13/07/2015

Outro retrato em branco e preto…

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Os institutos de pesquisa continuam trazendo 2018 para 2015 e a mais de três anos da eleição presidencial publicam resultados que colocam a faixa no peito do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Depois do Datafolha antecipar a eleição de 2018, foi a vez do Ibope fazer a sua reverência aos tucanos e mostrar Aécio Neves vencendo Lula em um hipotético e futuro confronto.

Claro que a revelação de hoje se pode ter esvaído daqui a três anos, mas a tomada não pode ser desprezada ao demonstrar a fadiga estrutural em que se encontra o PT, sendo a mais perfeita tradução da afirmação de Lula de que o partido, ele e a presidente “estão no volume morto”.

Antes praticamente imbatível, Lula, segundo o Ibope, perdeu tento: perde para Aécio Neves e empata tecnicamente com Geraldo Alckmin, com Alckmin numericamente na frente.

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Um olhar mais atento à pesquisa revela o quanto Lula tem razão ao alertar a companheirada de que eles têm três anos para fazer chover, muito, sobre um reservatório outrora caudaloso: a foto mostra o lulismo reduzido à camada social onde o PT sempre teve essência e mesmo assim em percentual menor do que sempre auferiu.

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O tucanismo, através de Aécio Neves, vence o lulismo em todas as faixas do eleitorado, salvo quando se verifica a estratificação por renda e escolaridade.

Embora isso não modifique o resultado final, Lula vence nas faixas dos que ganham até um salário mínimo e que têm até quatro anos de estudo, o que é uma ironia eleitoral: foi no lulismo que essas faixas, que eram majoritárias, dando vitórias ao PT, se tornaram minoritárias, não mais conseguindo lhe evitar a derrota.

A inegável inclusão proporcionada pela política de aumento real do salário mínimo, aliada aos programas sociais de distribuição de renda, signos da era Lula e vetores das vitórias petistas, se esgotou com a consolidação de uma classe ascendente, que, ao ver ameaçadas as conquistas obtidas, volta-se contra quem proporcionou as políticas que lhes serviram de ponte.

Não há ingratidão aí, mas a fadiga de um modelo aliada às rachaduras do ícone, pelas marteladas aplicadas na reincidência dos escândalos de corrupção, que não são substratos apenas do PT, mas de um modo de fazer política que também se esgota, pelo processo de amadurecimento democrático. 

O PT paga por um pato que ele começou a depenar, mas não conseguiu enfornar, e a mira da rejeição popular se colocou sobre ele porque nas mãos dele está, já há 12 anos, o comando da intendência.

E o momentum político atual - escândalo da Lava Jato e dificuldades em uma economia recessiva - faz com que a população dê crédito negativo a qualquer coisa que venha do governo, do PT, ou dos políticos.

Na verdade, o eleitor, na malsinada dualidade em que se transformou o Brasil, e no descrédito político em que estão os comissários da República, escolhe o PSDB por exclusão do PT, o que faz do Brasil, ainda, um quê daqueles três derradeiros versos compostos pelo Tom e pelo Chico, em “Retrato em branco e preto”:

"Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração"

A pesquisa do Ibope foi realizada na segunda quinzena de junho e ouviu 2.002 eleitores em todo o País. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.

4 comentários:

  1. É a poderosa Rede Globo/IBOP já querendo definir o candidato da oposição para substituir a decaída Dona Dilma.
    Será o adeus Dilma?

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  2. "A inegável inclusão proporcionada pela política de aumento real do salário mínimo, aliada aos programas sociais de distribuição de renda, signos da era Lula e vetores das vitórias petistas, se esgotou com a consolidação de uma classe ascendente, que, ao ver ameaçadas as conquistas obtidas, volta-se contra quem proporcionou as políticas que lhes serviram de ponte. "

    será que é por isso que estão colocando freios nessa politica de inclusão?

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    1. Não creio, pois os freios pioram a equação.

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  3. A politica do dá pra receber como troco uma reeleição só funciona quando quem tem o poder não mete os pés pelas mãos, o PT atropelou a galinha dos ovos de ouro.
    Pobre o PT ou os petistas estão com a cara no chão, mas cheios da grana!

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