23/03/2015

As pedras no caminho de José Dirceu

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Em janeiro de 2003 eu acompanhava Ann, eleita deputada federal, em um jantar em Brasília que trataria sobre a eleição da Mesa da Câmara Federal.

Para abrir a pauta chegou o convidado mais esperado e o mais ilustre: José Dirceu, chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, que editou a vontade do Palácio e pediu licença para se retirar. 

A postura de José Dirceu no governo foi tão grande quanto a sua queda, em 2005, na esteira do Mensalão. Roberto Jefferson, que denunciou o esquema –sempre negado pelo PT – por conta de desarranjos intestinais, escolheu Dirceu como prato principal no banquete que proporcionou à nação. 

Quando José Dirceu, depois do rebojo sofrido, que culminou em pena de 10 anos de prisão, que hora cumpre em regime domiciliar, poderia intuir que “o pior já passou”, o seu passado volta-lhe a assombrar e dificilmente escapará de novo processo, desta feita por conta da Lava Jato.

O presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, preso em Curitiba, afirmou que descontava 2% das propinas pagas no esquema do Petrolão e os repassava a José Dirceu. Segundo Pessoa, os descontos e os respectivos repasses a Dirceu eram autorizados pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Um dos diretores da Camargo Corrêa que firmou acordo de delação premiada, afirmou que contratou os serviços de Dirceu como forma de manter a relação com a Petrobras alinhada.

Para completar o cerco, o juiz Sergio Moro divulgou, na semana passada, o relatório, da Receita Federal, das consultorias pagas a José Dirceu entre 2006 e 2013. Não ficou claro em que circunstâncias esse relatório foi obtido e divulgado, já que Dirceu ainda não é investigado.

Diz o relatório que Dirceu recebeu R$ 29,2 milhões à título de consultoria, dos quais R$ 9,5 milhões foram pagos por empresas envolvidas na Lava Jato, no período em que Renato Duque, preso em Curitiba, era o diretor de Serviços da Petrobras. Duque é apontado com tendo sido colocado na petroleira por Dirceu, o que ambos negam.

José Dirceu afirma que prestou as consultorias dentro da legalidade e nega qualquer conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.

Mesmo em sendo verdade o que Dirceu afirma, é missão quase impossível para um político convencer o mais néscio dos homens da sua inocência.

Nesses tempos em que vivemos – e não faço análise de mérito do “nesses tempos” –, o ônus da prova inverteu-se e a presunção da inocência é dogma que tem políticos como exceção.

7 comentários:

  1. Não se espante, ele é do PT, portanto faz parte da ptralhada!

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  2. É tão simples resolver esse problema. Basta ele apresentar os documentos comprobatórios dos serviços prestados. Relatórios, pareceres, entre outros, devidamente protocolados nas contratantes. Simples assim.

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    1. Copulatum et Malum Remuneratum23/03/2015 10:50

      É o poste mijando no cachorro. Não é Dirceu quem tem que se provar inocente. Quem tem que provar que ele é culpado é o acusador. Ou então concordemos todos com o anônimo das 08:58...

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    2. A apresentação dos relatórios e pareceres seria o direito ao contraditório, pois o ministério público já tem elementos contundentes para ligar os pagamentos à empresa do José Dirceu com os desvios na Petrobrás.

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  3. Este cidadão a muito é **** e graças ao pessoal do PT esta solto, portanto não é primeira vez que faz trambicagem, em um país sério já estaria preso a muito tempo! Uma vergonha.

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  4. Trezentos e cinquenta mil em media por mês....só desse pedaço e só nesses sete anos que vieram a luz....deve ter recolhido imposto de renda..pago iss..etc e tal que legal essa carreira política....isso é para quem sabe ...extorquir? essa é uma questão que surge no meio do raciocínio...pronto...chega!

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  5. Este é o PT, onde campeia a **** e alguns pensavam que este partido era de gente séria

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