11/01/2014

O repouso do guerreiro

Embora de origem árabe, na querela entre esses e os israelenses, eu dou razão aos dois e não deixo de render homenagens a judeus valorosos, que lutaram pelo ideal da Terra Prometida.

> Ariel Sharon

Os israelenses perderam hoje um dos seus mais valorosos soldados e um dos maiores generais do século XX: o ex-premiê Ariel Sharon, morreu hoje (11), aos 85 anos, no hospital de Tel Hashomer, nas bordas de Tel Aviv.

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Sharon foi um dos fundadores de Israel, em 1948, e foi figura nuclear na consolidação do território: general de linha dura, passava por sobre tudo que ameaçasse a integridade da pátria.

A Palestina era um protetorado britânico, quando ali nasceu Sharon, em 1928, e como todos os habitantes da área, veio à luz com a querela árabe-israelense no sangue. Aos 14 anos, já era membro da milícia judaica Haganá, que combatia a dominação inglesa e defendia a formação do Estado israelense.

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Em 1948, quando Israel foi criado, os árabes reagiram e fizeram-se tropas para tomar o território: Sharon foi um dos comandantes de brigada do recém formado exército israelense no front.

> Sem prisioneiros

Na sua linha dura, bem ao estilo de “Bastardos Inglórios” de Tarantino, Sharon não deixava pedra sobre pedra quando arremetia o seu exército contra as tropas inimigas. Sua ordem era não fazer prisioneiros e foi acusado de vários massacres em ofensivas na linha de Gaza.

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> Rebeldia

Como o general norte-americano Patton, Sharon desobedecia ordens, ou não comunicava as suas ações. Foi uma dessas rebeldias que o fez renunciar a pasta da Defesa de Israel, quando ele, em 1982, sem a autorização do premier Menachem Begin, em retaliação a ataques com mísseis que vinham dos arredores de Beirute, lançados pela OLP, reuniu o exército e, pessoalmente, comandou a invasão do Líbano.

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A incursão teve êxito, mas o estrago causado por Sharon foi grande. Yasser Arafat ordenou que os guerreiros palestinos no Líbano buscassem santuário nos campos de refugiados de Sabra e Shatila. Sharon não respeitou o santuário e invadiu os campos em busca dos guerreiros, dizimando-os, mas em meio a eles foram mortas mulheres e crianças. O episódio ficou conhecido como os massacres de Sabra e Shatila.

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> Política

Mas Sharon não foi apenas um guerreiro: além do da Defesa, eleito para o parlamento e como líder do seu partido, o Likud, ocupou vários ministérios nos governos israelenses até que se elegeu primeiro-ministro em 2001, quando começou as rodadas de negociações de paz com os palestinos.

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A paz, inobstante, sempre foi, bem ao estilo estadunidense, uma Pax Armada: Sharon negociava com uma metralhadora nas alças. Mas cedeu à exigências palestinas, como a retirada de assentamentos judeus da nervosíssima Faixa de Gaza e obteve a autorização do Parlamento para construir os muros separando pontos de incursão palestina em territórios israelenses: uma espécie de linha Maginot judaica, que não surtiu maiores efeitos de segurança.

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> O derrame e o coma por 8 anos

Em 2005, ainda primeiro-ministro, Sharon sofreu um acidente vascular cerebral que o prostrou em coma desde 2006. Depois de 8 anos em estado vegetativo, seus órgãos desistiram de sobreviver, hoje (11).

Desde 2002, os médicos alertavam-no sobre o excessivo peso que aumentava a cada dia, e do excesso de obrigações ao qual se impunha. A sua segurança também protestava que ele não usava colete a prova de bala.

Certo dia, respondendo a uma jornalista sobre o porquê de não usar o colete, ele respondeu: “não há um que seja do meu número”. Talvez ele quisesse morrer como um soldado que era, no front.

sharon

!לכו לשלום

40 comentários:

  1. Você acaba de se redimir comigo. Um dia você atacou Ariel Sharon e eu fiquei chateada. Meu pai disse que era porque você era descendente de árabes. Acabei de mostrar o texto a ele e ele gostou.
    Sharon foi um dos pais de Israel, junto com Ben Gurion e muitos outros.
    Judia.

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  2. Ele foi o açougueiro de beirute,isso sim!

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    1. E Beirute teve centenas de açougueiros que mataram centenas de judeus. Bala trocada não dói.

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  3. Sem dúvida alguma, é um grande alívio pra humanidade a morte do carniceiro israelense Ariel Sharon. Ainda que estivesse em coma há oito anos, seu entendimento final com o Diabo, que finalmente o aceitou após todo esse tempo significa um momento de reflexão a respeito desse e de outros celerados que vieram ao mundo pra fazer o mal.
    Era tão péssimo que sua primeira mulher e o filho que teve com ela já haviam morrido, sendo que o rebento morreu acidentalmente brincando com uma das armas com que esse ser repugnante costumava matar desafetos. Vai, biltre. E que o inferno te seja leve!

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    1. De que humanidade tu estás falando? Que inferno é esse que tu desejas para Sharon? Com certeza dessa humanidade que tu falas e pra inferno que mandas, os milhões de judeus do mundo inteiro não fazem parte.
      Se não fosse Sharon e muitos outros como ele o Estado de Israel jamais existiria pois gente como tu, que faz parte da "humanidade", já teria matado todos os judeus. Sharon é um dos heróis de Israel.
      Vai tentar seguras os palestinos assassinos, homens e mulheres bombas e agora até crianças bombas, com esse teu papo de celerados que vieram ao mundo para fazer o mal para ver se tu não explode junto. Aqui é fácil dizer isso. Eu quero ver é em Israel, que qualquer assovio todo mundo corre pensando que é bomba. Ninguém precisa andar muito para chegar no inferno lá, pois a Palestina é bem do lado.

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  4. Se não fossem ele e Moshe Dayan os árabes não tinham deixado Israel ficar onde está. É o que ele mesmo disse e que você postou que sem a força apropriada não haveria chances para Israel. Por isso digam o que quiserem os simpatizantes do árabes ou os defensores dos direitos humanos que nunca tiveram um parente ou amigo estraçalhado por bombas e nem as famílias inteiras desabrigadas por misseis sírios, libaneses, egípcios e tudo o mais , Ariel Sharon para nós foi um herói, assim como foi um herói o Yarafat, tão linha dura como Sharon, para os palestinos. Na guerra constante em que vivem os israelenses não tem lugar para moleza não. Eu quero ver esses aí falando mal do Sharon resistirem ao primeiro tiro e ele resistiu a todos e mandou mais um bocado.
    Viva Ariel Sharon!!!!

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  5. Ronaldo Gomes11/01/2014 21:42

    Se tinha algum sossego no inferno, agora danou-se!!!!!Deputado o senhor nunca pensou em levar o Ariel Sharon para Tucurui???




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    1. Para mim não haveria problema algum, mas creio que ele jamais aceitaria: guerreiros morrem de tédio onde não há guerras nas quais eles possam lutar e em guerras soldados matam e morrem. Por esse prisma todos estariam no inferno, enquanto que os que não vão à guerra e ficam no conforto do lar, garantidos pelos que estão matando e morrendo, pensam que vão pro céu.
      Tenho e sempre terei restrições à Sharon, e já postei isso aqui. Mas não é possível negar o seu valor de guerreiro por Israel, como o foi Arafat pela causa Palestina.

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  6. Era um Sionista . Pois há muitos Judeus que são contra o massacre cometido contra os palestinos.
    Era daqueles que não aprendeu com as lições cometidas contra o seu no Holocausto.
    Achava que os problemas deveriam ser resolvidos na bala, por isso que o povo de Israel passará muito tempo sem sossego vivendo de sobressaltos naquela base militar do imperialismo Yanque chamada Israel.
    Machado

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    1. Os judeus de Israel não têm sossego porque os palestinos não querem ter sossego. Engraçado como todo mundo aqui quer fazer como Hitler e fazer judeu de sabão. Se não fosse Sharon e muitos outros de linha dura como ele, nós os judeus já tínhamos sido expulsos para a Guatemala como um idiota falou em um comentário aí embaixo.

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    2. vai pra israel então! e saia do brasil...já que tas tão apaixonado pela "tua" terra que jamais deves ter pisado!

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  7. Certamente Israel deve ter perdido um grande homem, soldado, general e etc. mas o mundo, pouca coisa perdeu, um "humano" que sempre teve a guerra e a força como arma para construir a paz que interessava à Israel, que sempre "negociou" com a arma em punho, não merece homenagem e sim um até sempre, se não vejamos, onde estava Sharon? na guerra da independência, na guerra dos seis dias, na guerra do Yom Kipur e no assombroso massacre de civis no campo de refugiados de Sabra e Chatila.

    Certamente, por tudo que fez se fosse estivesse a serviço do Irã, Iraque, Sírio, Líbio e etc.. e não israelense apoiado pelos Estados Unidos, certamente teria respondido à Corte de Haia, como criminoso de guerra




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    1. Todas essas guerras que você citou não foram causadas por Israel e sim por árabes que queriam expulsar os judeus. Para quem vive aqui no Brasil, sem assovio de misseis todos os dias sobre suas casas vindos da Palestina ou do Líbano, ou da Síria, é muito fácil falar em paz e etc. Todos queremos viver em paz é claro, mas o que é a paz para os palestinos e os árabes das fronteiras? Subjugar Israel. Eu quero ver você com esse papo de paz se o seu vizinho invadir a sua casa e jogar uma bomba dentro dela, matando seus parentes. O que você faria? Se mudaria da sua casa e a entregava para que a invadiu ou lutaria por ela? É meu caro. Daqui é fácil falar. EU quero ver é na hora do rush se você não apita.

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    2. É? E porque o Assad ainda não foi para a Corte de Haia? Ele já matou 150 mil dentro do seu próprio país. Por que o Arafat não foi para a Corte de Haia? Ele matou mais de 10 mil judeus com bombas jogadas sobre o território.
      Tem os judeus que não aprovaram a invasão do Líbano, mas eles dão graças a Sharon por ter matado os desgraçados que atiravam misseis de lá todos os dias contra Israel e que matou mais judeus do que os que morreram no Líbano com a invasão.
      Não tem esse negócio de conversar com um flor na mão, pois se na conversa um palestino te ver desarmado come o teu fígado. Vocês não tem a menor ideia do que é ser judeu em Israel e ser árabe na palestina. São um bando de desinformados da realidade.

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  8. É muito fácil falar de guerreiro quando se tem todo o poder de fogo que o Sionismo tem, todo o apoio militar dos Estados Unidos, Inglaterra, França, etc. que o sionismo ainda tem.
    O que Sharon defendeu? qual território?, se antes de 1948 não existiam nem limites para Israel e a única população aí reconhecida, com território era a de palestina.
    A Israel lhe foi oferecida até Guatemala, dentre outras áreas, como compensação pela massacre nazista da II Guerra. Uma possibilidade que o sionismo não aceito.
    Essa terra chamada Israel, é financiada pelos Estados Unidos, a única garantia de existência. Imagine se o povo palestino fosse financiado em 1% dos recursos que recebe Israel, não em armamento e sim para produzir e reconstruir seu território, todo seria diferente.
    Dessa mesma forma o /deputado deveria ter homenageado o Pinochet, grande guerreiro que defendeu chile do comunismo.

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    1. Israel, e não Sharon, defendia, e ainda defende, um território que foi conquistado em uma coalizão de vontades de países, inclusive de alguns da Liga. É uma clássica piada de mau gosto oferecer aos judeus territórios totalmente alheios a sua história: qualquer território fora das bordas de Jerusalém seria continuar no desterro.
      Os palestinos poderiam ter dos países árabes os mesmos benefícios que tem Israel dos EUA (metade da riqueza dos EUA é de judeus), mas foram, e são, abandonados pelos próprios árabes e se não fossem outro guerreiro admirável, Yasser Arafat, não haveria hoje uma Autoridade Palestina se firmando como um país.
      A sua sugestão sobre Pinochet, se não for outra piada de mau gosto, é completamente descabida. Pinochet não lutou para manter um território e um povo. Ele foi um mero ditador, que massacrou e torturou o seu próprio povo dentro das fronteiras do seu próprio país. Questões internas e domésticas se resolvem com eleições internas e domésticas e não com a vontade imposto por uma pessoa ou um grupo de pessoas que acham que têm que ditar as suas vontades. Pinochet está a milhões de anos luz de Arafat, Sharon, Dayan, Tito e muitos outros que, gostemos ou não (eu já escrevi aqui sérias restrições a Sharon e a Arafat) foram decisivos na história dos seus respectivos países.

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  9. guilherme de marabá12/01/2014 10:58

    Corrigindo sabra e chatila não tiveram a honra de ter os coturnos do general SHARON pisando naquele pardiero de terroristas,quem promoveu a caça aos membros da olp e por consequencia perdas civis foram falanges da direita libanesa nenhum, soldado israelense entrou lá.

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  10. Guerreiro ou Criminoso de Guerra? A uma linha tênue separa aguerra do crime de guerra. Ariel Sharon transpôs esse limite e cometeu crimes de guerra no Líbano. Como aos vencedores a impunidade é um premio le beneficiou-se da vitoria.

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    1. Nas guerras, todos os guerreiros cometem crimes, portanto, todo soldado é um criminoso de guerra. Há aqueles que cometem os crimes na agonia do front e esses passam despercebidos. Há aqueles cujos crimes são vistos e repercutidos: esses são julgados e condenados, ou absolvidos, pois para os crimes de guerra há dosimetria de penas e até a absolvição.
      Truman, por exemplo, matou, de uma só vez, com as duas bombas atômicas que despejou sobre o Japão, cerca de 300 mil pessoas: foi o maior massacre que se tem notícia de guerras em toda a história da humanidade, mas não sofreu uma reprimenda sequer, porque o nosso julgamento moral sobre guerras depende do lado em que estamos ou simpatizamos.
      Todos os guerreiros se beneficiam da vitória. Poucos foram os que se beneficiaram de uma derrota, como os espartanos no desfiladeiros das Termópilas, que foram dizimados mas viraram heróis.

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    2. Seus comentários apenas reafirmam que Ariel Sharon foi um criminoso de guerra beneficiado pela vitoria; como foi Hitler, Pol Pot, Truman ou Stalin.

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    3. Pelo seu referencial e julgamento, todos os que foram à guerra foram criminosos de guerra, pois não há aquele que não incorreu em excessos de ataque ou de defesa, julgando estar agindo de forma objetiva e consequente no momento da liça.
      Eu já li mais de 100 livros históricos sobre guerras (é um tema que eu gosto) e mais de 50 biografias de generais e reis que comandaram exércitos e recuso-me a julgar qualquer um deles, pois não estou certo de que, nas mesmas circunstancias, eu faria diferente. Por isso contento-me em narrar fatos, tanto os que os podem gloriar, como os que devem ser repudiados.
      O caso de Hitler cabe em uma coluna única, não sendo possível colocá-lo em linha reta com outros, como você acaba de fazer.
      Hitler, deliberadamente, implantou uma doutrina de extermínio de raças que ele julgava inferiores. Para ele a guerra não era uma questão de conquista de territórios e povos. O caso mais notório foi o dos judeus (Holocausto), mas não só judeus: a doutrina nazista era sumário extermínio de raças inferiores e até de alemães inferiores, e quem dizia quem eram inferiores era o próprio regime. Portanto Hitler entra para o rol dos crimes contra a humanidade, seus crimes foram de Lese Generis e não crimes de guerra, que são aqueles praticados em desacordo às regras marciais internacionais, especificamente no exercício das contendas.
      Hitler foi tomado pela psicose de achar que podia ser o senhor único de todas as raças e passou a fazer a guerra em função disso, e resultou que a história não registra, tanto quanto eu saiba, episódios de extermínio como os praticados pelo III Reich.

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  11. Quem invadiu quem mesmo? Até 1948, quem estava naquele território? palestinos ou judeus? até 1948, quem perdeu mesmo o seu território? palestinos ou judeus? quem tem motivos mesmo para guerriar, quem foi invadido ou quem tem invade? ai vão dizer porque na época de Moisés e a terra prometida e etc, etc.

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    1. Se você pensa que essa querela de 3 mil anos começou em 1948, a sua visão é muito curta sobre o assunto. Obrigo-me, sem esgotar o assunto, a repetir parte do que respondi em comentário anterior, onde foi feita pergunta similar a sua:

      Quanto a quem estava no território que hoje se divide entre judeus e palestinos, a sua visão é tópica ao achar que eram uns ou outros: eram ambos e, primeiro, o judeus.
      A disputa que se arrasta até hoje tem origem em 1800 a. C. Desde ali as duas tribos principais que hoje disputam o espaço convivem nele, e os hebreus ali chegaram desde a dominação dos hicsos, que os receberam como força de trabalho e ali os hebreus vicejaram o comércio e a agricultura, até que os egípcios expulsaram os hicsos e escravizaram os hebreus até o Êxodo, liderado por Moisés, que aos pés do Sinai estabeleceu a colônia judaica, historicamente com a Lei das 12 Tábuas como sendo a primeira Constituição judaica.
      A área nas bordas do Sinai, de onde saíram os primeiros hebreus, nessa altura já era dominado pelos Filisteus, de origem indo-europeu. Mesmo assim as 12 tribos de Israel formaram dois reinos judaicos: o Reino de Israel, cuja cidade capital era a Samaria e o Reino de Judá cuja cidade capital era Jerusalém, que existe até hoje e é dividida entre judeus e árabes.
      A titulação dos dois reinos foram dos judeus até 722 a.C., quando os assírios tomaram a região e expulsaram os judeus: foi a 1ª Diáspora. E por aí vai a história dos judeus na região que não me cabe aqui contar toda pois não há essa pretensão: quero apenas lhe demonstrar que Israel não foi um presente aleatório da coalizão anglo-americana aos judeus e a essa querela não surgiu em 1948. O século XX viu, e vê, apenas mais um capítulo dessa história de mais de três milênios.

      Não é de boa discussão, desculpe-me, você menosprezar as crenças alheias. Se você não vê a figura de Moisés como a vêem os judeus e não o respeita como eles (Moisés está para os judeus como Cristo está para os cristãos de todas as denominações), não é educado tentar destituir-lhes a credo, pois isso só gerará dissensões, pois todos nós somos tudo aquilo no que acreditamos.

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    2. guilherme de marabá12/01/2014 18:36

      Extremamente lucido parabens PP

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  12. Deputado, certamente não tem guerra sem ter mortes, concordo com o Sr. que o maior massacre foi Hiiroshima e Nagasaki foi o altamente criminosa e impune. Assim como o Brasil massacrou e, deveria ser punido, na guerra com o Paraguai.
    Criminoso de guerra só e considerado quando há massacre, uso desproporcional e desnecessário da força, mortes a civis e ainda, no caso palestino, quem mesmo estava naquele território? judeus ou palestino? e o massacre de Sabra e Chatila, os que morreram estavam no fronte ou eram civis? a própria corte suprema israelense condenou Sahron, se fossem israelenses e não palestinos que estivesse nesses campos, o massacre teria ocorrido?

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    1. É impraticável, no clamor da guerra, um general de infantaria não cometer excessos. No caso de Truman, a decisão foi pragmática e aceita pelo seu Estado Maior: ou os EUA matariam 300 mil em dois dias e acabariam com a guerra no Pacífico, ou mais 6 meses de escaramuças matariam 2 milhões de pessoas. Sob esse prisma a decisão “correta” foi matar 300 mil para poupar 1,7 milhão. Como seria julgada tal ação por um tribunal marcial?
      Os únicos excessos de guerra efetivamente julgados foram os da II Guerra, em Nuremberg: um julgamento dominado pelos vencedores sobre, especificamente, os vencidos alemães. Se a Alemanha fosse a vencedora haveria um Nuremberg contra os EUA e Inglaterra e todos os heróis de guerra de ambos seriam condenados. Portanto, como eu já disse aqui no blog, recuso-me a julgar quem quer que seja, pois a Justiça, algumas vezes, e até sempre, não passa de um jogo e a nossa moral é esquizofrênica a partir do momento em que a exercemos sob o nosso ponto de vista e não sobre as circunstância de quem está no banco de réus.
      Eu jamais emiti parecer favorável, ou contrário, sobre Sabra e Shatila. Escrevi um longo artigo, em 1982, quando do massacre, publicado no Diário do Pará, desancando Sharon pelo feito (e não foi ele quem comandou diretamente e o massacre e sim forças conservadoras libanesas), e fui vítima de ataques ferozes da comunidade judaica, o que não me afastou da posição, mas mesmo ali eu não julgava Sharon: ele agiu em defesa do Estado de Israel e raciocinou como Truman. Se deixasse pela metade o que fora fazer no Líbano, a ida seria vazia.
      Quanto a quem estava no território que hoje se divide entre judeus e palestinos, a sua visão é tópica ao achar que eram uns ou outros: eram ambos e, primeiro, o judeus.
      A disputa que se arrasta até hoje tem origem em 1800 a. C. Desde ali as duas tribos principais que hoje disputam o espaço convivem nele, e os hebreus ali chegaram desde a dominação dos hicsos, que os receberam como força de trabalho e ali os hebreus vicejaram o comércio e a agricultura, até que os egípcios expulsaram os hicsos e escravizaram os hebreus até o Êxodo, liderado por Moisés, que aos pés do Sinai estabeleceu a colônia judaica, historicamente com a Lei das 12 Tábuas como sendo a primeira Constituição judaica.
      A área nas bordas do Sinai, de onde saíram os primeiros hebreus, nessa altura já era dominado pelos Filisteus, de origem indo-europeu. Mesmo assim as 12 tribos de Israel formaram dois reinos judaicos: o Reino de Israel, cuja cidade capital era a Samaria e o Reino de Judá cuja cidade capital era Jerusalém, que existe até hoje e é dividida entre judeus e árabes.
      A titulação dos dois reinos foram dos judeus até 722 a.C., quando os assírios tomaram a região e expulsaram os judeus: foi a 1ª Diáspora. E por aí vai a história dos judeus na região que não me cabe aqui contar toda pois não há essa pretensão: quero apenas lhe demonstrar que Israel não foi um presente aleatório da coalizão anglo-americana aos judeus e a essa querela não surgiu em 1948. O século XX viu, e vê, apenas mais um capítulo dessa história de mais de três milênios.

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    2. Deputado os Judeus não brigam com os Palestinos desde 1800 a.C, pois o povo Palestino nem existia neste período da Historia da Cultura Humana. Após 2 Diáspora o povo Judeu também não ficou lutando pela região, neste período a região foi habitada por diversos povos. No seculo IV, quando os Judeus voltaram a habitar a região financiados pelos Rothschilds franceses e ingleses, nela encontraram habitando os árabes Palestinos. que a cada guerra foram sendo expulsos de suas casas e obrigados a viver em outros países como cidadãos de segunda classe.

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    3. guilherme de marabá12/01/2014 18:43

      PP aqui vc fala que ele não estava em sabra e chatila, no post diz que ele comandou a invasão aos campos num entendi?

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    4. Não está escrito que os judeus brigam com os palestinos desde 1800 a. C. Está dito a origem da ocupação da região e que os judeus estiveram nela desde essa época. Não considero que os judeus abondaram a luta pela terra nem com a dominação egípcia e nem das diásporas. Eles, circunstancial e eventualmente, foram tangidos da região, mas jamais abandonaram o ânimo de possui-la, pois esse ânimo foi o que lhes fez retornar sempre.
      Você se engana, quando credita poderio financeiro aos Rothschilds no seculo IV. Embora se tenha conhecimento dos primeiros Rothschilds por volta de 1500-1600, a família Rothschilds iniciou o seu império financeiro no século XVIII e teve o seu apogeu no século XIX.
      É claro que os judeus, em mais um, e atual, retorno às bordas de Jerusalém, foram financiados por judeus apátridas, que todos eram e nada mais fizeram que retomar o animus ocupandis que sempre lhes alimentou territorialmente desde a primeira leva, pelos hicsos. E foi somente nesta última ocasião que lá encontraram os palestinos.
      Os judeus nunca foram cidadãos de segunda categoria: onde chegavam dominavam as finanças e o comércio e até hoje, as maiores fortunas do mundo são manejadas por judeus, daí o apoio de países desenvolvidos à Israel: os judeus contribuem nas campanhas eleitorais desses países.

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    5. Guilherme,

      Sharon comandou pessoalmente a invasão ao Líbano, para exterminar o comando palestino no país. Os membros do comando homiziaram-se nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, cuja responsabilidade de guarda era de Israel e Sharon determinou que seus comandos buscassem os guerreiros palestinos lá, dando ordem para a entrada, mas permitiu que comandos libaneses maronitas também entrassem nos campos para buscar refugiados libaneses e o líder maronita Elie Hobeika, que comandou pessoalmente a entrada, com a permissão deliberada de Sharon, que sabia o que poderia ocorrer.
      Durante o julgamento marcial de Sharon, a sua defesa foi de que os libaneses comandaram o massacre pois ele não estava no local, mas como não poderia deixar de ser, a guarda dos campos cabia a ele e creio (disso não há provas oficiais) que Sharon e Hobeika combinaram tudo, por isso opino que Sharon, embora não estivesse especificamente no local, foi responsável pelo massacre que matou os guerreiros palestinos, os insurretos libaneses, mas cerca de 2 mil civis.

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    6. guilherme de marabá13/01/2014 16:33

      A Sharon nunca foi permitido o resguardo dos campos,eles estavam sob a esfera de ocupação israelense mas não sob sua responsabilidade ,que cabia a red cross ,com relação ao massacre os maronitas e somente os maronitas entraram em confronto com os terroristas da olp que como o hamas faz hj usou os civis como escudo humano,atribuir o massacre ao general SHARON é contribuir com a propaganda anti-semita.

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    7. guilherme de marabá13/01/2014 16:35

      A Sharon nunca foi permitido o resguardo dos campos,eles estavam sob a esfera de ocupação israelense mas não sob sua responsabilidade ,que cabia a red cross ,com relação ao massacre os maronitas e somente os maronitas entraram em confronto com os terroristas da olp que como o hamas faz hj usou os civis como escudo humano,atribuir o massacre ao general SHARON é contribuir com a propaganda anti-semita.

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    8. Guilherme, o saldo de Sharon é positivo e espetacular. Ele foi o último dos guerreiros vivos que participaram ativamente da formação e consolidação do Estado de Israel e como isso não seria possível com flores, evidentemente houve excessos, pois na constante guerra entre árabes e judeus, quem piscasse primeiro certamente seria morto antes de abrir os olhos da piscada.
      A única restrição que faço a Sharon, sem julgá-lo todavia, é exatamente no episódio de Sabra e Shatila: não há como sonegar a participação de Sharon no massacre.
      Os campos eram administrados pela Cruz Vermelha, mas a responsabilidade da segurança era de Israel, e Sharon era o ministro da Defesa e dele deveria partir a ordem para conter os maronitas da entrada nos campos. E esse fato não é uma propaganda antissemita, pois a própria comissão de inquérito oficial de Israel, formada para apurar as ocorrências, presidida pelo presidente da Corte Suprema de Israel, concluiu pela responsabilidade pessoal de Sharon.
      Por isso eu concluo, e isso é uma conclusão exclusiva minha, pois o inquérito que concluiu pela responsabilidade de Sharon nunca foi publicado (creio que com a sua morte a Corte Suprema deva liberar os autos), que Sharon fez um acordo com os maronitas: ele permitia a invasão dos campos e eles varreriam os guerreiros da OLP lá dentro.
      Mas onde mais Sharon me decepcionou no episódio foi ele não ter protegido um santuário. Os campos de refugiados, os templos religiosos e outros lugares historicamente assim transformados, são santuários impenetráveis e só os desrespeitam líderes sem compromisso algum com a transcendência dos lugares sagrados. Faça de tudo para que quem você persegue não alcance um santuário, mas no momento em que ele alcançar, pare na porta. Até sitie o santuário, mas invadi-lo é profanação. Esta é uma regra natural para os combatentes de honra. Não está escrita em nenhum código de guerra: está escrito no sangue dos guerreiros honrados.
      Sharon, ele mesmo, tenho certeza, jamais imaginou que os maronitas não seriam seletivos, mas tinha a obrigação de manter a sua honra de guerreiro que construiu em fabulosas batalhas sob sua espada, e não permitir a invasão de um campo de refugiados. Ele permitiu uma profanação, que não é um crime de guerra, mas uma jaça inapagável no peito de qualquer comandante e tenho certeza de que ele se arrependeu amargamente disso.

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    9. guilherme de marabá13/01/2014 19:06

      Só me enobrece compartilhar contigo tão honroso debate,muito obrigado por me dar atenção, pena que o bairrismo marabaense não me permita votar no sr,mas meu conhecer empobrece quando não leio teu blog.

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    10. Obrigado Guilherme. Tento fazer daqui uma porta de debates sadios e inteligentes. E uma forma de não "emburrecer" na política, pois ela nos toma todo o tempo em questões, algumas vezes, tão pequenas, que acabamos perdendo o hábito do arejamento da mente.

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    11. Parabéns o debate foi preciso e profundo.

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  13. De uma só sentada, 12 comentários foram, infelizmente, moderados, por não satisfazerem às regras do blog. Por favor, discordem, ou concordem com educação e respeito, afinal não estamos no front de batalha e vivemos em um país hospitaleiro. Não serão publicadas pornografias dirigidas a palestinos e nem a judeus. Aqui não tem lugar para intifadas e nem para as tropas do general Sharon.

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  14. Ivairt Justino13/01/2014 10:50

    Uma verdadeira aula de história...

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  15. Imagine agora, quando ele descobriu que Deus não existe, que Jesus, Moisés, David etc foram apenas pessoas como ele?

    Lafayette

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    Respostas
    1. ele nem vai se preocupar pois nao lutou por religião e sim por terra

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