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O tesouro afegão

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Nos anos 80, quando a União Soviética ocupava o Afeganistão, os geólogos russos trabalhavam tanto quanto os soldados do exercito vermelho: procuravam localizar o que os afegãos chamavam de "Tesouro Afegão".

Quando os cossacos bateram em retirada, os afegãos capturaram as cartas geológicas elaboradas.

Sem saber o que fazer com elas, deixaram-nas empoeiradas até 2004, quando o exercito norte-americano se derramou sobre Cabul, cuspindo fogo atrás de Osama Bin Landen.

A Rússia franziu as sobrancelhas, mas não tinha meios para conter o avanço estadunidense e nem profusão de contra espionagem para impedir que as cartas geológicas lhes caíssem às mãos.

No inicio de 2010 o presidente afegão, Hamid Karzai anunciou que o país estava prestes a descobrir reservas minerais que transformariam o Afeganistão em um dos maiores exportadores de minérios do mundo.

É que no emaranhado das montanhas, com a desculpa de catar Osama Bin Laden, os americanos encontraram o "Tesouro Afegão", que, convenhamos, vale muito mais aos EUA que o escorregadio terrorista.

Para fechar o cerco, lê-se nas paginas do New York Times, uma entrevista do comandante em chefe das forças americanas no Afeganistão, general David Petraeus, que os geólogos localizaram "reservas de cobre, ferro, ouro, cobalto, nióbio e lítio" no país, e que o valor destas descobertas é inestimável.

Os economistas correram em socorro do general e estimaram o inestimável: cerca de US$ 3 trilhões.

Os falcões da mineração mundial esfregam as mãos e organizam-se em lobbies para derrubar as belíssimas e inóspitas montanhas afegãs e transportá-las aonde possam ser vendidas.

Para isto, como são bonzinhos, prometem investir em infraestrutura, até porque sem esta não há como estabelecer a logística necessária para basculhar as riquezas.

A França, comme il faut, quer entrar na festa, mas precisa fazê-lo com savoir faire: providenciou uma conferência internacional para 20 de julho, em Cabul, para definir políticas de exploração do minério afegão.

Mas, o Indiana Jones é americano, e está com os mapas das minas: conta o New York Times que só em lítio, o mineral que faz a bateria do seu celular, há no Afeganistão reservas maiores que na Bolívia, que possui as maiores quantidades conhecidas do minério.

Acho que vou tentar vender esta postagem para o Oliver Stone, pois isto dá um ótimo filme.

Comentários

  1. E a pobre tucuruí? como anda? nobre deputado?

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  2. Depende do ponto de vista e do que você embute na perguta.
    Eu nunca a olhei como "pobre Tucuruí". Mas, há olhos para tudo.

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