05/03/2014

A crise da representatividade política no mundo

sara

O relatório “Protestos Mundiais 2006-2013”, elaborado pelos cientistas políticos Sara Burke, Isabel Ortiz, Mohamed Berrada e Hernán Cortés, para a Fundação Friedrich Ebert, do Partido Social-Democrata alemão, que compilou dados de manifestações populares em 87 países, desnuda a gênese dos protestos e revela que as grandes potenciais manipulam os eventos aos seus interesses, em países onde elas os possuem.

O relatório confirma o perfil que apontam as pesquisas locais sobre as manifestações: os governos “estão fracassando no atendimento das necessidades de suas populações e no combate às desigualdades”, portanto, embora as manifestações surjam por questões pontuais, elas rapidamente descambam para a difusa insatisfação com os governos.

O trabalho constata que, embrionárias em 2006, as manifestações recrudesceram a partir de 2010, na esteira da crise financeira de 2008-2009.

Mas a retomada das economias locais não cessou os movimentos, porque o que há é uma crise da representação política: os eleitores não se sentem representados e isso é mais forte nos países que não têm representações partidárias sólidas e programáticas e os partidos não passam de uma aglomeração de políticos de diversas tendências e pensamentos.

> Reforma política

Bato nessa tecla há algum tempo. O culto à personalidade, necessário na formação dos povos, que então precisavam de uma referência pessoal que os liderassem, passou a ser, nas democracias modernas, um estorvo que as devolve às proto democracias, onde o salvador da pátria era o ideal do voto.

O Brasil precisa reformar o sistema político para que o eleitor vote em ideias e programas e não em pessoas, pois essas são apenas os elementos que irão executar os programas estatuídos partidariamente, tornando eficaz, dessa forma, o controle popular daquele que não dançar conforme a música colocada para tocar na campanha.

Da forma como fazemos hoje, não há compromisso político entre representado e representante, pois um não se sente responsável pelo outro e a campanha não é o estabelecimento de um pacto político a ser exercido no mandato, mas tão somente um processo midiático em nada diferente do lançamento de um produto no mercado.

Sara Burke, uma das autoras do relatório, concedeu uma rápida entrevista ao jornalista Marcelo Silva, que você pode ler aqui.

O relatório completo (em inglês), pode ser lido aqui.

2 comentários:

  1. Dentro do tema, muito bem escrito e acertando no ponto...estamos todos, todos doentes!
    http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/03/opinion/1393852189_834821.html

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