06/09/2017

Os crimes de Joesley e o ocaso de Janot

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Já era dito à boca pequena que o empresário Joesley Batista subtraíra trechos de áudios que foram entregues à Procuradoria-Geral da República.

Rodrigo Janot, na ânsia de amolar os bambus (é dele a frase “Enquanto houver bambu, lá vai flecha”, referindo-se a sua sanha de relativo paladino) não se rogou a uma análise menos apaixonada dos áudios, desatentando ao fato de que a perícia, embora afirmando que os trechos vivos não tinham sido manipulados, apontava trechos apagados.

Joesley Batista articulou uma delação conveniente mais a sua carreira criminosa e menos à Justiça, revisitando a malandragem tucana do então ministro da Fazenda do Brasil, Rubens Ricupero no famoso “Escândalo da parabólica”, na base do "Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.".

Joesley escondeu o que era ruim para ele e isso é obstrução à Justiça, principalmente porque ele negociava com a própria, eis que o Ministério Público é uma das colunas que erguem o templo.

Por menos que isso o STF, em lavra do finado ministro Teori Zavascki, decretou a prisão preventiva do senador da República, Delcídio do Amaral, a pedido do mesmo procurador-geral da República que, pelo menos em tese, foi ludibriado pelos irmãos Batista: Rodrigo Janot.

Os argumentos para pedir a prisão do então senador, lavrados por Janot ao STF foram que “o senador integrava uma organização criminosa que labutava para obstruir as investigações da Lava Jato, e fazer parte da organização seria um crime permanente, que está se desdobrando em todo o momento. Tem-se, assim, estado de flagrância”, eis que o estado de flagrância é um dos requisitos para prender preventivamente um parlamentar.

Emerge desse estribo que a sela, no caso Batista, é a mesma, pois que Joesley montou uma organização criminosa, inclusive tendo como um dos seus comparsas o procurador da República Marcello Miller, que dividia sala com Rodrigo Janot.

E qual o desiderato dessa organização criminosa? Arquitetar uma delação premiada, fundamentada em provas ardilosamente obtidas, com poder de fogo suficiente para obter leniência de todos os crimes pretéritos da quadrilha, usando, com a forja, instrumentos que ao mesmo tempo iludissem o Poder Judiciário ao intento pessoal dele e o obstruíssem na busca da Justiça que a sociedade clama.

E já que o entendimento do procurador-geral da República, aceito pelo STF para decretar a prisão de Delcídio do Amaral, foi de que a obstrução é um crime objetivamente continuado, não cessando dele a flagrância enquanto não desvelado, a ocultação dos trechos das gravações agora na superfície da lama, constitui crime continuado, pois a Justiça estava obstruída enquanto a ocultação persistia.

E posto isso, por que então Rodrigo Janot não requer imediatamente o cancelamento dos benefícios da delação dos irmãos Batista, concomitantemente com a decretação da prisão preventiva de Joesley et caterva, aos invés de primeiro, “diligentemente”, determinar a abertura de procedimento para apurar “se houve crime”?

Mandar averiguar se o Sol está quente ao meio-dia no meio do deserto para depois do pleonasmo dizer que o astro queima, é uma atitude no mínimo suspeita e só contribui para o descrédito de um tosco procurador-geral que cometeu o pior dos deslizes na sua liça: ficou com raiva de quem investigava.

5 comentários:

  1. Deixar para quem vai ocupar a vaga e assim verificar em velha ótica como é que fica!

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  2. O imbróglio é tão grande que é necessário assistir o mesmo filme muitas vezes e concluir que não está entendendo nada. Pobre de mim.

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  3. o janot,ja tinha conhecimento que a delaçao articula,por seu braço direito estava manca.mas a intençao dele era moer o executivo.e partiu pra cima.so que os deputados ja escaldado com taca que vem tomando.nao autorizaram o intuito de janot.desorientado e na eminencia de sair da pgr como chefe.so lhe restou seguir o conselho do ministro FUX.prender os seus colaboradores.

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  4. Parsifal, num momento tão complicado da vida do país, seus posts fazem falta pela ponderação e saber jurídico.

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    1. Devido a uma tarefa eventual, tenho estado sem tempo suficiente para as postagens. Espero retornar a regularidade a partir de outubro.

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