13/09/2013

Ecos de Chaves

Dois comentários, postados em “A gestante de Chaves repete a adolescente de Abaetetuba”, que mereceram vir ao FrontPage:

> A conivência dos que julgam e a miopia dos que fiscalizamShot007“O caso de Chaves evoca o romance ‘Marajó’, do grande escritor paraense Dalcídio Jurandir, pela naturalidade com que os direitos humanos permanecem desconhecidos na vastidão deste arquipélago. Não entendo como tantos podem defender governos eleitos democraticamente no século XXI, se estes governos ainda acham natural a submissão total dos mais pobres aos caprichos dos que mandam (com a conivência dos que julgam e a miopia dos que fiscalizam)”.

> Por que?

Shot008

“Que me perdoem os membros da sociedade protetora dos animais, mas por que no estado do Pará se pune com mais severidade quem maltrata cães, e com muito menos quem maltrata e humilha seres humanos? Inclusive uma mulher e um bebê de apenas 11 meses!”.

Leia todo o comentário aqui.

10 comentários:

  1. Com todo respeito caro deputado, mas essa resposta só os senhores políticos podem responder... Mas ainda reforço a pergunta: por que nesse país não se muda as leis para "menores" bandidos? Por que nesse país ainda existe voto obrigatório? Por que nesse país se permites ongs estrangeiras vir dar pítaco na nossa segurança, como por exemplo os malditos direitos humanos que só beneficia bandidos e assassinos? Então meu caro deputado, será que um dia teremos orgulho de ser brasileiro?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meu caro Leonardo, os pontos que você coloca, e deseja que sejam adotados pela legislação, não são pacíficos na nação. Há centenas de milhares de pessoas que discordam da redução da maioridade penal, que concordam com o voto obrigatório, que opinam a favor das ONGs, que apoiam os direitos humanos (e os direitos humanos não só beneficiam bandidos e assassinos).
      Eu tenho o maior orgulho de ser brasileiro e, apesar de conhecer os mais diversos países do mundo, não saio do Brasil nem para o exílio: se um dia alguém ameaçar novamente a nossa democracia, fico aqui e luto por ela de novo.

      Excluir
  2. As postagens são totalmente pertinentes. Os governos de quaisquer partidos são empresas de curta duração e que lançam candidatos como se fossem produtos mascarados pela publicidade. Depois essa mesma publicidade vai lançando factóides para desviar a atenção de fatos como esse.
    Só o acesso a uma educação de qualidade fará com que eleitores mais conscientes do poder que carregam. Irá mudar isso.
    Será que um dia iremos ter isso. Como já tivemos?

    ResponderExcluir
  3. Caro Internauta do Arari;

    Me ofereço para dar a você uma explicação sobre o fato de haver mais interesse em defenderem cães de rua do que seres humanos; porém terei de buscar uma comparação com a arquitetura digital dos computadores - um assunto que não é de minha especialidade, e que portanto me impõe o cuidado de ser breve para não parecer pedante. O Parsifal tem um amigo que é fera no assunto e eu não posso bobear.

    Os que deveriam ocupar este "vazio" no placar entre gente x cães no Pará, seriam os deputados da base do governos, juízes, promotores públicos e a grande imprensa; entretanto todos se manifestam ou recuam diante de uma espécie de "sintonia digital amarela" com os controladores do poder econômico e da política. É tudo ou nada. É zero ou 1. Falam ou calam-se. Como se cada um tivesse implantado no cérebro um "cache", para conferir bem aquilo que vai fazer, com as informações instruídas pelo "processador controlador", quais sejam entre "cache hit" ou "cache miss".

    Ontem durante o julgamento dos tais "embargos infringentes" no Supremo tribunal Federal, percebi que a "sintonia digital vermelha" finalmente foi conquistada na mais alta corte do judiciário. Agora sim está tudo dominado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O sistema binário, core da ciência computacional, é uma limitação que o cérebro humano tem o desafio de romper, pois a natureza básica do ser humano é a bipolaridade, e quanto mais primária é a natureza, mais dicotômica será a bipolaridade: é Remo ou Paysandu, Jader ou Jatene, PSDB ou PT, PSDB ou PMDB, republicanos ou democratas, à direita ou à esquerda, e etc.
      Enquanto o cérebro humano não fizer um upgrade será absolutamente fácil programá-lo com base na bipolaridade. Enquanto a política for exercida de forma básica, será fácil para o governo programar o cérebro da sua base, com base na bipolaridade, e a oposição, idem, reagirá com o sistema bipolar.
      A sociedade, no atual estágio, ainda é bipolar: eu defendo cães, outros defendem gente, eu defendo as focas, outros defendem as baleias, e cada um exercerá o seu raciocínio conforme o polo no qual se encontra, e a bipolaridade também sabe ser cruel: quem não estiver em um dos polos e começar a ser preemptivo, sofre preconceito. Os gays que o digam.
      Veja o seu próprio exemplo. O STF tem que condenar todos os réus à máxima pena possível e ponto final: é o 1. Se absolver alguém, o 0, será execrado. Os embargos infringentes seria o meio termo, nem tão pouco, porém não tanto. Seria o 0,5, mas como somos bipolares, não concebemos essa fração e achamos logo uma explicação para um número tão estranho: "sintonia digital vermelha".
      Mas há índices de que o upgrade está vindo. Que viva o upgrade, então.

      Excluir
    2. Parsifal;

      Você acha? Embora eu não tenha dito que devam "condenar á pena máxima" essas palavras são o que você imagina eu estar pensando. Mas eu sou analógico mesmo.

      Ao ver os argumentos do ministro Luis Barroso numa troca de alfinetadas com o ministro Marco Aurélio, percebi que o primeiro rejeitou totalmente qualquer tipo de reflexão sobre o que pensa a maioria das pessoas desta nação em relação ao STF. Nos Estados Unidos juízes nomeados para a suprema corte tradicionalmente são pessoas de quem a imprensa e a sociedade precisam conhecer muito bem o perfil, o que elas pensam sobre assuntos polêmicos, etc. Também lá são indicados em função de segmentos extremamente representativos da sociedade - o que não deixa de ser uma forma política de contemplar um segmento da nação.

      É possível que o Lula tenha tentado isso quando colocou lá o ministro Joaquim Barbosa - para satisfazer assim uma espécie de quota racial. Provavelmente se arrependeu e, em função do mensalão, agora a tática mudou. Esse time que está entrando agora se acha dentro de um santuário completamente isolado do pensamento da sociedade. Um Olimpo de onde não há a menor percepção das vozes dos pobres mortais lá do vale.

      Excluir
    3. Não houve intenção de adivinhar o que você pensa: apenas ilustrei como somos bipolares usando como exemplo a sua opinião sobre o que ocorre no STF.
      A nossa equivocada opinião, que é outra bipolaridade, de achar que no Brasil é assim mal passado, e nos EUA é assado, bem passado, é algumas vezes equivocada.
      O processo de escolha dos juízes da Suprema Corte é absolutamente igual ao do Brasil: há pesada influência política, lobby da poderosa classe de advogados, lobby religioso, lobby do Poder Judiciário, lobby da imprensa, lobby da poderosa associação de armas, enfim, lobbies mil.
      O presidente da República, depois de toda essa confusão, nomeia e submete ao Senado, tudo como no Brasil.
      A única exigência para entrar na corrida é o notório saber jurídico, como é no Brasil (não há como negar o notório saber jurídico dos nossos ministros do STF).
      A Suprema Corte é absolutamente fechada a qualquer influência popular: as sessões não podem ser transmitidas, os juízes não dão entrevistas, e quando o caso a ser julgado é de repercussão nacional as sessões do julgamento são secretas para que ninguém saiba como votou esse ou aquele juiz. Só sai um acórdão assinado pelo presidente.
      A máxima romana "o juiz julga pelos autos" é praticada à exaustão pela Suprema Corte. A Justiça tem que obedecer ao processo e não ao povo. Quem tem que ouvir o povo é o Congresso e, ouvindo-o, modificar as leis e o processo e aí a Justiça continuará a obedecer cegamente (por isso a venda) a nova lei.
      Se quisermos que o clamor popular decida, que então seja modificada as leis penais para colocarmos os réus na praça e fazer aquela famosa pergunta bipolar: culpado ou inocente? E está decidido.

      Excluir
  4. Parsifal;

    O que há de execrável no STF? Estão basicamente tentando reescrever a história do primeiro combate entre o bem e o mal neste planeta, lá no jardim do Éden, como diz a Bíblia, só que às avessas.

    Marcos Valério - já rotulado como o 'operador do mensalão' - seria uma espécie de 'enviado do senhor das trevas' para seduzir pessoas íntegras a se empanturrarem do fruto da árvore proibida e assim em meio a um denso nevoeiro, serem estas injustamente acusadas de terem se locupletado com uma rede de transações fraudulentas com dinheiro público. As criaturas seriam inocentadas e o 'secretário do diabo' pegaria 40 anos de cadeia pela infeliz ideia que teve.

    ResponderExcluir
  5. "Era uma vez um czar naturalista
    que caçava homens.
    Quando lhe disseram que também caçam borboletas e andorinhas,
    ficou muito espantado
    e achou uma barbaridade."
    Drummond

    ResponderExcluir

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.