03/02/2017

De como o algoritmo do STF pinçou quem a Corte queria para relatar a Lava Jato

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O STF, assim como os demais tribunais do país, tem um sistema eletrônico de distribuição de processos que, alimentado pelas regras do procedimento, determina quem será o relator de cada entrada: é o que a imprensa resolveu chamar nos últimos dias de “algoritmo do STF”.

Na verdade, o sistema não é movido por um algoritmo que roda aleatoriamente, pois diversas regras de distribuição fazem com que magistrados sejam incluídos, ou não incluídos, no sorteio e há pesos específicos para cada ministro que podem fazer com que o sistema carregue mais em um do que em outro.

A ida do ministro Luiz Edson Facchin para a Segunda Turma do STF, onde caminha a Lava Jato e a posterior e imediata escolha do nome dele, no sorteio do “algoritmo do STF”, para ser o novo relator, levantou suspeitas de uma teoria da conspiração dentro do STF de que teria havido manipulação no sorteio para que o algoritmo “acertasse” Facchin.

É fato que Facchin já estava pré-escolhido, mas não é verdade que o sistema foi manipulado para indicá-lo.

A Segunda Turma é composta por um pequeno número de ministros: Celso de Mello, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e desde a sua ida para lá, o próprio ministro Facchin. Portanto, as probabilidades de cada um já era maior do que se o sorteio fosse feito em toda a composição da Corte, como queriam alguns membros. De antemão o ministro Celso de Mello, o primeiro preferido para a relatoria, declinou, sobrando quatro, o que aumentou ainda mais a probabilidade de cada (25%).

Uma das rotinas de carregamento do sistema, que faz a agulha da roleta apontar mais para um que para outro, é a quantidade de processos que cada possui na Turma e foi este o ponto crucial que fez com que o algoritmo acertasse o que estava pré-definido: como Facchin era recém-chegado na Turma, obviamente o sistema, sem maiores cálculos, chegaria nele primeiro.

Até mesmo se o sorteio fosse feito com todos os membros, as chances de Facchin seriam maiores percentualmente do que todos os outros, pois quando Joaquim Barbosa deixou o STF quase um ano se passou para a escolha do seu sucessor, que foi exatamente Luiz Edson Facchin.

Nesse interim em que a Corte funcionou desfalcada, o sistema de distribuição foi carregando os demais ministros e quando Facchin chegou, o peso específico dele para receber processos passou a ser mais alto que os dos demais, para compensar os carregamentos anteriores.

Foi assim que se deu a fome com a vontade comer e o algoritmo elaborado muito antes de Sergio Moro converter o primeiro esguicho da Lava Jato talhou, de revestrés, mas dentro das regras, a beca costurada para Facchin.

Um comentário:

  1. O lado insólito da violência no Pará:

    Toda vez que o assunto em pauta é a chacina do início deste ano, a sociedade em pânico se pergunta onde está o governador do estado - o chefe da segurança pública... mas ele nunca aparece; ora sendo representado pelo seu general, ora pelo seu pastor protestante.

    Mas o que impede Simão Robson Jatene de mostrar a cara em público e prender os culpados por esta barbárie?

    Desde que a população do Pará aprendeu a só votar em libaneses para governar o estado - e já se vão 22 anos, com promessa de pelo menos mais 6 - a figura do 'Anhangá", uma entidade satânica amazônica, que segundo Almir Gabriel guiava o ex-governador Jáder Barbalho (aquele que lhe fez trocar o jaleco pelo paletó), foi substituída por um 'Djinn', o astuto e sombrio homenzinho que as lendas contam como autor de maliciosas traquinagens, sempre se escondendo em lamparinas e garrafas.

    Simão Jatene é o cara... o 'Djinn'... Era ele que guiava Almir Gabriel, que traiu o 'Anhangá' e fez um pacto com as entidades das trevas para se dar bem na política por tato tempo.

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