28/11/2014

Morreu o Chaves

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Foi sem querer querendo”, "não contavam com a minha astúcia", “Cale-se, cale-se, você está me deixando louco”, foram frases que marcaram a geração das crianças do final do século XX. Todas cunhadas por Roberto Gómez Bolaños, o criador dos seriados "Chaves" e "Chapolin".

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Bolaños era o protagonista dos episódios das duas séries: em uma (Chaves) era o garoto Chaves, que morava dentro de um baú barril; na outra (Chapolin) era uma espécie de super-herói, o Chapolin Colorado, sem maiores superpoderes, mas que sempre encontrava meios para resolver os desafios postos.

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Quando eu fui informado, essa tarde (28), da morte de Roberto Gómez Bolaños, aos 85 anos, na cidade de Cancún, no México, imediatamente me veio a lembrança das minhas três meninas sentadas no sofá da sala, em frente à TV, divertindo-se com o humor despretensioso da turma do Chaves. Aquele era um programa diário e imperdível para elas.

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"O México perdeu um ícone, cujo trabalho transcendeu gerações e fronteiras", declarou o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto.

É fato que com os seus personagens, Bolaños fez “El chavo del ocho”, o nome original do seriado, ser o programa mais visto da televisão mexicana em todo o mundo: segundo a Televisa, que detém os direitos de veiculação, os episódios foram dublados em 50 idiomas e transmitidos em 98 países.

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Embora ainda com recursividade, Chaves foi perdendo torque à medida que a criançada do século passado virava adulto nas alvoradas do século XXI.

Chaves tornou-se sujeito passivo de uma das frases daquele bolero escrito pelo Lulu Santos e Nelson Motta, Como uma onda: “Tudo passa, tudo sempre passará”.

A criançada de hoje até que senta, por muito tempo até, na frente de um televisor, mas nas mãos está um console de videogame e os olhos vidrados na tela anseiam por sangue, muito sangue. A violência, quem diria, acabou virando cult.

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Eu imploro as minhas filhas, que no dia em que elas me derem a honra de ter netos (essa moçada de hoje em dia adia, sine die, o “crescei e multiplicai”) que não os deixem virar zumbis de videogame, ou eu ameaço sequestrá-los para um rancho na beira do Rio Tocantins, onde eles poderão ver onde plantei meus amigos, meus discos, meus livros, e os episódios de “Chaves”.

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Que a terra lhe seja leve.

6 comentários:

  1. Nenhum neto Parsifal? Acho que as meninas e os meninos estão pisando na bola.

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  2. nao contava com sua astuscia

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  3. Bela homenagem... agradecemos pelas crianças que habitam dentro de nós!

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  4. Só uma correção deputado, ele morava num barril.

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