25/11/2014

Paulo Francis, FHC, o Dr. Freitas, Aécio Neves e farinha de feira

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No domingo (23) à noite, os jornalistas do “Manhattan Connection”, exibido pelo canal fechado da Globo, desagravaram o jornalista Paulo Francis, falecido em 1997, em Nova York.

Em 1996, no mesmo Manhattan Connection, Francis afirmou que “o alto comando da Petrobras praticava corrupção e que vários de seus dirigentes mantinham dinheiro de propina em contas na Suíça”.

Por conta da declaração, os diretores da empresa à época processaram Francis pedindo uma indenização de US$ 100 milhões.

Lucas Mendes, que apresenta o Manhattan Connection e reputa o infarto do colega à pressão que lhe fizeram os diretores da Petrobras com o processo, lembrou que “os crimes agora comprovados pela Operação Lava Jato coincidem com as acusações lançadas por Francis em 1996”, quando era presidente o tucano FHC, que agora se diz envergonhado pelo que ocorre na Petrobras.

A tunga na petroleira, portanto, não começou no lulo-petismo, mas no tucanato. A diferença de ambos é que agora há uma PF independente para apurar e um procurador-geral que não engaveta.

FHC perdeu uma ótima oportunidade de ser dizer envergonhado. Em 1996.

> O Dr. Freitas

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O FHC, idem, deveria dizer que está envergonhado com a revelação do diretor-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, preso na Operação Juízo Final, que relatou, em depoimento de 18.11 à Polícia Federal, que o seu contato político com arrecadadores de campanhas eram com “João Vaccari, que solicitava recursos ao PT e com o Dr. Freitas, que representava o PSDB”.

A imprensa diz diariamente que João Vaccari é o tesoureiro do PT, mas não diz uma linha sobre o “Dr. Freitas”, que vem a ser Sérgio de Silva Freitas, ex-executivo do Banco Itaú, arrecadador do PSDB nas campanhas tucanas de 2010 e 2014.

E o Dr. Freitas sempre teve sucesso nas investidas feitas na UTC, que doou ao comitê da campanha presidencial do PSDB, em 2014, R$ 2,5 milhões e mais R$ 4,1 milhões aos comitês do PSDB em São Paulo e em Minas Gerais.

Ou é o senador Aécio Neves que deveria se dizer envergonhado por ter usado na sua campanha presidencial, por suposto, dinheiro da Petrobras?  

É como eu sempre digo: todos são farinha da mesma feira. O que diferencia é o saco que a contém, que em uns é sarrapilheira e em outros cambraia de linho.

10 comentários:

  1. fhc lembra banco tipo hsbc, por fala nisso ele nunca se envergonhou de fazer farra com dinheiro publico com os bancos...

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  2. Parsifal..tu achas que depois de tanto tempo no poder ainda existe essa distinção na qualidade dos sacos?

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    1. Com certeza. Onde já se viu um tucano com calça de caqui? E os petistas, mesmo que estejam no Royal Albert Hall, sempre farão questão de não pentear o cabelo. É da natureza de ambos a embalagem.

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    2. Parsifal;

      Acho que a pergunta do Virgílio Moura não se contenta com este tipo de resposta. A indignação da sociedade contra a corrupção não distingue os dois blocos pelos adereços de usam; se bem que é verdade que, no governo FHC, a corrupção era mais protegida e a rede Globo não se empenhava tanto em escancarar os escândalos. O PT já se tornou igual ao PSDB no quesito corrupção, embora ainda se salve por estar fazendo algo pelos mais pobres - coisa que o FHC achava natural ocorrer somente na próxima encarnação.

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    3. O que nos faz voltar ao axioma inicial: a farinha é da mesma feira, mas a embalagem é diversa. Isso, todavia, não é uma maldição de ambos, mas uma característica do sistema. Na atual forma de alcance do poder, a deterioração ética vem antes e faz parte integrante do contrato.

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    4. O que mais PT e PMDB querem é que esse escândalo atinja o PSDB, não porque acham justo, mas porque querem justificar o que fizeram. Ou seja: "Não fomos os únicos a roubar, eles também roubaram e não aconteceu nada". Triste isso!

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    5. Sim, é isso mesmo. É muito triste, mesmo, a imprensa escolher que ladrão ela vai desvelar, a PF escolher que ladrão ela vai investigar, a Justiça escolher que ladrão ela vai julgar, a República selecionar que ladrão ela vai punir e eu, e você, termos que escolher do lado de que ladrão nós vamos ficar.

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    6. Não, não fico do lado de nenhum ladrão. Se o mesmo for comprovadamente um ladrão, julgado e condenado, tem que pagar, como qualquer outro.

      Nill

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  3. Deputado o senhor usa luva de pelica. Adorei a resposta ou todas. Ninguém escapa da sua pena. Valeu!

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