20/02/2017

Raduan Nassar, o Boca do Inferno moderno

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Rumorejou no Brasil e em Portugal o quiproquó na entrega da edição 2016 do Prêmio Camões de literatura ao escritor brasileiro Raduan Nassar, na sexta-feira, 17, em São Paulo.

O quiproquó foi protagonizado pelo escritor galardoado e o ministro da Cultura Roberto Freire (PPS-SP).

Ao receber o Prêmio Camões, Nassar encarnou Gregório de Matos, um dos expoentes do barroco luso-brasileiro, alcunhado de “Boca do Inferno”: desatou a descompor o governo Temer, passou por Alexandre de Moraes, indicado de Temer para o STF, a quem adjetivou como uma “figura exótica”, e terminou no próprio STF, criticando a decisão do ministro Celso de Mello de manter a indicação de Moreira.

Sem se rogar, Roberto Freire quebrou o protocolo – o último a falar em eventos do tipo é sempre o premiado – e acusou Nassar de cuspir no prato que acabava de lamber, pois investia contra um governo que acabava de lhe conceder a maior honraria literária do país, que além da medalha de honra é acompanhado de um cheque de R$ 50 mil.

Logo, nessa dicotomia mecânica que vive a nação, começou um movimento, sugerido por Freire, para que Nassar devolvesse o prêmio e o dinheiro e fosse cozinhar camisas e broches para o PT comercializar.

Nassar até que pode ir costurar camisas se quiser, mas não tem que devolver coisa alguma. O Prêmio Camões foi instituído por um protocolo celebrado entre a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil, portanto não é um prêmio concedido pelo governo Temer, mas por duas Repúblicas instituídas por Estados soberanos e Freire deveria saber a elementar diferença entre um governo e a República.

Posto isso, foram impertinentes os argumentos da réplica. Freire até poderia quebrar o protocolo e replicar Nassar, mas não com sustentação tão rasteira para o cargo que ocupa, pois, esse negócio de “quem fala o que quer ouve o que não quer”, tem limites de aplicação no protocolo da função que, algumas vezes, nos obriga a ouvir o que não queremos e nos impõe ficar calados pelos ossos do ofício.

A propósito, conheço de Raduan Nassar apenas duas obras e ambas são ótimas leituras: “Lavoura Arcaica” e “Um copo de cólera”.

2 comentários:

  1. Parsifal;

    O Roberto Freire foi 'sabatinado' pela equipe de jornalistas da BAND (Canal Livre) e meteu os pés pelas mãos, interrompendo perguntas e tergiversando longamente em suas respostas sobre este caso - para ao final não dizer nada, diante das cutucadas que levou por suas reações exasperadas durante a entrega do prêmio Camões do MC e por ter saído em defesa do ex secretário de segurança pública de São Paulo (futuro ministro do STF) que mandou baixar porrada em estudantes dentro de escolas ocupadas, classificando-o de democrata.

    Roberto Freire já foi um comunista, já esteve do mesmo lado daqueles que hoje ataca, usando as mesmas expressões deturpadas que ouviu dos militares em 64. É impressionante o poder do 'vil metal', desempenando a cabeça dos homens de esquerda até lhes colocar numa posição de extrema direita. O PPS é hoje uma legenda de aluguel servil à direita neoliberal deste país. Quem viu o Jordy de camiseta e calça jeans bradar do alto de carros-som contra 'as forças conservadoras' e hoje o vê encasacado num terno estiloso embarcando em jatinhos para reuniões com as elites empresariais e agrárias do país.

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  2. Confesso que nunca tinha ouvido falar desse Senhor, mas ultimamente algumas figuras do eixo Rio/São Paulo que contempla 93% dos contemplados pela Lei Rouanet, se arvoram em defender os petistas e denunciar um possível golpe que retirou a Dilma do poder que nem mesmo ela e figurões do Pt defendem.
    Ai fui pesquisar o porque de tanto deslumbre pelo partido da estrela vermelha. e bingo, achei a razão, esse menino em 2014 recebeu a pequena quantia de R$- 2.839.195,00 conforme Salic, essa quantia teve as contas rejeitadas pelo TCU e é alvo da CPI da Lei Rouanet que tramita na Camara Federal.

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