01/04/2015

Ministério da Fazenda altera transcrição de áudio de Joaquim Levy em palestra

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Ouvi ontem (31) a parte expositiva do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde ele discorreu sobre a necessidade do ajuste fiscal.

Levy demonstrou apurado domínio do assunto e explicou, de forma extremamente didática, a necessidade e pertinência do ajuste. Caso o Congresso Nacional lhe negue suporte à empreitada, não terá sido por falta de entendimento da crise, mas por pura incontinência cívica.

Por falar em Levy, a palestra do ministro, em São Paulo, aos ex-alunos da Universidade de Chicago, continua a render mau colesterol para o governo.

Primeiro foi a repercussão da fala sobre a presidente Dilma e ontem a imprensa constatou uma alteração na transcrição da palestra, o que rendeu a demissão do assessor de imprensa no Ministério da Fazenda, o jornalista Fernando Thompson.

Joaquim Levy, em mais um surto de sinceridade, declarou que “no Brasil, a maioria das empresas não gosta de pagar impostos”. Na transcrição da gravação, o copista alterou a palavra “companies” (empresas) pela palavra “people” (povo) – a palestra foi ministrada em inglês -  talvez como forma de não arranhar a relação do ministro com a classe empresarial.

Quando a transcrição foi publicitada, a imprensa, que tinha gravado a palestra, captou a alteração e fez o que é a sua obrigação: publicou a adulteração.

O ministro foi eufêmico ao usar o termo “a maioria das empresas”. Nenhuma empresa gosta de pagar impostos e nenhum cidadão também. Mas não gostar não é problema, desde que pague. O problema é não gostar e não pagar: a sonegação no Brasil é uma vez e meia o PIB do Uruguai.

E só quem pode reclamar de imposto é o consumidor, pois é esse que, de fato, paga. As empresas apenas recebem o imposto do contribuinte e repassam para o Estado, pois cada centavo do tributo está na composição dos custos.

2 comentários:

  1. No país em que impostos se transformam em péssimos serviços à população, em contrapartida as benesses à "nobreza" política não tem fim.

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  2. Desnecessaria a alteração. Ninguém gosta de pagar imposto, pagamos por obrigação, nenhum empresário, assim como eu, o povo, ficaria contrariado com o ministro.

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