24/12/2014

Então é Natal…

As pinturas do nascimento de Cristo têm foco na figura de Maria acalentando O Salvador. A figura paterna é dogmaticamente coadjuvante em razão da concepção de Maria sem Pecado Original e da Virgindade Perpétua de Nossa Senhora.

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Muitos confundem esses dois conceitos.

O dogma da concepção de Maria sem Pecado Original não se refere à virgindade na concepção de Cristo e sim de Maria ter nascido e vivido pura, não tendo jamais pecado e sequer tendo tido a vontade de pecar. É o dogma que a Igreja Romana celebra como “A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria”. O termo “conceição”, aí, significa a imaculabilidade como modo de vida, ou seja, Maria, desde sempre, optou por uma vida sem pecados.

Ao mistério do nascimento de Cristo, conservando, a Santíssima Virgem, a castidade, a Igreja denomina “A Virgindade Perpétua de Nossa Senhora”, atribuindo a paternidade de Cristo ao Próprio Deus.

Assenta-se nesse princípio a descoloração de José, o esposo de Maria, nos afrescos que retratam a Natividade, majoritariamente lida como a maternidade divorciada da figura paterna mundana. O Natal, portanto, além da festa do nascimento do Salvador, celebra a dedicação materna. Se Deus concebeu um homem para encarnar o Seu Verbo, a casta figura de Maria é a face feminina da Divindade, pois, dentre as mulheres, ela foi A Escolhida para gestar o Seu Bendito Fruto.

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José não deveria ter ido ao segundo plano da mitologia Crística. Ele foi fiel à profecia, aceitou Maria como esposa sem a obrigação de conhecê-la, deu-lhe suporte incondicional na gestação e na Natividade e  adotou Jesus como seu Filho legítimo, tornando-se o pai terreno do Filho de Deus.

Quando muitos homens desatam os laços familiares, legando às mães a singular tarefa de prover material e espiritualmente os filhos, José é um exemplo de paternidade, um paradigma de pai de família dedicado, que doa a vida, o trabalho e a honra ao núcleo familiar. O Natal, na figura de José, é a celebração da paternidade na sua mais ampla e cativante concepção.

Um dos pouquíssimos afrescos da Natividade que retratam, em primeiro plano, a figura paterna, é obra do pintor barroco Guido Reni, que viveu na região da Emília Romana entre 1575 e 1642, hoje território italiano.

É belíssimo o seu “São José e O Cristo Criança”, que, com máxima vênia à Santíssima Virgem, escolhi para colar abaixo e desejar um

Feliz Natal a todos! 

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8 comentários:

  1. Nós homens pais temos muito para dizer e poucos para nos escutar... feliz natal.

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  2. Caro Parsifal, obrigado pala aula de teologia, e a correta interpretação do, para mim, o maior dogma da Igreja Católica. É um tema que me fascina, e um dia quem sabe, gostaria de conversar contigo, sobre várias coisas. Que bela homenagem, prestaste a São José, o humilde carpinteiro, o primeiro pai sócio afetivo, que o mundo conheceu, glorificado pelas bençãos de Deus. Um Feliz Natal à todos.

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  3. Adorei. Nunca tinha entendido o Natal assim.

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  4. Wilson - Tucuruí24/12/2014 20:08

    Lindo! Só posso dizer isso e isso é tudo!
    Feliz Natal!

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  5. Obrigada. O meu Natal ficou mais lindo. Feliz Natal pra vocês!

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  6. Jailson Rodrigues (JR)25/12/2014 08:59

    Feliz Natal a todos(as)
    Obrigado pela aula gratuita.

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  7. Espetacular postagem Excelência!
    Boas Festas!

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