10/09/2015

Demora em leilões de portos deixa o Brasil a ver navios

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Matéria da Folha de S. Paulo opina que “a demora do governo em lançar licitações para os terminais portuários públicos do país está forçando a migração, para outros países, de investimentos antes programados para o Brasil”.

Reporta a Folha que a APM Terminals, do grupo Maersk, um dos gigantes do setor, com provisão de investimentos de US$ 2,5 bilhões (R$ 10 bilhões), para o Brasil, principalmente para plantas de movimentação de contêineres nas regiões Norte e Nordeste, redirecionou parte do valor para outras regiões da América Latina porque, desde 2012, o governo claudica em colocar o leilão das áreas portuárias na praça.

Como o negócio da APM não é guardar dinheiro em poupança à espera do governo brasileiro vencer a burocracia insana a que se submetem os investimentos nacionais em infraestrutura, a APM redirecionou quase metade do valor provisionado para o México e para a Colômbia, onde já constrói terminais de contêineres nos valores de US$ 900 milhões (R$ 3,5 bilhões) e US$ 200 milhões (R$ 800 milhões) nos portos de Michoacán e Cartagena respectivamente.

Caso a burocracia nacional não se tivesse transformado de uma necessidade normativa em um óbice operacional, parte daqueles R$ 4,3 bilhões poderia estar sendo investida aqui no Pará, onde há áreas contidas no primeiro lote dos leilões, que interessam à iniciativa privada.

A claudicância depaupera a nossa composição de custos e preços, pois a demora dos leilões, ao redirecionar os investimentos para outros países, consolida os portos que os recepcionam o que lhes potencializa a logística e alavanca a competividade.

O Brasil, nessa aritmética básica, já começou devendo, pois mesmo que as empresas, que a exemplo da APM, já investiram provisões alhures, enxerguem viabilidade econômica nos lotes a serem oferecidos aqui, terão que tomar recursos no mercado, cujo ágio será repassado para a composição dos investimentos a serem executados.

A Folha conta o tamanho da nossa inapetência: entre estudos e reestudos para desvendar o sexo dos anjos e fazer as adaptações exigidas pelo TCU, destarte já estejam no prelo 8 áreas prioritárias, entre elas algumas no Pará, para bater o martelo ainda em 2015, restam 42 para 2016 e ficam em espera mais 160 áreas a serem estudadas.

Com quatro níveis de decisão na administração pública e cada nível achando que deve refazer tudo o que foi definido a quo, já perdemos o século XXI e vamos passar o XXII todo a ver navios, enquanto quem fez a hora já estará fazendo portos para exportar minério da Lua.

9 comentários:

  1. Presidente, quando o Senhor vai devolver aquela calçada em volta da CDP que virou estacionamento privativo de gente grande desta Companhia inclusive com guarda pessoal da mesma para não deixar ninguem que não seja da CDP usar?

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    1. Pasme, como eu passei. A área toda, inclusive a rua e a praça, são da CDP. O estacionamento está devidamente legalizado.

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    2. Pensei que o Senhor não aplaudia mordomias, uma pena para Belem onde todo mundo faz o que quer. A ultima salvação era o Senhor, mas.......

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    3. Não há quem aplauda mordomias. Não uso veículo da CDP. Tenho o meu próprio e o meu próprio motorista particular, que aliás não estaciona lá. Todavia, estacionamento não é mordomia e sim necessidade. E se a área é da CDP e está regular não há respaldo para destituir. A propósito, quanto ao guarda, determinei, por orientação do TCU, a rescisão do contrato de terceirização de todos e só permanecerão os concursados, que não são para vigiar estacionamentos e sim os portos.
      Não, eu não sou a última salvação. Eu não sou salvação. Não há salvadores da pátria. Sou apenas uma pessoa cheia de defeitos e pouquíssimas qualidades, como todo ser humano.

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    4. Presidente, o Senhor sempre foi contra as coisas erradas, mas ter estacionamento privativo para gente da CDP em área publica continuo dizendo só mesmo aqui em Belem. Aí tinha uma calçada em volta deste bonito prédio e que algum Presidente que não foi o Senhor fez esta aberração de fazer isto. Uma pena que isto aconteça, duvido que se fosse em outro Estado isto tivesse ocorrido.

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    5. Não há nada errado. A área é propriedade da CPD. Inclusive a rua e a praça, até a esquina da Doca. Essa área, inclusive, já está em processo de outorga para licitação em PMI (Proposta de Manifestação de Interesse). Propus manter a rua e a praça fora do lote, mas não sei se irei conseguir. A Prefeitura poderá embargar a PMI, inclusive, alegando que ali já há um direito de passagem, mas lembre-se que isso já foi tentado, na época do prefeito Edmilson, em uma área de porto da Sanave, que fechou uma rua, que era de sua propriedade, e a prefeitura perdeu na Justiça e não prosseguiu com o caso pois para abrir a rua seria necessário desapropriar e pagar o valor à empresa.
      Propriedade privada é uma coisa e propriedade pública é outra. A CDP não é uma empresa pública e sim uma empresa de economia mista, cujo maior acionista é a União.
      A sua inconformidade se dá em não querer aceitar que a área não é pública. Propriedade privada é igual em qualquer estado do Brasil e em qualquer parte do mundo onde o regime é capitalista.

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    6. Tá bom!

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  2. Parece que o TCU tem contribuído e muito com esse atraso

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  3. esse atraso nas licitações é um problema real, é mais importante do que o deficit ou o não deficit do orçamento.
    não sei se a causa é a costumeira falta de brio dos politicos para as questões que não lhes deem beneficio, ou se eles (ou os burocratas) ficam estudando como tirar proveito.

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