18/04/2014

Morre Gabo, o gênio que escreveu "Cem anos de solidão"

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A recidiva de um câncer matou ontem (17), aos 87 anos, na Cidade do México, na minha opinião, um dos maiores escritores do século XX, o maior de língua espanhola dos últimos 50 anos e, ao lado de Machado de Assis, sem deméritos dos demais gênios do cone sul, como Borges e Cotázar, o melhor da América Latina até hoje.

Os mais de 60 milhões de livros vendidos em 36 idiomas e o Prêmio Nobel de literatura de 1982, pelo conjunto da sua obra, clássicos universais do século XX, autorizam as asserções acima.

Nascido em Aracataca, na Colômbia, Gabriel García Márquez foi criado pelos avós maternos. As prosas do avô, Nicolás Márquez, veterano da guerra civil colombiana (Guerra dos mil dias), e segundo Gabo, como era conhecido Gabriel, um exímio contador de histórias, foram determinantes na sua tez literária. Gabo confessou que os personagens da sua obra prima “Cem Anos de Solidão”, foram emprestados das histórias do avô.

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Aos 22 anos Gabo abandonou a Faculdade de Direito de Bogotá e fez-se ao litoral colombiano: mudou-se para a bela Cartagena das Índias (1948), onde iniciou a carreira jornalística, temperada com uma vida boêmia, sustentada com artigos que escrevia para um jornal local.

Em uma bela tarde de Cartagena, Gabo perambulava em uma livraria quando foi abordado por uma senhora que, em princípio, não reconheceu: era a sua mãe, atrás de ajuda para vender a casa dos seus avós maternos.

A volta à Aracataca volveu em Gabo o realismo fantástico que ouvia dos avós nas noites escuras da sua terra natal. Em “Viver para contar”, sua autobiografia (2002), Gabo confessa que aquele retorno foi a decisão mais importante de sua vida.

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Foram as noites de Aracataca, em tenra idade, o alicerce sobre o qual o gênio escreveria os seus clássicos: “O outono do patriarca”, “Amor nos tempos do cólera”, “Crônica de uma morte anunciada” e a obra prima, com 40 milhões de exemplares vendidos, “Cem anos de solidão”, uma verdadeira epopeia fantástica da alma latino-americana, narrada através das sete gerações da família Buendía, na cidade de Macondo, nome que Gabo emprestou de uma enorme árvore típica da Colômbia, parecida com a nossa Samaumeira.

Mas na verdade, a grande inspiração para Macondo foi a pequena aldeia de Aracataca.

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Gabo militou politicamente, mas nunca arriscou uma candidatura. Rendia-lhe pesadas críticas de colegas a sua amizade com o ditador cubano Fidel Castro, aos quais ele respondia que não defendia a ditadura cubana, mas era amigo pessoal de Castro que, nos anos 60, quando a Revolução cubana triunfou e foi criada, em Havana, a Prensa Latina, o contratou como jornalista.

gabo

Que a terra lhe seja leve…

13 comentários:

  1. Estou achando...só achando que a cada foiçada...o nosso Mundo fica mais pobre. Será ou a isso se chama nostalgia?

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  2. Menos um comuna no mundo!!! Otimo!

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    1. De onde você tirou a informação de que Gabo era comunista? Ele sempre se declarou um democrata convicto.
      Eu tenho alguns amigos que fumam maconha, mas eu nunca fumei nem cigarrilha de mentol.

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    2. "Já casado e com dois filhos, nos anos 1960, errou pelo sul dos EUA, mas não conseguiu visto de permanência por ser filiado ao Partido Comunista. Ele só retornou aos EUA em 1971, para receber o título de doutor honoris causa da Universidade de Columbia.

      Fiel ao comunismo e aliado dos cubanos, criou em Cuba um curso de cinema pelo qual passaram alguns realizadores brasileiros..."

      Quem é filiado a partido comunista e não é comunista é o que?
      Ainda que não seja, menos um no mundo que apóia o regime sanguinário cubano e só isso já é motivo de alegria pra qualquer ser humano de bem!

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    3. A informação do Estadão é totalmente equivocada. Gabo jamais foi filiado ao PC. Em 1961 Gabo foi para os EUA, não para "erra pelo Sul dos EUA", mas radicou-se em Nova York, como correspondente internacional da Prensa Colombiana.
      Como os EUA ainda viviam a sobra do macartismo do anos 50, quando até o Charles Chaplin foi taxado de comunista, a ligação de Gabo com Fidel o fez ser vigiado pela CIA. Também é errada a informação de que ele não conseguiu visto permanente nos EUA, pois tal tipo de visto não existe - há o visto de trabalho, que é o que ele tinha como correspondente.
      Devido à marcação da CIA Gabo se mudou para o México.
      E sim, Gabo criou, a convite de Fidel, de quem era amigo pessoal, A Escola Internacional de Cinema e Televisão, onde foram formados vários cineastas da América Latina, Caribe, Ásia e África, e por onde passaram, como professores visitantes, vários cineastas brasileiros, um americano, Woody Allen e o japonês Akira Kurosawa.
      Fale por você. Você se pode sentir bem pela morte de alguém, seja ele de que partido ou credo for.
      Os outros "seres humanos de bem" deixe-os livres para sentirem o que quiserem.

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    4. São livres, mas deixe-me a vontade para ficar feliz quando desse mundo se vão...

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    5. Deixo. Mas se o requisito para a sua felicidade é a morte de comunistas, ainda não foi dessa vez que você ficou feliz, pois falar que Gabo era comunista é uma grande piada. O cara era o maior capitalista dentre os escritores da sua geração. Deixou uma fortuna calculada em cerca de US$ 80 milhões em espécie além de imóveis em vários países. E os direitos autorais da sua obra continuam rendendo cerca de US$ 250 mil por mês.
      Quem deve estar feliz mesmo são os herdeiros.

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    6. Então foi o famoso comunista caviar... tipo Chico, Niemeyer!

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  3. todo mundo acho otimo ser amigo do fidel mas morar lá ningm quer... hipócritas!

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    1. Embora eu não seja amigo do Fidel, também não quero morar em Cuba, mas acho Havana e o povo cubano ótimos, e por isso vou sempre lá. Também não quero morar em New York, Paris, Londres, Moscou, Munique, Berlim, embora eu ache as cidades ótimas e não seja amigo de ninguém importante por lá.
      Morar é algo que independe de amizades com quem manda no pedaço.

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  4. Adorei a postagem Parsifal, sou uma admiradora deste maravilhoso escritor, Gabo.

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  5. Lembro do trabalho que fiz e que apresentei baseado no livro dele "Los funerales de la Mamá Grande, eras ele era o maior contador de histórias, tinha uma enorme facilidade pra isso, #Gaboteechodemenos. Me emocionei lendo sua postagem Parsifal. Obrigada.

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    1. Olá Kamila. Li praticamente todos os livros do Gabo, mas nunca lhes li os contos, que me dizem que são ótimos.

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