09/10/2015

Por mares nunca dantes navegados

Shot 004

A CDP não estava pronta para agir com o devido expediente em um acidente da magnitude ocorrida em Vila do Conde. Antes porque a mais fértil mente jamais pensou em tal sinistro.

Não obstante, como o Pará contribui com 90% das exportações de boi vivo do Brasil e isso sai por um porto da CDP, a empresa não poderá receber compreensão se não providenciar, doravante, expertise necessária para agir na mais remota possiblidade de algo similar ocorrer novamente.

As operadoras presentes nos portos públicos do Brasil, têm essa prevenção e o que valeu o porto de Vila do Conde nessas primeiras 72 horas críticas foi a ajuda dessas empresas.

Os funcionários da CDP foram admiravelmente dedicados. Reconheceram, desde a primeira hora, que enfrentavam o desconhecido, mas foram resolutos no enfrentamento do desafio.

Os órgãos públicos foram dedicados no foco de como seria atacado um adversário que a cada hora se mostrava mais poderoso: 4,9 mil reses em estado de decomposição, no fundo de um porto fluvial, dentro de um navio em cujos tanques se estocam 600 toneladas de óleo, onde o menor gesto errado pode detonar uma bomba orgânica cujas consequências são dantescas.

Os que espreitam reuniões recorrentes, agoniam-se. Certos estão os que reúnem exaustivamente e os que esperam impacientemente, mas quem enxerga o problema por dentro, quase desespera ao observar que a cada solução sugerida há uma legislação ambiental que a impede de ser operada.

Os verbos ao norte foram usados no passado porque o texto é uma prosa dos três primeiros dias e creio que ontem se fechou um ciclo: todos apropriaram-se da gravidade do problema e convenceram-se que se fazem necessárias, a partir de hoje (09), além de aptidões para entender que normas feitas para chuvas são imprestáveis nas tempestades, há momentos em que atitudes movem o que a aptidão não consegue provisionar.

Embora repita que a CDP é autoridade portuária e não opera navios e nem cargas, do ponto de vista factual, é o logotipo da empresa que está no porto.

Considerando isso, a empresa está pronta para marchar e não começou o trote ontem à noite porque a Semas não autorizou a operação.

Não há críticas, pois todos são merecedores de medalhas: a claudicância não é por má vontade, mas por zelo à legislação.

A empresa de salvatagem está contratada pelo clube de seguradoras e é uma das melhores do mundo na espécie. A CDP assegurou pagamento aos operadores laterais, que ainda não conseguiram contrato com as seguradoras. Os planos da operação estão entregues. Há falhas neles? Devem haver, mas nada que não possa ser retificado no decorrer da liça e já constatei que todos os envolvidos na operação têm expediente para nadar de braços cruzados.

Estamos prontos e com os ouvidos atentos, esperando o toque de ataque, mas a corneta não está nas nossas mãos. A empresa roga a quem pode empunhá-la que o faça. O crime agora é não soprar.

Sou todo ouvidos e que Deus seja louvado.

21 comentários:

  1. A exemplo do avião da TAP que ficou obstruindo uma das pista do aeroporto de val-de-cães por falta de um determinado equipamento. O senhor fala que jamais se pensou em tal sinistro, mas como não pensar isso em um porto? Em um barco adernar? Isso é o mínimo, ter um plano de contingenciamento de crise.

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    1. Não foi simplesmente um "barco que adernou". Isso não seria notícia e ocorre diariamente.
      Plano de Contingenciamento há, pois é obrigação legal. Mas não atentaram para o fato de que planos de contingenciamento de crise sem contingenciamento de elementos humanos e materiais para operar a crise, são só papéis. Está sendo providenciado em três dias o que deveria estar providenciado há 10 anos.
      Fundamenta-se tal atitude no fato da empresa ser autoridade portuária e não armadora, agenciadora ou operadora de navios e cargas, a quem cabe, no caso ao armador, resolver o problema que causou, mas está provado que em acidentes dessa magnitude, em o armador estando na Grécia, o agenciador no Rio de Janeiro, a operadora no Líbano e o dono da carga em São Paulo, enquanto não se busca todos para a sala, sobra para a autoridade portuária.

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  2. Então a culpa é da Semas?

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    1. Não. A Semas é uma autoridade ambiental, não pode passar por cima das normas legais pertinentes e está aberta às possibilidades de contorno para resolver a destinação da carga.
      É que o caso é inédito mesmo. Não há no Pará nenhuma área de tamanho suficiente, com licença ambiental vigente para receber a carga e estamos, todos, tendo dificuldade em ser resolutivos.

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  3. Não é momento de buscar culpados..as energias tem que ser canalizadas para dar solução aos problemas com presteza...ponto!

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  4. prezado Parsifal,
    trabalho com medições de vazão em uma empresa federal.
    Além da barreira de contenção e bombeamento do óleo, sugiro um estudo hidrodinâmico (saber como o rio se movimenta) - com medições de direção do rio, velocidade e modelagem.
    Assim, pra determinado horário da maré, saberias onde colocar as barreira pra potencializar os recursos e diminuir os impactos,pois imagino que a Cia das Docas não tenha equipamento e pessoal infinitos.
    Minha instituição já fez parceria com Cosanpa e CPH (porto de Bujaru).
    E Brasileiro só é acostumado à reclamar, mas nunca à contribuir (e nem votei no seu partido), mas devemos incentivar o republicanismo.

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  5. prezado Parsifal,
    trabalho com medições de vazão em uma empresa federal.
    Além da barreira de contenção e bombeamento do óleo, sugiro um estudo hidrodinâmico (saber como o rio se movimenta) - com medições de direção do rio, velocidade e modelagem.
    Assim, pra determinado horário da maré, saberias onde colocar as barreira pra potencializar os recursos e diminuir os impactos,pois imagino que a Cia das Docas não tenha equipamento e pessoal infinitos.
    Minha instituição já fez parceria com Cosanpa e CPH (porto de Bujaru).
    E Brasileiro só é acostumado à reclamar, mas nunca à contribuir (e nem votei no seu partido), mas devemos incentivar o republicanismo.

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  6. Muitos anos se passaram sem que eu esquecesse que é: Uma tristeza, uma infelicidade, ouvir meu nome na PATRULHA DA CIDADE. Não se esqueçam que o porto de Vila do Conde exporta bois, na outra ponta tem um porto que recebe bois. Perguntar não ofende: Será que eles não têm procedimentos para essas potenciais eventualidades? Sendo assim, deixa pra lá que eu sou caboclo, trouxa tupiniquim, à bientôt,

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    1. Acho que você é uma farsa: caboclo não fala francês.

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  7. Mais facil que um sorriso do Zenaldo, esse acidente na CDP, era pedra canta, em verso e porsa, pelas mandainheiras sublinheiras da vila de Maiauata. Só o presidente da CDP aue vive nas zoropas nao percebia.

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    1. Empreste-me o contato das "mandainheiras sublinheiras da vila de Maiauata". Elas ficarão bilionárias cantando para as empresas de prevenção de riscos e para as seguradoras.
      Ou você pode contratá-las e vender a preço de ouro o que elas cantam.

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  8. Francisco Marcio09/10/2015 21:26

    Dei nome aos bois ( desculpe o trocadilho), é preciso agir, e agir rápido. Têm-se 4900 reses se decompondo em uma praia urbana. Já imaginou todo esses gados podres na água? Cada minuto perdido, são dias de agonia para população prejudicada.

    Deixe pra discutir responsabilidades ( objetivas/subjetivas ), culpas ( direta/indireta ), depois... Agora aja! Já!

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    1. É muito boi para dar nomes.
      E o que você acha que estou fazendo de 6 às 2 da manhã? Agindo.
      Ou você acha que de braços cruzados se retiram 4,9 mil cabeças de gado do fundo, contêm-se 100 mil litros de óleo na superfície e 600 mil no tanque no fundo do rio, cerca-se o que vazou da contenção, limpa-se praia que sujou de óleo, luta-se com a Semas que só diz não (a minha última sugestão a eles foi levar o gado para a Lua), convence-se 3 mil pessoas a não fechar o complexo portuário, acha-se o armador que está em Beirut, o segurador e resseguradores que estão em Londres, Nova York e Paris (sem poder ir lá), contingencia-se R$ 200 mil por dia para pagar a conta, e para isso ter-se que comunicar a SEP, a Antaq e o TCU?
      E de quebra, ainda recebo, em cima dos bois, 100 ligações por dia de pessoas que querem assistir o círio no palanque da CDP quando esse palanque só cabe 50.
      Mas no início da noite comecei a retirar os bois (sem nomes mesmo), mas eis que a maré e a ventania me obrigaram a parar para recomeçar às 5 da manhã, pois a maré e o vento mandam mais que a Semas e o Ibama juntos.
      Como dizia a minha avó Ciló: quem procura acha.

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  9. Francisco Màrcio09/10/2015 22:53

    É o poder! Não é o que V.Exa quer? Então, toma que o filho é teu. Peça ajuda ao seu pupilo, afinal, ele é gente grande na área dos portos...

    Quanto a assistir o círio, vou lhe dar uma dica: diga aos pedintes que podem assistir a passagem da imagem peregrina, na CDP, com uma condição: vão sair da sé, juntamente com o Sr. na corda...

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    1. Não o incomodo com isso: como você disse, o filho é meu, eu é que tenho que acalentá-lo e, pelo menos até agora, estou dando conta da empreitada.

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  10. eu tenho pena dos bois que devem ter sofrido muito ao se afogar, mas agora que já morreram será que o prblema é tão terrivel mesmo? as baleias não morrem também? e ninguém tira as baleias mortas da agua. Deve haver animais na agua que fazem o mesmo trabalho que os urubus fazem em terra (até podem ser microbios) que se alimenta de cadaveres. Algum biólogo poderia ser consultado.

    um problema mais dificil que este é como fazer a mineradora Vale colaborar mais com o país, que tem sido extremamente generoso com ela, deixando-a tirar as riquezas minerais do nosso solo para fazer a alegria dos chineses e alguns outros orientais. Ao pagar o frete para a china, na verdade a Vale está vendendo para eles a preço abaixo do cobrado das empresas brasileiras. Se houvesse um imposto sobre exportação de minerio, especialmente sobre o de alto teor, seria um incentivo sem custo para que invistam em siderurgicas no pais. O Lula até queria isso mas desistiu, ou a Agnelli passou a conversa nele.

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    1. O dejeto é orgânico. Deixar a carga ali não causaria danos ao meio ambiente, pois estaria consumida pela biodegradação.
      Isso não seria problema se ocorresse em alto mar, onde não há aglomeração urbana por perto e a quantidade de água é infinitamente maior que em rio.
      Agrava a situação o fato de que nas margens desses rio moram pessoas que usam a água diariamente como meio de locomoção e sustento. Essas pessoas estão extremamente incomodadas com 4,8 mil bois em estado de putrefação, o que exala um odor insuportável na liberação dos gases.
      Se o gado não fosse retirado estouraria e os pedaços, antes de afundar, boiariam na baia e as marés as levariam às praias, e às margens e os moradores teriam o dissabor de amanhecerem com algumas toneladas de carniça batendo nas suas portas.
      Imagine-se no seu lazer, em uma das praias de Vila do Conde, e quando você mergulhasse batesse a cabeça em um cadáver bovino em putrefação.
      O porto de Vila do Conde teria que ser fechado à presença humana, e o seu movimento estaria prejudicado, até que os gases da putrefação se consumissem, e isso levaria uns 10 meses, pois não há fauna fluvial suficiente na baia para consumir tal quantidade de carne em menor tempo.
      Desastre ambiental não é apenas danos à fauna e à flora, mas também incômodos insuportáveis ao ser humano.

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  11. no link, contam o que acontece com cadaveres no fundo do mar. Entre os consumidores, estão as lagostas.
    http://www.megacurioso.com.br/corpo-humano/48171-como-sera-que-o-corpo-humano-se-decompoe-embaixo-da-agua.htm

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  12. Eu li que de gado morto por acidente e não por doença pode-se apreveitar a pele e a carne.
    No caso em foco, talvez seria temerario usar a carne para alimentação humana, mas cabe a pergunta: caro Parsifal, o senhor chegou a consultar frigorificos ou fabricas de ração para cães sobre o aproveitamento desse gado? Penso que o aproveitamento de pele para fazer couro e do sebo para fazer combustivel estaria garantido. Talvez para fazer sebo também nao haveria problema.

    Pelo link na mensagem anerior, uma solução barata seria trazer peixes grandes para que começar o serviço e depois lagostas, caranguejos para terminar o serviço.

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    1. Frigorificos só processam carne nas suas instalações abatidas. Fábricas de ração e sebo não tiram bois do fundo do rio ou do mar e não há nenhuma no Pará que recebesse tal quantidade de uma vez só. O couro não pode ser aproveitado porque entra em processo de putrefação após o terceiro dia na água.
      Na fauna fluvial da área não há peixes carnívoros e lagostas não vivem em água doce. Não há caranguejos suficientes na área para consumir 5 mil bois em três dias, antes que eles começassem a entrar em estado de putrefação.

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    2. dizem que o panga é alimentado com restos de cadaveres, não sei se é verdade.
      Mas nos rios deve haver animais que se alimentam de cadaveres, se não os rios estariam sempre fedendo. Mas nesse caso o serviço é demais para eles. Mas levar alguns para a area ajudaria.
      Se conseguem tirar a boiada da agua rapidamente, todas as ideias só podem ter utilidade economica. Mas será ue não vão levar muitas semanas para planejar essa retirada?

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