17/06/2017

Temer vai processar Joesley Batista por acusações em entrevista à ÉPOCA

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O presidente Michel Temer vai processar Joesley Batista por conta das acusações feitas contra ele em entrevista à revista "ÉPOCA", publicada desde ontem na edição online da revista e desde hoje (17), nas bancas.

Em longa nota publicada nesta manhã (17), Temer afirma que entrará na segunda-feira (19), com ações civil e penal contra o empresário.

Na nota, Temer, opina que as “mentiras” de Joesley Batista "serão comprovadas e será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil” e acusa o empresário de proteger "estrategicamente" o PT, eis que a sua fortuna se formou nos governos do PT, muito antes de Temer assumir a presidência da República.

A nota parte para as vias de fato ao afirmar que "o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira. Conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no exterior com o aval da Justiça. Imputa a outros os seus próprios crimes e preserva seus reais sócios".

E critica o acordo de delação premiada obtido por Joesley com a Procuradoria-Geral da República ao observar que ele obteve “perdão pelos seus delitos e ganha prazo de 300 meses para devolver o dinheiro da corrupção que o tornou bilionário, e com juros subsidiados. Pagará, anualmente, menos de um dia do faturamento de seu grupo para se livrar da cadeia. O cidadão que renegociar os impostos com a Receita Federal, em situação legítima e legal, não conseguirá metade desse prazo e pagará juros muito maiores".

A nota de Temer revela que a palavra de ordem do Palácio do Planalto é resistir aos golpes que vem recebendo e manter a ofensiva contra a JBS e PGR.

Abaixo, o inteiro teor da nota:

"Em 2005, o Grupo JBS obteve seu primeiro financiamento no BNDES. Dois anos depois, alcançou um faturamento de R$ 4 bilhões. Em 2016, o faturamento das empresas da família Batista chegou a R$ 183 bilhões. Relação construída com governos do passado, muito antes que o presidente Michel Temer chegasse ao Palácio do Planalto. Toda essa história de "sucesso" é preservada nos depoimentos e nas entrevistas do senhor Joesley Batista. Os reais parceiros de sua trajetória de pilhagens, os verdadeiros contatos de seu submundo, as conversas realmente comprometedoras com os sicários que o acompanhavam, os grandes tentáculos da organização criminosa que ele ajudou a forjar ficam em segundo plano, estrategicamente protegidos.

Ao bater às portas do Palácio do Jaburu depois de 10 meses do governo Michel Temer, o senhor Joesley Batista disse que não se encontrava havia mais de 10 meses com o presidente. Reclamou do Ministério da Fazenda, do Cade, da Receita Federal, da Comissão de Valores Mobiliários, do Banco Central e do BNDES. Tinha, segundo seu próprio relato, as portas fechadas na administração federal para seus intentos. Qualquer pessoa pode ouvir a gravação da conversa na internet para comprová-lo.

Em relação ao BNDES, é preciso lembrar que o banco impediu, em outubro de 2016, a transferência de domicílio fiscal do grupo para a Irlanda, um excelente negócio para ele, mas péssimo para o contribuinte brasileiro. Por causa dessa decisão, a família Batista teve substanciais perdas acionárias na Bolsa de Valores e continuava ao alcance das autoridades brasileiras. Havia milhões de razões para terem ódio do presidente e de seu governo.

Este fim de semana, em entrevista à revista "Época", esse senhor desfia mentiras em série.

A maior prova das inverdades desse é a própria gravação que ele apresentou como documento para conseguir o perdão da Justiça e do Ministério Público Federal por crimes que somariam mais de 2000 mil anos de detenção. Em entrevista, ele diz que o presidente sempre pede algo a ele nas conversas que tiveram. Não é do feitio do presidente tal comportamento mendicante. Quando se encontraram, não se ouve ou se registra nenhum pedido do presidente a ele. E, sim, o contrário. Era Joesley quem queria resolver seus problemas no governo, e pede seguidamente. Não foi atendido antes, muito menos depois.

Ao delatar o presidente, em gravação que confessa alguns de seus pequenos delitos, alcançou o perdão por todos seus crimes. Em seguida, cometeu ilegalidades em série no mercado de câmbio brasileiro comprando US$ 1 bilhão e jogando contra o real, moeda que financiou seu enriquecimento. Vendeu ações em alta, dando prejuízo aos acionistas que acreditaram nas suas empresas. Proporcionou ao país um prejuízo estimado em quase R$ 300 bilhões logo após vazar o conteúdo de sua delação para obter ganhos milionários com suas especulações.

Os fatos elencados demonstram que o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira. Conseguiu enriquecer com práticas pelas quais não responderá e mantém hoje seu patrimônio no exterior com o aval da Justiça. Imputa a outros os seus próprios crimes e preserva seus reais sócios. Obtém perdão pelos seus delitos e ganha prazo de 300 meses para devolver o dinheiro da corrupção que o tornou bilionário, e com juros subsidiados. Pagará, anualmente, menos de um dia do faturamento de seu grupo para se livrar da cadeia. O cidadão que renegociar os impostos com a Receita Federal, em situação legítima e legal, não conseguirá metade desse prazo e pagará juros muito maiores.

O presidente tomará todas medidas cabíveis contra esse senhor. Na segunda-feira, serão protocoladas ações civil e penal contra ele. Suas mentiras serão comprovadas e será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil. O governo não será impedido de apurar e responsabilizar o senhor Joesley Batista por todos os crimes que praticou, antes e após a delação.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República"

7 comentários:

  1. Esse ator, DELATOR premiado, entrou na moda a partir da Lava Jato. Mesmo já existindo a figura no arcabouço legal, pouco era utilizado.
    No mundo inteiro delator não perde o status de bandido, no Brasil, delatores são Estrelas Midiáticas e agra com os Batista, São heróis do Ministério Público. Um bando de meninos que assistiram demasiadamente, os seriados da Liga da Justiça, comandados por um oportunista que quer ficar famoso.

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  2. ta certinho o presidente.nao e possivel que o pgr da republica faça um acordo com o principal bandido.que levou bilhoes do bndes e esta livre.esse acordo e muito suspeito.eu nao sei como o senado aprovou o nome desse janot.ta na cara que as suas açoes e pra livrar os chefoes do pt.

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  3. Francisco Márcio19/06/2017 12:25

    Procura-se um honesto! O signatário do blog pode se habilitar ( respondo logo, eu não posso)?

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    1. Desde a época da Grécia antiga, Diógenes, com uma lanterna, procura um e não achou até agora. Antes porque, a honestidade, por regra, como vários outros atributos de caráter, não é um estado sólido, mas uma eventualidade.

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  4. Fora Temer, vai acabar o patrocínio pro "VEM PRA RUA" e pro "MBL" -
    NÃO À MANIPULAÇÃO

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  5. Delinquentes confessos em 254 crimes, desde o início, para qualquer pessoa minimamente isenta, este acordo soa estranho, o PGR e o Fachin foram de uma celeridade absolutamente foras dos seus padrões de trabalho. Não que existem santos nesse rolo todo, mas em sendo candidato ao governo de Minas, o Janot escancará essa vontade de destruir o Aécio. Repito que não há santos, nesse rolo, mas crimes por crimes, há Senadores com ficha corrida mais avantajada, sem que o senhor Janot use de virulência oportunista. Quem errou, quem corrompeu, quem deixou-se corromper, que traficou influência, quem transgrediu regras e favoreceu empresários, confrades e apaniguados para tirar da sociedade um dinheiro que já é curto, deve pagar. Acontece que a delação,os confessos 254 crimes praticados, a liberdade, sem contar com as incursões na Bovespa à véspera do anúncio da delação super premiada, formam um conjunto que não se encaixa. Gostaria de saber da opinião do Parsifal, como advogado de conhecimento fornido, e mesmo se lá nas terras do Tio Sam os Batista fariam algo semelhante.

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