23/08/2016

À noite, todos os gatos são pardos

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A Veja publicou que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, está no menu de delação premiada do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que relatou, aos procuradores, um encontro que teve com o dito ministro, no qual esse lhe pediu uma inspeção e apresentação de solução em obras de engenharia na sua residência em Brasília.

Pinheiro enviou uma equipe de engenheiros à residência de Toffoli, que “constatou as avarias, relatou que havia falhas na impermeabilização da cobertura e sugeriu a solução”.

De posse do laudo e da solução elaborados pela OAS, Toffoli teria contratado uma empresa para executar a obra e pagado, do próprio bolso, os custos decorrentes.

Se o vazamento tivesse apanhado algum político, pipocariam repercussões, mas no caso tintas foram poupadas, afinal, se Toffoli pagou pelo serviço, “onde está o crime?”.

Esta mesma pergunta o STF se fez, indignado, ao tratar o vazamento. Contam as paredes da Corte que a apoteose do arranca togas foi quando o ministro Gilmar Mendes acusou e apelou ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que colocasse rédeas nos procuradores, pois “são eles os vazadores”.

Os apupos de Mendes fizeram Janot anunciar, ontem (22) à tarde, a anulação do acordo de delação com Pinheiro, o que é uma impropriedade, pois o réu, único, in casu, prejudicado, é também o único que não tem interesse nas goteiras, eis que assinou termo de confidencialidade lavrando que elas anulariam o acordo. Isso, aliás, todos os outros delatores assinaram, houve vazamentos, e a cláusula jamais foi executada.

O episódio ilustra a diferença de tratamentos entre demiurgos e mortais, pois centenas de vazamentos ocorreram na Lava Jato e não se fez escarcéu. Ainda, é cínica a pergunta referente de “onde está o crime, já que o ministro pagou a empresa que executou os serviços”.

Não se sabe se há crime, mas se sabe que há notícia de um, pois, afora não se saber se o encontro entre Pinheiro e Toffoli se deu quando aquele já era investigado, há o delatado deslocamento de uma “equipe de engenheiros” da OAS, que “constatou avarias e sugeriu solução”.

Se os serviços dessa equipe de engenharia não foram pagos por Toffoli, à OAS, aí está uma notícia de crime a ser investigada, pois um ministro do STF não poderia receber tal vantagem pecuniária.

Se a notícia não for devidamente investigada, o ex-presidente Lula está quite, pois, as vantagens que dizem que ele recebeu para as reformas de um apartamento e de um sítio que ele diz que não são dele, idem, não merecem investigação em nem constituem crime.

Só resta agora a imprensa, o STF, e o público em geral, exclamarem: ah, mas o caso do Lula é completamente diferente!!

Tudo bem, mas vamos investigar, para ver se à luz do dia diferem as cores, pois assim, no escuro, os dois gatos são pardos.

5 comentários:

  1. Francisco Márcio23/08/2016 12:11

    Dr. Parsifal, não provoque esse negócio de investigação... Deixe isso de lado... Quem tem telhado de vidro ( tá, eu sei que não devo/posso falar...)...

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    1. Assim como a Clementina foi feita pra vadiar, eu fui feito pra provocar.
      Você deve, e pode, falar o que quiser.

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  2. Francisco Márcio23/08/2016 15:40

    Eu até posso falar, mas não devo...

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    1. Eu sempre digo aos amigos, quando eles querem intentar valentias ineptas, que o homem inteligente sempre coloca a cautela na frente da valentia.
      Há coisas, que, de fato, não devem se ditas.

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    2. Isso é perfeição, parabéns Parsifal !

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