10/12/2016

A curva do vento

Shot 012

Eis que vaza à imprensa o primeiro anexo da delação premiada de um dos 77 executivos da Odebrecht. São 82 páginas, com a marca d’água “Documentação Sigilosa entregue ao MPF”: trata-se da delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho.

Já é praxe esses “documentos sigilosos” vazarem e o MPF não tomar providência alguma para apurar o crime.

Embora a imprensa tenha usado as tintas para colocar nas manchetes os delatados do PMDB, como Renan Calheiros, Moreira Franco, Eduardo Cunha, Eunício Oliveira, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima e o próprio presidente da República, Michel Temer, o anexo lavra delações em desfavor de mais de 20 políticos dos mais diversos partidos, dentre eles o atual presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o atual prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), ex-senador tucano que arrostava aos quatro cantos do Senado contra a corrupção do PT.

Embora Melo Filho distribua excremento nas principais salas do Congresso Nacional, a parte mais vultuosa da moeda, segundo ele, depois do PT, tinha destino na cúpula do PMDB do Senado e da Câmara Federal, o que guarda lógica estratégica, já que os dois partidos, além de então deterem a primeira e segunda maior bancada do Parlamento, eram os principais consorciados do governo.

No Senado, delata Melo Filho, o comando das negociações com a empreiteira era formado pelo triunvirato Romero Jucá (PMDB-RR), a quem foi entregue, “ao longo dos anos”, R$ 22 milhões, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eunício de Oliveira (PMDB-CE).

Na Câmara Federal, segundo o delator, outro triunvirato tinha o comando do PMDB: o então deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), Eliseu Padilha (PMDB-RS), atual Ministro-chefe da Casa Civil e Moreira Franco (PMDB-RJ), atual ministro de Estado da secretaria de Parcerias de Investimentos.

Como eu já postei aqui, como as principais lideranças do PT, e o próprio partido, já estão transformados em cinzas pela Lava Jato, em não havendo maiores repercussões midiáticas ou populares sobre lideranças de outras siglas, e em sendo o PSDB intocável na sua forma, a bola da vez seria o PMDB.

Eis, portanto, o portal se abrindo rumo àquele que é o maior partido do Brasil. Vejamos como, e em que rumo, a jurupoca pia.

Para ler o inteiro teor da delação de Melo Filho clique aqui.

4 comentários:


  1. Parsifal;

    Nas palavras da presidente do STF, "ou democracia (confiável) ou a guerra"... e eu já estou me preparando para a segunda opção. Acho que o Rio de Janeiro deveria sair na frente e se insurgir contra o governo. Não se pode esperar nada deste mar de corruptos governando o Brasil. Me diga como dialogar com políticos tão sujos e tão cínicos quanto o Jucá, o Renan e o Padilha? Para esses só existem duas alternativas: a primeira seria 15 anos numa prisão de segurança máxima, a segunda seria a deportação para o planeta marte.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo isso pode ser conseguido na democracia. A Dilma foi eleita na democracia e sofreu impeachment na democracia; os parlamentares aos quais você se refere foram eleitos na democracia foram eleitos na democracia e poderão sofrer as penas da lei na democracia. Podem não mais serem eleitos, também, na democracia. A democracia pode até deportá-los para Marte, pois é na democracia que o mundo tem sossego para os mais significativos avanços tecnológicos.
      É a democracia, também, a única opção para termos cidadãos educados politicamente, para saberem votar com lucidez, pois esta é uma das vantagens da democracia sobre a guerra: liberdade de expressão, exatamente o que estamos exercendo neste momento aqui.

      Excluir
  2. E Vossa Excelencia ainda era contra novas delacoes na lava jato. O show nao pode parar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nunca fui contra novas, e nem velhas delações da Lava Jato. Sou, e continuo sendo, contra a forma como elas têm sido conseguidas, através de prisões que se tornam ilegais pelo tempo, sem condenação prévia.
      Prisão para conseguir delação é uma ilegalidade. Se a única maneira de fazer justiça contra quem feriu a lei é ferir a lei, então o problema do país está muito além da Lava Jato.

      Excluir

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.