27/03/2015

O leão que é manso

Shot010

Eu sempre afirmo que a maior corrupção no Brasil não é perpetrada por políticos e sim pelo sonegador.

Segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em 2014, foram sonegados R$ 300 bilhões.

Quem sonega furta o erário, pois o dinheiro do imposto não é do contribuinte e sim do Estado. O contribuinte é mero repassador e não adianta aquela desculpa chula de que sonega para não dar para os políticos, pois ambos, o político corrupto e o sonegador de qualquer quilate, são ladravazes.

Ontem (26) a Operação Zelotes, levada às ruas pela PF, mostrou que há agentes públicos, que não são políticos, que conseguiram superar esses na arte de tungar a viúva: diz a PF que a Zelotes visa “desarticular uma organização suspeita de fraudar aproximadamente R$ 6 bilhões dos cofres públicos em julgamentos de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda.”

Observem que o maior escândalo de corrupção do Brasil, desbaratado pela Lava Jato, tem o pagamento de propinas calculado em R$ 2,1 bilhões, mantém empresários presos e vários parlamentares federais estão sob investigação.

Estranhamente, um escândalo calculado em R$ 6 bilhões na Fazenda Nacional limitou-se a cumprir mandados de busca e apreensão. Se algum político estivesse envolvido na tunga, como a operação foi pela manhã, à tarde ele já estaria cumprindo prisão por antecipação de sentença e só deixaria o cárcere, com uma tornozeleira eletrônica, se delatasse até bebê ainda pagão.

São dez os conselheiros do Carf investigados por fraudes na apreciação de recursos de grandes contribuintes contra a lavratura de multas. Segundo a PF, os conselheiros negociavam a supressão das multas e cobravam de 1% a 10% do valor das multas suprimidas, pelo serviço.

Segundo “O Globo”, os investigados “responderão pelos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro”.

Sim, e quando é que a PF vai desbaratar aquela enorme quadrilha nacional que subtrai do erário, todos os anos, aproximadamente R$ 300 bilhões? Eu sei que é tarefa impraticável: não tem cadeia para todo mundo.

Quando vamos começar a fazer, simplesmente, a coisa certa?

10 comentários:

  1. E qual é a coisa certa deputado? Construir cadeias que dêem para toda essa tropa que cresce mais toda vez que é pilhada ou o Estado aplicar o que ainda sobra da sonegação no que realmente importa ( saúde, segurança, transporte e principalmente educação )? De propaganda e parentes e apaniguados no governo já estamos de saco cheio ( desculpe o desabafo ).

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    1. O certo e o errado são conceitos universais e todos sabemos distinguir um do outro. Não me refiro ao que o Estado ou o sistema deve fazer, mas ao que nós, cidadãos, devemos fazer.

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  2. Concordo com o senhor, esses VAGABUNDOS deveriam estar presos também, mas existem covardes em todo lugar.
    A justiça é a mesma o problema é que tem promotores e promotores, juízes e juízes.

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  3. Para lembra o senhor, não tem nenhum político preso pela lava-jato e não terá.

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    1. É apenas uma força de expressão para observar que o cisma tem que ser com o errado e não com o político. Ou não passaremos o Brasil a limpo.

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  4. Deputado, o mesmo ocorre nas agencias reguladoras, cancei de ver multas serem canceladas do nada, principalmente na Anatel, se investigarem vão achar.

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  5. Parabéns a presidente, pelo combate duro a corrupção. Aliás, foi promessa de campanha.

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  6. "Cada vez me convenço mais de que, desperta com relação à possibilidade de enveredar-se no descaminho do puritanismo, sermos capazes de comparar, valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, porque por tudo isso nos fizemos seres éticos".(PAULO FREIRE).

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  7. As pessoas sonegam que é pra sobrar menos pra vcs roubarem!

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    1. E isso só faz aumentar o número de ladrões, pois tanto o "vocês" quanto os sonegadores roubam o erário. Ainda, quem dá justificativas do tipo, é conivente, o que também lhe qualifica entre os "vocês".

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