22/05/2015

Collor de Mello, o histrião

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É certo que a conduta do procurador-geral da República, nesse episódio da Lava Jato, tem sido passível de reparos pela seletividade de algumas providências, mas a família Collor de Mello é conhecida pela falta de papas nas atitudes. 

Em 1963, o senador Arnon de Mello (PDC-AL), pai do senador Collor de Mello (PTB-AL), disparou contra o senador Silvestre Péricles (PTB-AL), mas acabou sobrando para o senador José Kairala (PSD-AC): o segundo disparo de Arnon de Mello atingiu-o no abdômen e ele faleceu horas depois.

O quiproquó se fez em consequência de uma rixa entre Arnon de Mello e Silvestre Péricles, que alardeava nas Alagoas que mataria Arnon em função de um discurso que esse proferiu, rasgando-lhe a honra.

Ao saber do prometido, Arnon de Mello enfiou o seu Smith Wesson 38 na cintura e anunciou que assumiria a tribuna do Senado para desancar Péricles cara-a-cara.

Péricles conversava com o senador Arthur Virgílio Filho (PTB-AM), pai do ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) e atual prefeito de Manaus, quando Arnon entrou no plenário, provocando-o.

Ao ouvir a provocação Péricles não se rogou e bradou, levando a mão à arma que agasalhara sob o paletó: "Crápula!".

Arnon foi mais rápido no saque do seu Smith Wesson e disparou rumo a Péricles, que se jogou ao chão, escapando do alvo, já com seu Taurus 38 niquelado em punho, procurando a caça.

Ao ver a liça, o senador João Agripino (UDN-PB), tio do atual senador José Agripino (RN), pulou sobre Péricles, impedindo-o de premir o gatilho contra Arnon, que, incontinente, preparou o segundo disparo.

O senador Kairala, na tentativa de impedir o segundo disparo de Arnon, acabou por atravessar a linha de tiro desse e o projetil disparado encontrou-lhe o abdômen, dilacerando-lhe os intestinos e a veia ilíaca, o que lhe causou o óbito.

O Senado deu licença para que fossem processados Arnon de Mello e Silvestre Péricles, mas ambos, obviamente, foram absolvidos.

O Congresso, aliás, já foi palco de três tiroteios. Os outros dois foram protagonizados por deputados: Nelson Carneiro (MDB-RJ) x Estácio Souto Maior (MDB-PE, pai de Nelson Piquet) e Simões Lopes x Souza Filho (não lembro agora os partidos e estados deles).

Mas isso é outra história. O que eu quis demonstrar é que os Collor de Mello são atavicamente violentos e que o Senado, como se depreende da leitura, tem a sua dinastia familiar já com algumas gerações de prole.

4 comentários:

  1. ...aquilo roxo !

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  2. Como foram absolvidos? O pai do Collor matou uma pessoa e tentou matar outra!!!

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    1. Em 1963 era quase impossível condenar um senador da República.

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  3. parsifal, tambem quiseste demonstrar que o brasil é a merda que é porque os mesmos jumentos e seus filhos e sobrinhos que governam o país desde cabral...

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