conflito retomam o caminho do diálogo - que podia estar interrompido por motivos legítimos - se abrem novos horizontes para todos".

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Mas ao apelar pelo fim da pena de morte, tomou de volta a batina e encarou os republicanos, que ainda defendem a pena capital:

"Cada vida é sagrada, cada pessoa humana é dotada com uma dignidade inalienável e a sociedade só pode se beneficiar da reabilitação daqueles condenados pela prática de crimes."

Um dos pontos altos da fala do pontífice foi quando ele se referiu ao fundamentalismo e à intolerância:

"Nós sabemos que nenhuma religião é imune a formas de desilusão individual ou extremismo ideológico. Isso significa que devemos estar especialmente atentos a todo tipo de fundamentalismo, religioso ou de outro tipo. Um equilíbrio delicado é requerido no combate à violência perpetrada em nome de uma religião, de uma ideologia ou de um sistema econômico".

A passagem pelos EUA, consolida o papa Francisco como uma das maiores autoridades morais do mundo e recoloca a Igreja Católica Romana no patamar alcançado sob o pontificado de João Paulo II.

5 comentários:

  1. Amo esse Chico. Sinto que muitos padres não estão aceitando muito bem sua modernidade. Temo por ele e acho que ele também. Francisco sempre pede que orem por ele.

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  2. Apenas um homem, falho, pecador, como eu e vc e que carece cada dia mais da misericórdia de Deus.

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    1. Ele mesmo já disse isso.

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    2. Disse, mas parece que a maioria dos seguidores não entenderam.

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  3. A Sra. Michele Obama estava um charme belíssima.

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