28/07/2014

A ostentação da fé

Com 74 mil metros quadrados, altura equivalente a um prédio de 18 andares e capacidades para 10 mil pessoas sentadas, o que é três vezes mais que o maior templo católico do Brasil, (Basílica de Aparecida), e a um custo de R$ 680 milhões, a Igreja Universal do Reino de Deus (bispo Edir Macedo) inaugura o maior templo da América Latina e um dos maiores do mundo, na próxima quinta (31). A presidente Dilma Rousseff já garantiu presença no evento.

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O “Templo de Salomão”, erigido com as linhas arquitetônicas que lembram o primeiro templo de Salomão, ocupa todo um quarteirão do Brás, em São Paulo, e, embora um marco, segundo alguns urbanistas, de gosto de duvidoso, pela sua suntuosidade se deve constituir em um novo marco turístico de S. Paulo.

Clique na imagem para ver um infográfico sobre o templo.

5 comentários:

  1. Parsifal;

    Impressionante! O bispo Edir Macedo está reescrevendo a narração bíblica - tomou para si uma prerrogativa de Deus; depois disso só falta ser publicado o "O Novo VelhoTestamento - Parte II, seg. Edir macedo" trazendo de volta elementos que tiveram importância antes do Cristo. As pessoas - como sempre - procuram na grandeza das obras humanas aquilo que só iremos encontrar na paz que o Cristo veio trazer; uma paz que não tem nenhuma dimensão material.

    Tudo bem que construa os seus templos gigantescos, pois a igreja católica também fez isso e os evangélicos (que seguem muitos passos do catolicismo inconscientemente) também têm este direito. O 'neopentecostalismo' em sua essência é uma promessa de grandes prosperidades materiais; e os seus 'considerados', são induzidos a desdobrarem-se em esforços para financiar a megalomania do seu líder máximo. Vão dinheiros, voltam bençãos. Uma coisa tão diferente do catolicismo pré-reforma quanto um gato malhado é para um gato pintado.

    A presença da presidenta Dilma Roussef é tão importante quanto emblemática para a continuidade dos planos do bispo Edir Macedo. A presença de chefes-de-estado sugere um próximo passo: por quê não criar o Estado da Universal, um estado independente como o Vaticano. Resta saber como o futuro chefe do Estado Universal vai querer ser chamado. Mas antes disso, que tal a presidência da república?

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  2. Numa leitura mais superficial, pessoas não são (em tese) obrigadas a dar o dizimo a Edir Macedo, ou a Silas Malafaia ou ao Papa Francisco, esse não é o problema.

    Isso aqui é o problema:

    http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2013/06/ministro-suspende-campanha-com-mensagem-eu-sou-feliz-sendo-prostituta.html

    Já na Suíça...

    http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/07/novos-cartazes-de-prevencao-contra-aids-da-suica-provocam-polemica.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1


    Mas o mega-templo pode ser interpretado como aquilo que é: Uma demonstração de poder político, tal qual o foram as catedrais Góticas ou as igrejas Barrocas no seu tempo, né?

    boa noite, deputado

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    1. Não vejo problema nem no templo, nem no Edir Macedo, nem nos dois links que você me enviou, e nem vejo problema em você ver problemas neles: tudo é manifestação do pensamento humano e o esforço de projeção dele, seja através da arquitetura, da fé, ou da imagem.
      Sou extremamente tolerante, por isso sempre digo que eu seria um péssimo juiz, pois a minha tendência é absolver a todos.

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  3. Como isso é possível, deputado? Não entendo sua tranquilidade.

    Uma campanha de prevenção a AIDS foi abortada no Brasil por pressão da bancada evangélica, e era uma campanha voltada às profissionais do sexo, que são mais vulneráveis.

    Era uma campanha estratégica, o que aconteceu foi um absurdo, pus o link da Suíça pra ilustrar o quanto ainda vivemos na idade da pedra.

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    1. O fato de eu não ter preconceitos e estar tranquilo não significa que eu concorde com a pressão de quem quer que seja contra campanhas de âmbito humanitário e social.
      O que eu lhe repito é que não tenho preconceitos e isso significa que enxergo com naturalidade os contrários dentro da convivência democrática, pois o exercício da democracia é exatamente o exercício da tolerância, seja ela que matiz tiver. A tolerância sempre conduz ao consenso e a intolerância às guerras.
      Não vivemos na idade da pedra. O Brasil é um dos mais avançados países do mundo no que tange à tolerância e garantias de minorias. Nossas leis, nessa área, são mais avançadas do que a dos EUA e as da Suíça, de onde você buscou o exemplo.
      Essa campanha, que você ilustra, por exemplo, foi suspensa na Suíça, e o que a suspendeu foi preconceito. E isso não se constitui problema em uma democracia madura e tolerante, porque os suíços, com certeza, encontraram modos diversos para promover os mesmos fim, de forma a agradar, minimamente, a todos.

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