17/04/2017

Goela muito aberta

O ex-executivo do grupo Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, responsável pela “Área de Operações Estruturada”, que realizava o pagamento de vantagens indevidas, principalmente à políticos, mas com índios, garimpeiros e até as Farc na planilha, entregou à Procuradoria Geral da República a movimentação financeira da área entre 2006, quando os valores começaram a ser “oficialmente” contabilizados”, até 2014, quando foi desmontado no olho do furacão da Lava Jato.

As planilhas demonstram uma movimentação de US$ 3,370 bilhões, o equivalente a R$ 11,5 bilhões em 8 anos, ou R$ 1,43 bilhão por ano.

De posse das planilhas, o jornal O Globo elaborou um infográfico que demonstra o crescimento dos pagamentos indevidos, que abaixo se cola:

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Emílio Odebrecht, em depoimento aos procuradores da República que o ouviram, disse que o “esquema de corrupção existe há mais de 30 anos”, no Brasil, o que não se deve desdizer, mas a profissionalização dele com o nível de sofisticação referente, foi a partir de 2006, quando se criou o dito departamento.

Sugere-se que, embora os cardeais do tucanato estejam listados nas planilhas, as “vantagens indevidas” passaram a ser um departamento especializado a partir do último ano do primeiro mandato do ex-presidente Lula (2006), e daí em diante os valores pagos passaram crescer com o vento na popa.

Os pagamentos chegaram ao ápice em 2012 e 2013, com US$ 730 milhões cada ano, o que levou Hilberto Mascarenhas a alertar o presidente do Grupo, Marcelo Odebrecht, de que o desembolso já representava um “suicídio” pelo seu alto risco operacional e pelo desgaste financeiro que significava.

Quando Emílio Odebrecht tomou conhecimento do tamanho da conta, foi até o ex-presidente Lula e advertiu-o: “o seu pessoal está com a goela muito aberta”. Lula, no entanto, não estancou a sangria.

Quando Marcelo Odebrecht, no alvorecer da campanha de reeleição de Dilma Rousseff, a procurou para participar a apreensão com investigações da PF que poderiam chegar aos pagamentos, a então presidente não deve ter dado a devida importância ao aviso.

Marcelo até que tentou prevenir, mas mesmo naquela ocasião, talvez não mais fosse possível remediar.

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