A Chancelaria brasileira revelou essa tarde (18) que duas brasileiras que retornavam de uma visita turística ao Mosteiro da Transfiguração (Mosteiro de Santa Catarina), no Egito, foram sequestradas por beduínos, quando voltavam ao Cairo.
As duas estavam em um ônibus com mais 43 brasileiros quando um grupo de seis beduínos armados forçou a parada do transporte e perpetrou o sequestro.
> O Mosteiro da Transfiguração
O Mosteiro da Transfiguração é uma construção bizantina erigida no sopé do Monte Sinai, por ordem do imperador Justiniano I, no século quinto.
O mosteiro, além de guardar relíquias inestimáveis da mitologia cristã, é o mais antigo do mundo em uso para a finalidade original.
É um dos mais sagrados lugares cristãos, principalmente para os coptas, pois exatamente ali, é suposto, teria florescido a “sarça ardente”, onde Moisés teria recebido, de Deus, as Tábuas da Lei.
Por lá também passou o profeta Maomé, que por ter sido bem tratado pelos monges ortodoxos em meio ao nascimento do islamismo, prometeu-lhes proteção Ad infinitum, tabu que os mulçumanos cumprem: os monges da Transfiguração são intocáveis e qualquer islâmico tem a obrigação de defender-lhes a vida com a própria morte.
> Península do Sinai: uma área de crescente periculosidade
Autoridades do Ministério do Interior do Egito acreditam que os sequestradores são beduínos extremistas que pressionam a Junta Militar que governa o país a renunciar.
A Península do Sinai é uma zona de crescente periculosidade. Este é o terceiro sequestro de turistas este ano na região e o segundo envolvendo brasileiros.
> Beduínos: tribos apátridas que vagueiam pelos desertos
Os beduínos são tribos nômades apátridas que vagueiam pelos desertos do Oriente Médio e norte da África. A maioria é pacífica e perambula, no Egito, pela Península do Sinai vendendo e comprando ovelhas.
Alguns membros das tribos, todavia, formaram bandos que estão em “guerra” contra o governo egípcio desde que, em 2004, alguns dos seus foram presos sob acusação de atentados que mataram cerca de 130 pessoas no Cairo.
Desde então os beduínos sequestram pessoas nas suas rotas de peregrinação para troca-las pelos companheiros presos.
O Ministério do Interior do Egito e a Embaixada Brasileiro no Cairo estão negociando a libertação das brasileiras.
Foto do Mosteiro: Berthold Werner/ Wikimedia Commons
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